
Vai Sonhando

Cecily Von Ziegesar - Gossip Girl 9




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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

 vero h uns cinco minutos e as caladas da cidade j esto a uns 40 graus. Graas a Deus
finalmente podemos jogar fora nossos horrendos uniformes listrados de azul e branco 
para sempre. A no ser que a gente decida pela ressurreio deles em nossa primeira festa
de Halloween da faculdade. Saias pregueadas deixam os homens loucos!
Foi uma parada dura sobreviver a quatro anos de ensino mdio, equilibrando festas,
compras, estudos, festas e compras com a quantidade exata de elegncia e porte para nos
colocar na Ivy League. Mas ns conseguimos e temos nossos diplomas  e os presentes de
formatura (vrum, vrum, vrum)  para provar isso.
Para o caso de voc ter enfiado a cabea embaixo de uma pedra o ano todo, somos a galera
que se diverte na mesma medida em que faz compras e agora, que j compramos nossos
novos guarda-roupas de vero, est na hora de aprontar de verdade. Voc nos conhece e
no h problema em admitir:
Voc queria ser uma de ns. Somos as garotas que andam por Manhattan com vestidos de
vero novinhos Marni e chinelos Jimmy Choos quem-liga-se-vo-ficar-podres. Somos a
galera bronzeada-desde-as-frias-de-primavera-em-St.-Barts no terrao do Met secando
gim e tnica de frascos de prata antiga. O vero est aqui e acabaram-se aquelas
preocupaes chatas, como cursos avanados e testes de aptido acadmica. Os prximos
meses s tero coisas boas: amor, sexo, fama e infmia. E por falar nisso a garota mais
famosa da cidade est prestes a ficar ainda mais famosa

Ela j  uma lenda local, mas ela vai alcanar novo nvel de notoriedade? Tipo assim, capas
da Vanity Fair e estrias com tapetes vermelhos? Sem dvida parece que agora S conseguiu
o nico emprego de vero que realmente vale a pena ter: o papel de protagonista em um
grande filme de Hollywwod dirigido pelo cineasta potencialmente maluco Ken Mogul,
interpretando o par daquele lindo megastar de cabelos dourados T. Acho que vou desmaiar.
A julgar pela histria dela, T logo ser tambm seu parceiro fora das telas. Algumas
meninas realmente tm sorte.

Embora todos pensassem que B estava destinada ao papel, ela parece ter perdido para a
melhor amiga... de novo. Talvez ela j tenha se acostumado com isso, ou talvez esteja
ocupada demais para perceber, dando cambalhotas com seu delicioso namorado novo entre
os lenis de linho egpcio de 600 fios perfeitamente prensados do hotel Claridge de
Londres. Uma coisa  certa: seu caso repentino com aquele robusto cavalheiro ingls, lorde
M, mudou de cenrio, da vaporosa Nova York para a pretensiosa Londres, e s posso
imaginar que eles estejam fazendo um bom uso da sute de hotel de B.  claro que o solar
de lorde M deve ser ainda mais legal do que o Claridge, se  que isso  possvel  ento por
que ela no est l com ele? Vamos descobrir logo: as histrias das travessuras dessa moa
j esto voltando pelo oceano.
Chegam tambm  cidade informaes escandalosas sobre nosso eterno chapado preferido,
mas ainda um eterno lindo, N  embora ele s esteja a uma viagenzinha de distncia, nos
adorveis Hamptons. Ele est dando duro em Long Island depois do maante episdio de
roubar-Viagra-do-treinador-de-lacrosse-e-quase-no-se-formar. Soube que j est
bronzeado e continua suando graas a toda a reforma que faz no telhado da casa do
treinador. Algumas senhoras do lugar andaram passando por ali s para dar uma espiada
nele sem a camiseta. Enquanto isso, deste lado de Long Island  isso , no Brooklyn  V foi
vista curtindo o esplio de sua curta convivncia com B. Oi, vestido de seda preto DVF!
S B deixaria isto para trs, como se fosse uma escova de dentes usada. Ningum sabe se V
estava tendo ou no um lance com ambas as partes daquela dupla de irmos cujo parentesco
provm apenas das circunstncias, mas A e B caram fora. Literalmente. A ltima coisa que
eu soube  que A foi flagrado com uma danarina do ventre tatuada em Austin, Texas, e os
dois filhotes de boxer dela. Ainda bem que D existe  ele tem sido visto por toda Nova
York olhando freneticamente a cidade feito um turista. Parece que algum est ficando
emotivo com a grande mudana para o Oeste nesse outono.

Seu e-mail

P: Cara GG,
Mas a eu estava l, no aeroporto de Heathrow, indo para aquele internato britnico
totalmente escandaloso a que meus pais me obrigaram a ir neste vero, quando quem me
aparece a no ser B, vulgo a garota dos meus sonhos? Pensei que meus problemas
estivessem resolvidos, at que cheguei ao campus e soube de boatos muito perturbadores:

1) B no s est namorando um certo ingls desprezvel, ela est noiva dele.

2) Ele j est noivo de outra.

E a coisa mais doida de todas:

3) Lorde P-no-saco no est satisfazendo as necessidades femininas de B, se consegue
entender minha dica. Ser que est cansado demais de ficar com a noiva?

Ajuda o maninho aqui. Vou pirar se no encontrar uma garota que saiba que futebol
americano no tem nada a ver com futebol que os caras jogam aqui na Inglaterra.
- B da Fila que Andou

P.S.: Eu agento a noite toda.

R: Caro B da Fila que Andou,

No sei como fazem na Inglaterra, mas aqui na Amrica 17 anos  meio cedo para se casar.
U, ns ainda nem demos uns amassos em nossos companheiros de corredor no ano de
caloura! Guenta firme. Nada dura para sempre...
- GG

P.S.: A note toda, ? Como  que voc  mesmo?
P: Cara GG,

Eu precisei implorar muito, mas finalmente consegui que meu pai soltasse a verba para
alugar uma casa de vero em Southhampton s para mim e meus amigos. Agora estamos
aqui e ningum mais est. O que  que ta pegando?
-Nada de sex on the Beach

R: Cara NDSOTB:

Voc devia saber que chegar cedo nos Hamptons na temporada  meio... bom, brega, a no
ser que voc precise estar a, como algumas pessoas que eu conheo. Nesse meio tempo,
por que no um agito? Tenho uma casa inteirinha  sua disposio  vista aqueles lenis
com padronagem de palmeira ABC Carpet & Home como uma toga e entre no esprito da
universidade!
- GG

Flagras

B acusando uma funcionria do setor de bagagem da Virgin Atlantic de roubar uma de suas
muitas calcinhas de renda Cosabella da bolsa de viagem Tumi.  isso que se consegue
pegando um vo comercial! S lendo  lendo? Fala srio, a escola acabou!  um esfarrapado
exemplar em brochura de Bonequinha de luxo em um banco  sombra de uma rvore no
Central Park. Sem dvida ela vai se lembrar disso um dia no Inside Actors Studio. Um
suarento N bombando para cima e para baixo, para cima e  l vai minha imaginao! 
pelo centro de East Hampton com sua bicicleta velha de dez marchas Schwinn. O que
aconteceu com o Range Rover? V na Bonita, aquele lugar mexicano minsculo e rstico
em Williamsburg, pedindo a algum para limpar a mesa antes de ela se sentar. Talvez B
tenha mesmo se livrado dela. D rodando pela West End Avenue durante horas  alis, onde
 que ele ia estacionar aquele gigolomvel Buick azul que ganhou de presente de
formatura?

 s por hoje. Fui. Afinal, voc no precisa ser um nerd em matemtica do MIT para
perceber que s temos 11 semanas de vero - s 77 dias  antes de termo que lutar com
coisas como alojamentos mistos, correr atrs de um diploma em design de moda e talvez
um trrido caso extracurricular com aquele ingls professor de literatura provavelmente-
gracinha-debaixo-do-blazer-de-tweed-e-gravata-borboleta. Mas no vamos nos precipitar:
est quente l fora e as coisas j esto comeando a ferver. A vida  cheia de mistrios 
para no falar de meninas lindas com biqunis de bolinhas e gatos de cales de surfe em
tom pastel. O vero, com sua ausncia de regras e agendas, proporciona o cenrio perfeito
para um mau comportamento daqueles. Neste exato momento, estou pegando meus
gigantescos culos de sol Gucci rosa claros, uma exemplar da Elle francesa, um pouco de
protetor solar Guerlain FPS 45 e uma confortvel toalha Missoni listrada de tangerina e
turquesa e chegando no parque. Em que parte do parque? No gostaria de saber?

Para voc que me ama,
gossip girl
eles esto em lua-de-mel

- Bom dia, senhora!  trinou uma voz de mulher com um sotaque britnico superpetulante.
Blair Waldorf suspirou e se virou de lado. Estava em Londres h trs dias, mas ainda no se
livrara do Jet lag. Mesmo assim, ela no ligava: era um preo pequeno a pagar para ver seu
namorado ingls de sangue azul e lindo-feito-um-astro-de-cinema-mas-da-vida-real, lorde
Marcus.
Wendy, uma das trs camareiras cujos servios 24horas acompanhavam a sute na
cobertura de Blair no Claridge, estalou os sapatos pelo piso de madeira clara e depositou
uma bandeja de mogno pesada na cama king size, que era to grande que Blair dividia em
quatro partes: uma para dormir, uma para comer, uma para ver TV e uma para o sexo. At
agora, esta parte da cama continua sem uso. Wendy puxou as cortinas de veludo marrom na
enorme parede de janelas, inundando de luz o quarto imenso. A luz refletiu-se no teto
opulento de filigrana de ouro e quicou nos espelhos de moldura dourada que revestiam o
quarto de vestir anexo.
- Ai!  gritou Blair, puxando na cabea um dos suntuosos travesseiros de penas de ganso
para proteger os olhos do sol.
- Caf-da-manh, como foi solicitado, Srta. Waldorf  anunciou Wendy, erguendo a tampa
de prata da bandeja e revelando uma mistura nojenta que mais parecia vmito de ovos
poch, enormes salsichas gordurosas e uma poa de tomates cozidos.
A clssica cozinha inglesa. Nham.
Blair ajeitou o cabelo castanho amarfanhado e as alas da camisola rosa Hanro que usava
para dormir. O aspecto da comida era repugnante, mas o cheiro era delicioso. Ah, bem, ela
merecia uma festinha, no ? Ela ficou com um apetite danado na vspera, andando por
West London, vendo os pontos tursticos.
Se  que se pode chamar de Harrod's, a Harvery Nichols e a Whistles de pontos tursticos.
- E seu jornal  acrescentou Wendy, colocando o International Herald Tribune na bandeija
com um floreio. Blair solicita-ra o jornal quando fez o check in  afinal, uma mulher de
Yale tinha que se manter em dia com os acontecimentos mundiais. E da que ela no
passasse exatamente pela parte de leitura?
-  tudo, senhora?  perguntou Wendy com formalidade.
Blair assentiu e a camareira desapareceu na sala de estar. Blair espetou uma das enormes
salsichas com o garfo e pegou o jornal, olhando a primeira pgina. Mas a letra minscula e
as fotos caretas eram to chatas que ela no conseguia se concentrar. O nico jornal que leu
na vida era a seo Sunday Styles do New York Times, pelo menos para dar uma olhada
nas fotos dos eventos filantrpicos em busca de rostos conhecidos. Alis, por que uma
mulher do mundo como Blair precisava ler o noticirio internacional? Ela era notcia
internacional.
Blair sempre foi impulsiva, mas sua ida a Londres na verdade fora idia de Marcus. O
presente de formatura que ele lhe deu  em vez dos ridiculamente extravagantes brincos
Bvlgari- tinha sido uma passagem area para Londres. Blair imaginou semanas chuvosas as
quais passariam trancados no enorme castelo da pedra de Marcus fazendo sexo de forma
ininterrupta como quem acende um cigarro no outro - , parando s para roer um pernil frio
de carneiro ou um lanche medieval qualquer que era guardado na cozinha primitiva mas
bem fornida do castelo. Mas Marcus andava to ocupado trabalhando para o pai que s teve
tempo para um almoo e um amasso rpido.
Largando o jornal fechado no cho, ela deu uma olhada na mesa-de-cabeceira procurando
pela Vogue britnica  Blair se abasteceu de todas as revistas inglesas para saber o que e
onde comprar  quando o novo telefone Verty, fino como uma navalha, tocou
agradavelmente. S havia uma pessoa que tinha seu novo nmero telefnico de Londres.
- Al?  Ela atendeu do jeito mais sexy que era possvel quando se estava com boca cheia
de ovos poch.
- Querida  cumprimentou-a lorde Marcus Beaton Rhodes com seu charmoso sotaque
britnico.  Estou chegando. S queria ter certeza de que estava acordada, meu amor.
- Estou acordada, estou sim!  Blair foi incapaz de controlar a empolgao. Ela passou as
ltimas duas noites sozinha e sua excitao borbulhava quase num frenesi. No sabia como
eles conseguiram passar aquele tempo todo sem fazer nada. Seria esta a chance dos dois de
um interldio matinal com roupas intimas?
- Certo  continuou ele de sua forma encantadoramente franca.  Vou chegar logo. E tenho
uma surpresa.
Uma surpresa!, pensou Blair cheia de cobia enquanto desligava o telefone. Era exatamente
esse tipo de despertador que ela precisava para sair da cama. Blair correu at o banheiro,
tirando a roupa pelo caminho. Seriam rosas e caviar? Champanhe gelada e ostras? Era meio
cedo para isso mas, a julgar pelo ltimo presente que ele lhe dera  os brincos de prola
Bvlgari com pingentes de ouro em forma de B  deveria ser bom. Algum smbolo
igualmente requintado de seu amor eterno? Todos em Nova York tinham uma inveja to
insana de seu perfeito namorado ingls que espalhavam boatos de que Marcus j estava
noivo. S havia uma maneira de enterrar esse boato para sempre: voltando a Nova York
usando a aliana dele. De preferncia um diamante perfeito, de quatro quilates, com
lapidao esmeralda, embora tambm servisse uma jia da famlia.
Mas que garota humilde.
De incio, lorde Marcus a havia convidado para passar o vero na manso do pai em
Knightsbridge mas, quando a pegou em Heathrow com seu Bentley creme com motorista,
ele a levou direto ao Claridge. Simplesmente no temos quarto, meu amor, sussurrou
Marcus diretamente na orelha dela, seu hlito quente provocando arrepios na espinha
enquanto a recepcionista lhe passava a chave do quarto Alm disso, quando eu vier,
teremos total privacidade.
Bom,  difcil argumentar contra isso.
Blair no tinha certeza de como o pai de Marcus ganhava a vida, mas tinha alguma coisa a
ver com aes e, o que quer que fosse, parecia muito intediante. Marcus faria estgio no
escritrio do pai o vero todo e no final da noite e incio da manh ele mal tinha energia
para... o sexo. Blair s havia transado algumas vezes com Nate Archibald e estava para l
de ansiosa para tentar com algum mais velho e mais experiente, como Marcus  no que o
sexo com Nate tenha sido to ruim.
Seu tnico de banho de alecrim La Mer e o creme dental de menta Marvis mascararam o
fedor de ovos poch e tomate. Ela correu de volta ao quarto e pulou na cama, usando
somente um leve aroma de gua de banho lavanda, Chanel n 5 e os brincos Bvlgari que
no tirou desde a festa de formatura no Yale Club, pouco mais de duas semanas antes.
Despois de se safar do pequeno apartamento de Vanessa Abrams, sem nenhuma inteno de
voltar ao mundo louco que costumava chamar de lar, Blair decidira morar no Yale Club.
Ela e lorde Marcus se conheceram no elevado, e o sotaque excitante e os jeans
elegantemente passados dele pegaram-na de jeito. Graas ao destino, seus quartos eram
vizinhos de porta e ela podia imaginar a sensao do hlito ingls e sensual de Marcus em
seu pescoo mesmo antes que eles se beijassem  o que aconteceu naquela mesma noite.
Despois de desabafar com ele durante seis ou sete Cosmopolitans, Blair tinha tanta certeza
de ter encontrado o amor de sua vida que praticamente se atirou para cima do homem. Ela
tambm estava de porre  e ele era cavalheiresco demais  para que rolasse mais do que um
beijo. Mas tudo aquilo est prestes a mudar.
Blair puxou os lenis sobre o corpo e acendeu um cigarro, assumindo uma pose que dizia,
Estou em lua-de-mel e cansada de transar, mas que diabos, vamos fazer de novo. Ela pegou
o jornal do cho e abriu a primeira pgina para dar a impresso de que estava lendo. Pronto.
Perfeito. Uma gostosona intelectual. Uma mulher do mundo que lia sobre todas as crises
internacionais  e preferia discutir as ditas crises na cama. Se ao menos ela tivesse uns
culos de leitura anos 1950 para empoleirar na ponta do nariz...
E o melhor de tudo era te ver nua com eles!
Como se respondesse a uma deixa, lorde Marcus abriu a porta do quarto e Blair virou a
cabea devagar, como se mal pudesse suportar ser arrancada do dficit do frango na sia.
Ele usava um palet de vero cor carvo perfeitamente bem-cortado com uma camiseta
James Perse oliva por baixo que deixava os notveis olhos verdes srios e profundos e ah-
to-promissores.
- Mas o que  isso?  perguntou ele, franzindo as sobrancelhas castanho-douradas. 
Lembra que eu disse que tinha uma surpresa?
- Tambm tenho uma surpresa para voc  piou Blair sensualmente.  Venha ver debaixo
do lenol.
- Muito bem  continuou ele meio impaciente.  Bom, vista suas roupas, amor.
- No quero fazer isso  reclamou Blair com um biquinho.
Ele atravessou o quarto s pressas e a beijou rapidamente no nariz.
- Mias tarde - prometeu ele.  Agora v se vestir e me encontre no saguo.  Depois ele se
virou e saiu do quarto, deixando o corpo perfumado, hidratado e depilado de Blair nu e
sozinho.
 melhor que a surpresa seja boa mesmo.
Blair saiu do elevador revestido de madeira usando uma roupa escolhida s pressas: uma
tnica Tory Burch chocolate ( obrigada, Harrod's), o velho jeans True Religion, o seu
preferido, e tamancos dourados Marc by Mar Jacobs. Parecia uma Jet-setter de frias.
Perfeito para um passeio de fim de semana na Tunsia no jatinho particular de lorde
Marcus. Ser que a surpresa era essa?
O grande saguo de mrmore repleto de candelabros do hotel fervilhava de atividade, mas
Blair percebeu um silncio tomando conta da multido enquanto atravessava o piso frio, os
tamancos batendo sem fazer barulho, at a chaise de veludo preto em que Marcus esperava
por ela. Ele estava to lindo que Blair no pde deixar de admir-lo, como se ele fosse uma
pintura ou uma escultura rara, e era difcil resistir a passar os dedos pelas ondas espessas de
seu cabelo castanho-dourado. Blair estava to ocupada numa rapsdia mental sobre seu
lindo namorado ingls que mal percebeu que ele estava de mos dadas com algum que
definitivamente no era ela.
Ding, ding. Al-?
Esquecendo-se do passeio romntico  frica, os olhos de Blair se estreitaram para a loura
cavalar que segurava a mo do namorado dela. Que porra  essa?
- Blair, enfim  lorde Marcus a recebeu delicadamente, levantando-se, mas sem soltar a
mo da companheira.  Esta, minha querida,  minha cara prima Camilla, aquela de quem
lhe falei. Minha lama gmea. Vai passar algumas semanas na cidade. Somos praticamente
gmeos criados juntos! No  uma surpresa maravilhosa?
- Maravilhosa  ecoou Blair, atirando-se em uma poltrona prxima. No se lembrava de ter
ouvido nada sobre uma prima Camilla.
Mas ouvir nunca foi o forte de Blair.
- Estou encantada em conhec-la  disse Camilla, fitando-a de cima abaixo com seu nariz
comprido e proeminente, o tipo de narigo que nem o melhor cirurgio plstico poderia
corrigir. Sua tez inglesa e plida tinha camadas cmicas de p compacto bege e blush
vermelho. As pernas eram desajeitadamente compridas e finas, como se ela tivesse sido
esticada em uma daquelas antigas mquinas de estiramento que Blair tentara encontrar no
eBay.
- Mimi apareceu ontem de manh, sem avisar  explicou lorde Marcus.  Imagine, como
uma pria perdida, as malas na mo  ele riu.
- Sim, bom, felizmente posso contar com meu querido Mar-mar para abrir a casa dele para
mim  disse entusiasmada Camilla, casualmente passando a mo livre pelo comprido
cabelo cor de linho. Cabelo que podia muito bem ser cortado no meio da noite.
Pera  a casa dele?
- Est hospedada na casa dele?  perguntou Blair rudemente, j odiando a Camilla de
dentes tortos e seu feio vestido de vero Indian amarelo, que deve custar milhares de
dlares, mas parece uma toalha de mesa.  Pensei que no havia espao disponvel.
- Sempre h espao para a famlia  respondeu lorde Marcus, apertando a mo em garra de
Camilla antes de se virar para Blair.  No se preocupe, meu amor. Vamos nos divertir
muito juntos.
Ah, mas  claro que vo.

um  o nmero mais solitrio

- Archibald!  gritou o treinador Michaels para o telhado.
- Quero ouvir sua bunda preguiosa pregando aquelas telhas. Agora!
- Sim, senhor!  murmurou Nate Archibald enquanto via o treinador subir em sua minivan
azul e dar a r da pequena entrada de carros, tocando uma animada buzina bip bip bi-bip
enquanto acelerava pela rua suburbana de Hampton Bays. Nate podia imagin-lo tomando
Viagra e batendo uma punheta com a pornografia que devia guardar no porta-luvas.
Babaca, acrescentou Nate em silncio. Com o suor fazendo com que os olhos ardessem,
passou a mo na testa e fez uma careta para o telhado escuro. Idiota, disse ele a si mesmo
pela centsima vez naquela manh. Eram s nove horas, mas o sol brutal o golpeava, as
telhas speras arranhavam seus joelhos e as costas latejavam. Nate se espreguiou e tirou a
camiseta verde-lima Stussy encharcada. Depois largou o martelo e se sentou, embora o
telhado estivesse ta quente que podia sentir a bunda queimar atravs do short.
Ele vasculhou o bolso procurando pelo baseado tailands amorosamente enrolado que teve
a inteligncia de colocar ali na noite anterior. Nate pegou o isqueiro amarelo que mantinha
enfiado na meia e acendeu o baseado, inalando profundamente.
Acordar e apertar. O caf-da-manh dos campees.
O que ele aprontou estava lhe custando caro, isso era certo, mas Nate estava decidido a no
permitir que nem um nico erro sequer estragasse todo seu vero. Seus dias pertenciam ao
treinador Michaels, mas as noites ainda eram dele e tinha a casa dos pais em Georgica Pond
s para si, uma vez que sua famlia preferia o isolamento esplndido da propriedade em Mt.
Desert Island, no Maine.
Nate abriu o celular e correu a lista de contatos at chegar  primeira pessoa que ele sabia
que tinha casa nos Hamptons. No fazia sentido desperdiar uma casa que parecia ter sido
construda para a farra.
Sabendo poupar, no vai faltar.
Oi,  o Charlie, disse uma gravao. Vou passar algumas semanas fora do pas, mas
deixe seu recado que ligo quando voltar. At mais.
Droga. Nate desligou sem deixar recado.
Ele correu um pouco mais a lista e deu o nmero de Jeremy Scott Tompkinson, outro
amigo da escola. Nate meio que se lembrava de ouvir alguma coisa sobre Jeremy passar o
vero em Los Angeles, fazendo um curso de teatro ou uma idiotice perecida.
O nico cara que Nate tinha certeza de que estava nos Hamptons era Anthony Avuldsen,
ento Nate tambm tentou o nmero dele, mas ningum atendeu. Ele ainda devia estar
dormindo: ningum com alguma coisa na cabea ia acordar assim to cedo.
Com uma carranca, Nate deu outro trago no baseado. Podia imaginar a marcha interminvel
de dias quentes e suarentos e as noites solitrias e silenciosas antes que finalmente pudesse
fazer as malas e ir para Yale no outono.
Coitadinho.
De seu poleiro no telhado, Nate podia ver amplo quintal do treinador, o mesmo quintal cuja
grama seria encarregado de aparar e cuidar nas prximas semanas. Ele ficara to
preocupado que nem percebeu a melhor parte da cena: a mulher do treinador, deitada junto
 piscina, tomando banho de sol sob os brilhantes raios da manh, de topless. Pelo menos
os peitos tinham envelhecido bem. Ele vira A primeira noite de um homem e nunca esteve
com uma mulher mais velha. Merdas acontecem. Talvez trabalhar para o treinador a troco
de nada no fosse assim to ruim, afinal de contas.
Ou talvez o sol o estivesse afetando.

v namora o destino

Rebolando s de leve com suas sandlias plataforma Celine pretas peep-toe - t legal,
tecnicamente elas eram da Blair, mas ela sabia que a antiga companheira de apartamento
jamais voltaria a Williamsburg para pegar qualquer coisa que tivesse deixado - Vanessa
espancava os paraleleppedos do Meatpacking District, o bairro moderninho-demais-para-
um-lugar-que-cheira-a-carne-morta, em direo  porta enferrujada e sem placa do enorme
loft que servia de lar e escritrio para Ken Mogul.
Apesar das promessas bbadas da colega de turma Serena van der Woodsen de dar uma
palavrinha com ele a favor dela na festa doida de formatura de Blair algumas semanas
antes, Vanessa Abrams nunca esperou realmente ouvi falar de Ken Mogul de novo.
Naquele mesmo ano, ele tinha se interessado pela carreira dela quando um filme quase
porn que ela rodara de Jenny Humphrey e Nate Archibald namorando no Central Park
veio  tona na internet e Mogul tentou coloca-la debaixo da asa da asa dele. Mas Vanessa
no gostava da idia de estar sob a asa de ningum, e trabalhar em uma importante
produo de Hollywood em Los Angeles no era a praia dela. Ela era mais uma cineasta de
filmes de pombos-mortos-e-camisinhas-usadas do que diretora de megassucessos para
adolescentes, mas Breakfast at Fred's seria rodado praticamente do lado da casa dela, na
Barneys. Era tentador como uma experincia de aprendizado. Ainda assim, alguma coisa a
inquietava.
Ela tocou a campainha que trazia apenas as iniciais do diretor e esperou, ajeitando as
roupas, nervosa. Quase todas as peas que vestia tinham sido fruto do esplio que Blair
deixara para trs. Ela combinou uma camiseta preta sem mangas mayle de gola padre com
os jeans pretos surrados, as sandlias Celine de Blair e a bolsa de carteiro de couro cinza-
ao DKNY em que Blair costumava levar o laptop. O visual era sofisticado e artstico: ela
parecia algum que no ligava para coisas como um visual sofisticado.
At parece que ela nunca ligou para isso.
De repente a porta se abriu e revelou uma garota incrivelmente alta trajando um short
supercurto e um top cor-de-rosa. A pele era morena impecvel, o cabelo era comprido,
preto e perfeitamente liso; e os olhos eram enormes, verdes e cintilavam. Ela sorriu,
exibindo uma boca de dentes absolutamente brancos e perfeitos.
Para te morder melhor ainda...
- Sim?  perguntou a deusa da moda afro-asiatica com um sorriso duro e hostil. Ela parecia
quase um vilo mau daquele game de Xbox, Jade Empire, e Vanessa podia se imaginar
sendo decapitada com um golpe daquele punho comprido e magro que poderia a qualquer
momento se transformar em uma maquina de guerra.
- Humm, er, vim ver o Ken.
- Entre  murmurou Jade Empire, virando-se. A pesada porta de ao bateu enquanto
Vanessa a seguia por uma escada de cimento estreita e entrava em uma sala enorme,
desimpedida e brilhante. Uma floresta de colunas de ao enferrujado sustentava o teto em
arco, e um monte de janelas dava para uma vista incrvel do rio Hudson. o amplo espao
era dividido por uma estante comprida e aberta, lotada de livros de arte e discos de vinil,
fotos em porta-retratos e jarros empoeirados. O ultimo disco do Arcade Fire berrava de
alto-falantes minsculos Bose colocados no alto da estante, e a musica ecoava em todo o
ambiente.
- Ele est por aqui em algum lugar  explicou Jade Empire, claramente desinteressada 
Voc marcou hora, no foi?
- Acho que sim.
- Bom, espere um pouco. Ele vai aparecer mais cedo ou mais tarde. Boa sorte com o que
quer que seja  a garota deu de ombros, tirou os chinelos chineses amarelos e se arrastou
pelas profundezas do loft, desaparecendo atrs da estante.
Vanessa se virou para a parede atrs dela, coberta do cho ao teto com fotos emolduradas
de todos os tamanhos. Ela reconheceu algumas  eram assinadas pelo prprio Ken Mogul.
Antes de conhece-lo, Vanessa venerava o cineasta e sabia tudo o que ele fizera. O lugar
favorito dele era capri, na Itlia e, antes de fazer cinema, Mogul fora um fotografo famoso.
Misturados com suas fotos de arte de modelos seminuas refesteladas em plataformas de
metr repletas de lixo, havia instantneos de Ken espremidos em camarotes de boates ao
lado de caras famosas como Madonna, Angelina Jolie e Brad Pitt, e David Bowie.
- Est gostando do que v?  uma voz veio de trs de onde ela estava..
Vanessa se virou e viu a cara tensa e eriada do prprio Ken Mogul. Ele tinha o habito
enervante de parecer no piscar, e fixava seus olhos azuis injetados e esbugalhados nela
com um sorriso maluco. Vestia um colete de flanela xadrez e uma cala Levi's velha
rasgada nos joelhos.
- A proposta  a seguinte  ele continuou sem esperar pela resposta dela. Ele girou e
Vanessa no teve alternativa a no ser segui-lo, passando pela estante enorme e entrando
em um escritrio gigantesco com uma vidraa do tamanho da porta de uma garagem 
Venha. Sente-se  Mogul serviu a Vanessa um copo alto do que parecia ch de hortel
gelado de um jarro de vidro verde e apontou uma cadeira de couro vermelho Eames do
outro lado de uma moderna mesa 1950. Serviu um copo para si mesmo e afundou em uma
cadeira de escritrio, girando-a aleatoriamente antes de se recostar e pousar os ps na mesa.
  trabalho comercial,  verdade, mas c entre ns, Breakfast at fred's vai arrebentar pra
valer. No diga aos produtores, mas este no  um filme para adolescentes mediano. Estou
pensando em Godard. Alguma coisa humana, com humor e bem dark.
- Arr  murmurou Vanessa, bebericando o ch. No apenas estava distrada pelas obras no
escritrio do diretor  em cima da mesa, pendurava-se uma foto gigantesca do prximo
cineasta, espadanando nas ondas com a nojenta piranhuda da Jade Empire - como Vanessa
odiava esse tipo de conversa pretensiosa sobre arte.
 melhor se acostumar com isso, Srta. Faculdade de Cinema NYU.
- E a, o que voc acha?  perguntou Ken, acintosamente aturando meleca do nariz e
jogando sua descoberta no cho com um piparote.  Sei que  um grande estdio, sei que
oramento  gigantesco, sei que  uma comedia romntica. mas tudo isso  motivo para eu
precisar de voc. preciso de sua viso para me ajudar a produzir algo que v fazer com que
o publico de cinema fique sentado e preste ateno.
Como se ele j no tivesse feito isso.
Vanessa olhou pela janela para o trilho elevado do trem que foi abandonado h dcadas e
agora exibia arvores e mato, e um prdio grande em construo na quadra ao lado. Era tudo
o que ela abominava: uma comdia romntica para adolescentes, de um grande estdio.
Mas Ken Mogul precisava dela; quantas calouras de NYU podiam dizer a mesma coisa?
Alm disso, parecia que seria tremendamente divertido e ela no tinha porra nenhuma para
fazer no vero todo. Foi por isso que ela veio aqui hoje, antes de mais nada: por tdio puro.
Ela deu as costas para Ken.
- Tenho que pensar no assunto.
Ken tirou os ps da mesa e mexeu em seus papeis, por fim desenterrando um mao
amassado de cigarros. Colocou um cigarro na boca, mas no acendeu.
- A protagonista devia ser a minha mulher  continuou Ken - , mas, como voc j sabe,
decidi ir por outro caminho.
- Mulher?  Vanessa mal conseguia acreditar que algum sonharia em se casar com uma
aberrao neurtica, presunosa e de olhos esbugalhados como Ken Mogul.
- A Heather. Acho que ela a recebeu aqui.
A Miss Simpatia era a Sra Mogul?
- Ah, sim  Vanessa no resistiu a dar outra espiada na foto de nu atrs da mesa. Parecia
cena de um filme porn pirata.
Pirados do Caribe
- Bom, agora ela no est falando comigo porque decidi escolher a Serena. Serena vai ser
grande. E voc tambm.
- Fico honrada  respondeu Vanessa  De verdade. Mas voc ter que me deixar pensar,
est bem?
 melhor pensar rpido, querida. Hollywood no espera por ningum.

S se muda

-Vou para a rua 71 Leste, 169 - disse Serena van de Woodsen ao taxista enquanto subia ao
banco traseiro de vinil preto do txi. Ela abriu a janela e deixou que o ar quente da manh
soprasse no seu rosto. Aaah, o vero. Em toda a sua vida, vero significava festas na casa
de vero de sua familia em Ridgefield, Connecticut, ou tardes longas e ensolaradas no
parque, lendo W antigas e chupando picols com Blair. Agora, pela primeira vez na vida,
Serena tinha um emprego. Ela virou um envelope grosso de papel pardo nas mos e tirou a
carta que j lera vrias vezes.
Holly: Voc deve sofrer por sua arte. Deve SER sua personagem. Faa as malas, a chave
nesse envelope so de sua nova vida - a vida original de Holly. A gente se v. Kenneth.
Era uma carta estranha, sem dvida nenhuma, mas o que mais podia esperar de em
excntrico mundialmente famoso como Kenneth Mogul? Ele era o diretor dela, ento
Serena deduziu que era melhor fazer o que ele mandava.
A garota deu um tapinha nas duas velhas bolsas de viagem Kate Spape listradas de
vermelho e monogramadas ao lado dela. Ainda tinham o cheiro delicioso de mar e
bronzeador e continham um estoque de calcinhas Cosabella, uma camiseta antiga da
Brown, de Erik, que ela roubou da tima vez que o irmo esteve em casa, um vestido leve
de vero Milly, os chinelos de dedo Michael Kors mais confortveis que tinha, um vestido
de jersey xadrez preto e rosa Cynthia Vincent, os confiveis jeans Seven, um segundo par
de chinelos de dedo, s para garantir, e um tpo branco bordado Viktor e Rolf. S o bsico.
Ela olhou pela escadaria do Metropolitan Museum of Art, as arvores luxuriantes do Central
Park, os grandes edifcios na rua 72, a vista panormica da Park Avenue e depois as torres
modernas, desconhecidas e feias da Terceira Avenida. Eca.
-Chegamos, senhorita- anunciou o taxista, sorrindo para ela pelo retrovisor com uma boca
cheia de dentes capeados em ouro. Um dente, at trazia a inicial Z gravada. Talvez de
Zorro, ou de Zeus?, perguntou-se Serena.
-Ah- ela sacou a carteira vinho Bottega Veneta e folheou as cdulas. Depois saiu do txi,
equilibrando as bolsas abarrotadas e olhou as casas cor de betume, procurando pelo numero
certo.
Havia o numero 171 e havia o numero 167, mas havia alguns prdios sem numerao entre
os dois e ela no conseguia saber qual era o dela. Serena acomodou as malas na escada
mais prxima e se sentou. A julgar por alguns prdios baixos, que mais pareciam caixotes,
o lugar para onde se mudara no era exatamente parecido com o que estava acostumada.
Ela pegou um cigarro e acendeu, dando um passo para o lado enquanto um jato de fumaa
cinzenta de cheiro estranho saa de uma grande sarjeta.
Acorda, Dorothy Voc no esta mais no Golden Mile.
Era engraado como tudo podia mudar com tanta rapidez  ela estava deixando se ser
Serena van de Woodsen, veterana da Constance Billard e s vezes modelo, para ser Serena,
a atriz com emprego. No parecia ter passado tanto tempo assim desde que suas maiores
preocupaes eram se lembrar onde seria a liquidao de Catherine Malandrino este ms,
ou brigar com Blair na sala Vip da Marquee, ou namorar Nate sempre que ele quisesse- o
que, por algum tempo, significa em algum lugar e o tempo todo.
 uma vida dura mesmo.
-Perdida?
Serena olho para cima... e para cima, e mais para cima. Pairando acima dela havia um cara
incrivelmente alto de ombros largos, cabelo castanho-escuro com um corte formal, uma
covinha no queixo largo e lindos olhos azuis. Vestia um terno cinza e gravata azul-marinho,
mas o sorriso era to charmoso que ela ficou disposta a deixar para l o visual de nerd de
escritrio.
Mas ser que ela estaria disposta a deixar para l o samba-cano xadrez de nerd que ele
devia estar usando por baixo?
-Estou procurando por este endereo - suspirou Serena, passando ao estranho as chaves
com nmero 169 pintado em vermelho.
Algumas garotas sabem mesm como bancar a "donzela em apuros".
- Bom  ele sorriu -, acho que sei exatamente onde fica esse prdio. Porque eu na verdade
meio que moro l  ele estendeu a mo para ajudar Serena a se levantar.- Oi meu nome 
Jason Bridges.
- Serena van der Woodsen  respondeu ela, alisando a saia Lilly Pulitzer verde, dando o
sorriso tmido de garota ingnua de olhos arregalados que fez a fama de Audrey Hepburn.
No surpreende que ela tenha conseguido o papel.
Exatamente como Holly Golightly, Serena era uma mestra do ela-no-pode-ser-to-lind-a-
e-ter-essa-seduo-inocente que fazia os homens voarem par cima dela.
- Bom, Serena. Jason se curvou para pegar as duas bolsas abarrotada.  Vamos para casa.
Ele abriu a porta do nmero 169, o prdio branco com ornamentos pretos e hera crescendo
na lateral. Ele manteve a pesada porta preta para que Serena pudesse entrar primeiro.
Um verdadeiro cavalheiro!
- E ai  comeou ele enquanto a porta se fechava s suas costas.  Veio visitar a Therese?
- No  Serena franziu a testa enquanto inspecionava a escada de madeira rangente do
vestbulo, iluminada somente por um lustre bonito e escuro de ferro batido. Todo o lugar
lembrava uma senhora morta, como se estivesse entocado desde que a dona morreu, trinta
anos atrs. E, no entanto, ainda tinha charme e era um tanto grandioso,  sua prpria
maneira.  Estou me mudando para c, eu acho.
- Voc acha?  Jason riu enquanto comeava a subir os degraus de madeira, que gemiam e
guinchavam alto.  O que isso quer dizer exatamente?
- Bom  comeou Serena -, estou fazendo um file e, hoje de manh, recebi um bilhete do
meu diretor me dizendo para fazer as malas e vir pra c, e agora estou aqui. Acho que 
para me ajudar a entrar no personagem ou coisa do tipo.
- Estrela de cinema, hein?  perguntou Jason.
- Mais ou menos isso  respondeu Serena, meio constrangida.
- Puxa  ele se virou para abrir-lhe um sorriso lento e tmido.  Este  um bom prdio, mas
acho que a maioria das estrelas de cinema ia querer ficar em um lugar um pouco mais
glamouroso, como o Waldorf ou coisa parecida.
-Vamos fazer uma refilmagem de Bonequinha de Luxo- explicou ela, escolhendo as
palavras exatas que Ken Mogul usara para descrever sua estria de grande oramento,
Breakfast at Fred's.  Era aqui que Holly Golightly morava no filme riginal, mas acho que
voc j deve saber disso.  para que eu me sinta como Holly.  meu primeiro filme.
-Ah, ?  perguntou Jason ao chegarem ao patamar, onde faltavam alguns ladrilhos no piso
de mosaico preto e branco.  sobre o qu?
- sobre uma garota urbana maluca... meu papel... que conhece um cara inocente no interior
que est tentando ser ator  ela convenientemente deixou de fora que era o ator super gato
Thaddeus Smith.  E a, uma garota agitada do Upper East Side o atrai com o dinheiro
dela... e coisas como almoos no Fred's, o restaurante da Barneys, entendeu?  Serena
esperava que o que dizia fizesse algum sentido. Tinha uma tendncia a se confundir e
perder o fio da meada.
Como se qualquer homem com quem ela falasse ligasse para isso.
Eles subiram outro lance de escada e Serena continuou, comeando a se sentir um pouco
avoada ao falar.
-A outra garota acaba com a inocncia dele, que , tipoassim, a nica qualidade que faria
dele um ator de sucesso...e o transforma em uma nova-iorquino entediado. E a meu
personagem aparece para salv-lo.
- Ento isso que dizer que vamos ser vizinhos o vero todo?  perguntou Jason, parecendo
adoravelmente esperanoso.
- Na verdade, s por algumas semanas- admitiu ela. Brekfast at Fred's era um filme de
grande oramento, mas Ken s tinha 12 dias agendados para a filmagem.
Eles chegaram a um patamar e andaram por um corredor estreito. Depois ele se virou e a
levou por outro lance de escada.
-At onde vamos?- perguntou-se Serena em voz alta. Ela estava meio sem flego.
 melhor largar esses cigarros franceses fortes.
Eles chegaram a outro patamar, andaram por outro corredor e comearam a subir outro
lance de escada. Seria possvel que ele s a estivesse levando a um covil escuro e oculto
onde estuprava mulheres? Ela devia ficar com medo? Tateou o bolso da saia, procurando
pelo celular, s para garantir.
-Tambm estou no meu primeiro emprego- explicou ele. Sou assistente de vero na
Lowell, Bonderoff, Foster and Wallace. O escritrio de advocacia sabe? Fiquei por l at as
quatro da madrugada esta noite, e  por isso que estou indo trabalhar s agora. Mas em
geral no preciso ficar no escritrio at to tarde.
Enfim eles chegaram ao ultimo andar, onde o teto era baixo e o corredor, escuro. Serena
podia ver as bochechas coradas de Jason. Ela no tinha certeza se todo aquele tom
avermelhado era por causa de toda aquela escada ou por causa dela.
-Chegamos- anunciou ele.
Serena destrancou a porta e a abriu. Jason a seguiu para dentro e colocou as malas dela no
cho com um baque que ecoou nas paredes do apartamento vazio. Duas lmpadas nuas de
projetavam no teto cor de mijo, que tinha tantas manchas de gua que quase se igualava ao
padro laranja-e-amarelo desbotado com que fora pintado.
- legal- observou ele corajosamente.
 mesmo?
Serena andou pela sala do apartamento, quase perdendo o equilbrio no piso de madeira
rachado e torto. Trs janelas davam para a rua, com telas pudas e uma vista para o slido
asilo de tijolos aparentes do outro lado da rua. Do lado de fora da minscula janela da
cozinha, Serena reconheceu a sada de incndio de Bonequinha de Luxo, onde Holly tocara
o bandolim e canta Moon River. Blair ia as lagrimas sempre que via esta cena. Serena abriu
a janela. O apartamento tinha um cheiro velho e caustrofobico que dava nsias de vmito,
como de ps suados e sardinha.
-mas cad a moblia?- pergunotu ela, a voz perigosamente perto de um gemido.
E quem  esse? Acrescentou Jason ao ver um gato preto que vagava pela sala, vindo do
quarto nos fundos do apartamento.
Bom, isso explica o cheiro.
Serena pegou o mao de Gauloises e meteu a cabea para fora da famosa janela da cozinha,
esperando se sentir inspirada, mas s se sentiu nervosa e meio perdida. Por que  que ela
estava aqui mesmo?
Porque estava prestes a estrelar um filme grande- al!
-Ele  bonitinho- na cozinha, Jason se abaixou para afagar atrs das orelhas do bichano.
Serena se virou, acendendo o cigarro enquanto via o vizinho de cabelos escuros e olhos
azuis brincando com o gato, que aparentemente tambm morava no prdio.
Viu s? Nem toda vista  to ruim.
d aprende a arte do atendimento ao cliente

-Com licena, senhor, pode me dizer onde posso encontrar livros de romance?
Daniel Humphrey estava agachado no cho, certificando-se de que as biografias estivessem
ordenadas por assunto, e no por autor. Quando se trabalha na Strand, a melhor - e maior
livraria de NY, era importante dar ateno a detalhes como a arrumao correta das
biografias.
Essas coisas que ele acha esxitantes.
-Pode ser que tenhamos alguns na estante perto da escada, mas no temos uma seo de
livros de romance- explicou Dan, incapaz de econder seu desagrado.
-Obrigada- respondeu a mulher alegremente enquanto se afastava para procurar pelos livros
empoeirados de Johanna Lindsey e qualquer coisa de Nora Roberts que ainda restasse nas
prateleiras.
A Strand era lendria no s por seu catlogo incrvel, mas tambm por seus funcionrios
muito instrudos e altamente mal-humorados, e Dan ficou emocionado por ter conseguido o
emprego. Vira o cartaz procurando por um ajudante depois de deixar a irm, Jenny, no
aeroporto Kennedy para sua viagem repentina para visitar a me em Praga e fazer um curso
de arte, e ele estava se sentindo meio para baixo com relao ao que faria do prprio vero.
Quando viu o cartaz na vitrine da loja, parecia um sinal divino.
Agora aqui estava ele, arrumando livros nas estantes da melhor loja da cidade. Mas,
comparada com outras livrarias, a Strand tinha clima zero. No havia msica, nem caf. S
filas e mais filas de estantes desiguais abarrotadas de livros.
Empurrando um carrinho rangente lotado de livros empoeirados, Dan seguia pelo corredor
estreito da seo de biografias. Seu trabalho envolvia passar muito tempo sozinho e ignorar
os clientes, o que lhe dava muito tempo para pensar em literatura, em sua poesia, como
seria o Evergreen College em Washington e principalmente como seria seu ltimo vero
em NY- e o ltimo vero com Vanessa. Ele provocou um escndalo e tanto na formatura
quando declarou que no ia se matricular em nenhuma universidade para poder ficar ao
lado dele, mas, no final das contas, estava ansioso para ir para o Oeste no Buick Skylark
azul-metlico 77 que o pai lhe dera de presente de formatura. Era o carro perfeito para uma
viagem; ele seria como Jack Kerouac em On the Road - P na Estrada, rasgando as
rodovias e fazendo amor ao cu aberto com as palavras que rastejavam sua mente sempre
que ele dirigia. Ia deixar poemas para todas as mulheres que conheceria -o amante
misterioso que elas nunca tiveram. At l, ia ter o ltimo vero perfeito na cidade com
Vanessa, seu primeiro amor.
Dan pegou no alto do carrinho um exemplar de Life of Johson, de Boswell, e se agachou no
piso de madeira empoeirado da loja tentando encontrar o local a que pertencia. Sua mente
comeou a vagar enquanto lhe vinham as palavras:
Mos quentes giram o volante
Voc  meu cmbio, meus pedias
Agite a poeira. Desejo. Que ele dure.
 claro que era meio brega, mas, meu Deus, era assim que ele se sentia nesse exato
momento. Comeou a fazer uma lista mental de encontros romnticos clssicos em NY: ver
Shakespeare no Central Park, passear na balsa para Staten Island s por prazer, ver o sol
nascer na ponte 59 exatamente como Woody Allen e Diane Keaton em Manhattan. Talvez
uma ida a Jones Beach, em Skylark, o vento salgado soprando pelas janevlas abertas, o
cabelo de Vanessa voando atrs deles... t legal, bom, o no-cabelo dela - ela basicamente
no tinha cabelo nenhum -mas talvez pudesse usar uma echarpe de seda comprida.
Ele podia ver agora. Seria o vero mais romntico do mundo.
Ser qualquer coisa, isso  certo.
-Com licena, vocs tm a edio condensada de Ulisses? sussurrou uma voz aguda de
homem, mal podendo ser ouvida, interrompendo os devaneios de Dan.
Edio condensada de James Joyce? Que horror!
Dan fez uma careta para o cara gtico que parecia um nerd e pedira sua ajuda. Ele segurava
uma lancheira do Batman, e Dan percebeu que no era nem to nerd nem to gtico quanto
intil.
-Por que no tenta ler o livro de verdade? respondeu ele com desdm.
O intil, que provavelmente era mais velho do que Dan um aluno da NYU, talvez, ou um
babaca pobre matriculado em uma escola de vero para finalmente poder se formar aos 23
anos deu de ombros.
- chato.
Dan queria dar um murro na barriga dele, mas, de repente, percebeu que era o seu trabalho
no, seu dever fazer com que o babaca lesse. Ele se levantou.
- Siga-me.
Elelevou o gtico desmiolado a uma salinha dos fundos cheia de clssicos encadernados em
couro e encontrou um exemplar da Everyman's Library da obra-prima de Joyce. Dan
comeou a ler em voz alta uma pgina escolhida por acaso:
-Toque-me. Olhos suaves. Mo macia macia macia. Estou solitrio aqui. Ah, toque-me
logo, j. O que  essa palavra que todos os homens conhecem? Estou em silncio aqui
sozinho. Triste tambm. Toque, toque-me. -Dan parou e ergueu os olhos. - Ah qual , voc
sabe que quer - insistiu ele.
O garoto parecia apavorado, provavelmente suspeitando de que Da era um espcie de
pervertido literrio que andava pela Strand. Ele largou a lancheira do Batman e fugiu.
Dan se sentou no cho para terminar a pgina. Tinha que admitir que James Joyce sempre o
deixava ligado.
Sim, ser um vero deveras interessante.

um capacete  quase to importante quanto uma camisinha

Nate se levantou nos pedais da Schwinn, empurrando-os para cima e para baixo com os
ps, e depois se acomodou de novo no selim de couro desconfortvel. Ele gostava de andar
de bicicleta desse jeito pedalar o mximo que podia e depois se sentar para sentir a brisa
quente de vero na cara.  direita, as ondas quebravam na praia.  esquerda havia um
vinhedo cheio de uvas Chardonnay. O ar cheirava a sal e carne grelhada. Ele ouviu o
esmagar agradvel do cascalho da estrada sob as rodas e sorriu preguiosamente.
O baseado da manh tinha feito o truque e, no final do dia, ele estava meio que curtindo o
que devia ser seu castigo de vero. Havia alguma coisa de tranqilizadora no trabalho
braal. Desde a oitava srie, ele passava o vero ajudando o pai a construir seu veleiro, o
Charlotte, na propriedade da famlia em Mt. Desert Island, no Maine, e as tardes
trabalhando na casa do treinador Michaels meio que o lembravam daqueles veres, embora
o cenrio filas de casas e praias superpovoadas  no fosse l to sereno. Ainda assim, no
havia nada como o trabalho pesado, o sol e a recompensa de uma Stella Artois gelada
quando o dia acabava; e nenhuma distrao.
No havia aulas com que se preocupar; finalmente terminara a escola e Yale parecia mais
distante. Blair, a garota que Nate tinha certeza de ser o amor da vida dele mas com quem
aparentemente nunca conseguia ficar, estava na Inglaterra com o namorado novo e
aristocrata, provavelmente fazendo compras, comendo bolinhos e bebendo um monte de
ch. Serena estava na cidade tornando-se uma estrela de cinema e Jenny, a caloura
incrivelmente bem dotada com quem de certo modo se envolvera no inverno passado,tinha
embarcado para a Europa. Ele estava melhor longe daquelas trs.
Ele sorriu, percebendo que o vero seria todo assim: dias de trabalho pesado; idas de
bicicleta pra casa; depois um banho, um baseado e talvez algum tempo sozinha, era tudo
que precisava. A casa do treinador ficava em Hampton Bays, vrios quilmetros distante de
sua casa em East Hampton, mas era como se fosse um mundo diferente, com suas casas de
subrbio, minivans e shoppings. Era o tipo de lugar que o ajudaria a refocalizar neste vero;
este era seu plano.Ele no estava de olho em nenhuma menina em particular e, de qualquer
forma, elas s tendiam a criar problemas para ele. Talvez ele ficasse melhor sozinho
mesmo.
At parece que algum dia ele ficou sozinho por mais de trinta segundos.
Nate teve que descer e empurrar a bicicleta por uma ladeira particularmente ngreme,
ofegando com o esforo.  nisso que d apertar trs baseados por dia.
Sem flego e suando, ele subiu na bicicleta de novo no topo da colina e desceu solto,
deixando que a gravidade fizesse o trabalho. Olhou para baixo e beliscou o antebrao para
ver se a pele rosada ficava branca quando a tocava. Era uma coisa que Blair costumava
fazer com ele quando iam  praia juntos. Depois de declar-lo queimado, ela o lambuzava
delicadamente com o extravagante protetor solar que sempre sacava da bolsa. Ele beliscou
o antebrao novamente. Definitivamente um pouco assado.
 nisso que da esquecer o Coppertone!
Depois olhou para cima e percebeu que estava disparando para o acostamento da estrada.
Ele empurrou o guidon, virando para a estrada, mas estava to rpido que derrapou. Feio.
Houve um aplauso educado, como em uma partida de golf. Nate olhou e percebeu que tinha
se estabacado no estacionamento na frente do Oyester Shack, um restaurante de frutos do
mar de ripas cinzentas a meio caminho entre a casa do treinador e a propriedade da famlia
Archibald perto de Georgica Pond, em East Hampton. Um grupo de garotos, que pela idade
deveriam estar no ensino mdio estava sentado a uma mesa de piquenique tomada de
garrafas suadas de cerveja e cestos de frituras, e todos o encaravam.
-Merda - murmurou Nate. Pequenos seixos estavam incrustados nas palmas das mos e ele
rasgou a camiseta verde-lima Stussy com que trabalhara o dia todo. Espanou a terra das
mos e olhou as calas cqui cortadas  nenhum dano ali.
Deixa estar que Nate Archibald fica ainda melhor coberto de suor, sangue e sujeira.
Ele agachou para examinar a roda dianteira da bicicleta. Estava torta.
- Tombo feio.
Nate olhou. A voz pertencia a uma loura curvilnea de olhos azuis que usava o cabelo
cacheado preso num rabo-de-cavalo apertado e envolto numa bandana vermelha. O top rosa
tinha um decote perigosamente baixo e a minissaia de brim era promissoramente curta.
Uma mancha de batom se destacava na Coca que ela segurava na sua mo esquerda. Ela
estendeu a mo direita para Nate, as unhas longas e perfeitamente pintadas do mesmo tom
de vermelho da lata.
- Ignore os meus amigos  disse-lhe ela, como quem se desculpa.
A pele da garota era do mesmo bege dourado de qualquer outra que usava o mesmo tom de
autobronzeador Clinique, mas por baixo do bege havia uma tintura de sardas que cobriam o
nariz, as bochechas, os ombros, os braos, e o peito. Nate soube, pela Blair, que em geral as
meninas eram mais complicadas do que pareciam  primeira vista, e estas sardas
proeminentes da garota pareciam sugerir que ela era mais do que uma tpica gata de Long
Island.
Nate sorriu ao apertar a mo dela e deixou que ela o ajudasse a se levantar.
- Tudo bem, sem problema  respondeu ele timidamente.
- Vai precisar dar uma olhada nisso  aconselhou a Sardenta, indicando a bicicleta com um
movimento de cabea.
-   murmurou Nate. No estava preocupado com a bicicleta. A nica coisa que parecia
digna de olhar estava bem na frente dele.
- Meu nome  Tawny. Sei de um lugar onde voc pode concertar a bicicleta. Mas talvez eu
v comprar um sorvete primeiro.
Tawny? Isso no significa castanho-claro? E no  exatamente essa a cor do
autobronzeador?
- Claro  ele tinha fumado o baseado da manh antes de sair da casa do treinador e este
poderia te sido o motivo do acidente, e um sorvete parecia mesmo muito apetitoso.  Meu
nome  Nate.
- E qual  sua historia Nate? Nunca vi voc por aqui  perguntou Tawny enquanto saltitava
pela rua at uma casinha de um azul desbotado to pequena que parecia ter sado de um
desenho animado. Alguns garotos estavam empoleirados no degrau, lambendo sorvete de
morango de casquinha.
- Dois de baunilha  ronronou Tawny ao menino gorducho atrs do balco. Tawny tinha
uma leve sugesto de aroma, mas Nate no conseguia definir o que era.
- No tem historia  Nate chutou preguiosamente a lateral da casa de desenho animado
com a ponta dos Stan Smith surrados. Ele queria passar as mos pelos braos sardentos
quentes dessa garota.
Tawny se ajoelhou, sorriu, e colocou uma nota de cinco dlares no balco, estendendo o
brao pela janela para pegar duas casquinhas pontudas com duas bolas de sorvete cremoso
branco. Passou uma a Nate.
- Obrigado  o sorvete comeou a derreter de imediato no sol de final de tarde, escorrendo
pela mo de Nate. Ele o lambeu delicadamente.
Tawny tocou o joelho arranhado dele com delicadeza. Havia alguma coisa no modo como
ela fez isso  uma possessividade? Uma certeza? Um je ne sais quoi particular  que fazia
com que ele se lembrasse de Blair. Mas esta menina no era nada parecida com Blair: a
Blair nunca usaria um top cor-de-rosa, nem deixaria um sorvete de casquinha derreter em
sua mo, nem... pagaria a comida do primeiro encontro.
Encontro? Mais que coisa rpida
- Voc est bem?  perguntou Tawny colocando-se de p. Ela lambeu os lbios cor-de-rosa.
Ser que os peitos dela tambm eram sardentos? As mos dele coavam s de pensar nisso.
- Estou feliz de verdade por ter conhecido voc  disse Nate, meio abobalhado. Ele limpou
o queixo com um guardanapo.  A gente devia sair nesse vero.
Um recorde mundial: Nate Archibald conseguiu ficar longe das mulheres por trs minutos
inteiros.

o amor no mora mais aqui
Vanessa bateu a porta do txi enferrujado e olhou a fachada de tijolinhos desgastados de
seu prdio em Williamsburg, ainda remoendo a oferta de Ken. Ela queria ter algum com
quem se aconselhar, mas sabia que no podia ligara para os pais em Vermont. Eles s
dariam um sermo sobre arte, comrcio e "responsabilidade criativa". Ela queria a irm,
Ruby, estivesse aqui - era a nica em quem Vanessa realmente confiava para conversar
sobre essas coisas.
Uma station wagon branca Ford, com pra-brisa quebrado, estava estacionada na frente do
prdio a semanas. Falatava uma das portas traseiras e os bancos estavam cheios de sacolas
de lixo e cobertores velhos. Algum deve estar morando ali. O que explicaria o fedor de
urina que cercava o carro.
Que legal.
Vanessa abriu as complicadas trancas e fechaduras do prdio e subiu a escada, hesitando a
meio caminho. Havia vozes vindo de dentro do apartameto dela. Ser que ela deixou a TV
ligada? Foi at a porta na ponta dos ps e escutou, prendendo a respirao. Sim,
definitivamente eram vozes, definitivamente vinham l de dentro e havia alguma coisa
muito familiar em uma delas.
A irm mais velha de Vanessa tinha sado numa turn repentina com a banda pela Europa, a
SegarDaddy, por oito semanas. De vez em quando aparecia uma postal de Madri ou Olso
na caixa de correio e elas se falaram no telefone uma vez, no estilo de vida roqueira na
estrada no motivava tanto manter contato.
Vanessa abriu a porta toda animada.
- Ruby!  gritou Vanessa, vendo a irm numa cala de couro rosa e o cabelo no novo tom,
tambm rosa. Parecia quase iridescente.  No acredito que voc voltou_
- Oi  cumprimentou-a Ruby casualmente do sof. Estava largada sobre um cara magrelo
que estava com a barba por fazer que usava uma cala de couro preto igual a rosa de Ruby.
Ela tocou a ponta do cigarro, dando a ele a dica de que devia acend-lo. Ela no se levantou
para abraar a irm, e seu tom de voz era completamente indiferente, como se Vanessa
tivesse ido ao mercado ou coisa assim.
- Humm, oi?  Vanessa ficou meio confusa. Ela fechou a porta do apartamento ao entrar.
- O que  que ta rolando, mana?  perguntou Ruby, dando baforadas em seu Marlboro
enquanto olhava a decorao blairificada do apartamento.  Estou vendo que andou dando
uma redecorada por aqui.
Vanessa no queria fica de papinho sobre as reformas de Blair. Ruby estava de volta
exatamente quando ela mais precisava da irm!
- Acorda, voc voltou!  isso que ta rolando. Como foi a turn?
A irm mais velha deu de ombros.
- Berlim, Londres, Paris, Budapeste. A gente arrasou. Foi incrvel.
- Por todo o percurso, a conquista das estrelas de rock. Meu nome  Vanessa  ela andou
at onde estava o cara em que Ruby estava sentada. Ele no olhou para ela nenhuma vez.
- Este  Piotr  explicou Ruby, balanando a bunda eu couro rosa ao falar o nome dele,
como se isso deixasse qualquer uma ligada.  A gente se conheceu depois do nosso show
em Praga.
-  a  respondeu Piotr com um sotaque forte, exalando uma nuvem de fumaa ao falar.
Mas que encanto.
- O apartamento ficou legal  Ruby parecia ctica. Ela olhou a sala.  Mas como pagou
tudo isso? Os moveis, as cortinas?
-  uma longa histria  respondeu Vanessa, encostando na parede pintada de lavanda e
tenta olhar para outro lugar, menos o sof de camura castanho-claro onde o estranho
descabelado do leste europeu estava estatelado debaixo da irm.
- Como a historia de onde conseguiu esses sapatos?  perguntou Ruby, atirando a cabea
rosa para trs. Era da mesma cor do chapu Willy Wonka.  E esse top? Meu Deus, olho s
voc. Est um verdadeiro clich da moda.
- Tive uma reunio.- Vanessa ficou magoada. Por que Ruby estava sendo to cretina? Se ao
menos aquele imbecil entre as pernas dela sasse para elas poderem conversar.
- Vamos bater um papinho?  Ruby desceu do colo de Piotr. Ela indicou a cozinha com um
movimento de cabea.
Vanessa a segui, perguntando-se quanto tempo Ruby ia ficar em casa. Elas se encostaram
na barraca de frmica.
- Vocs dois parecem muito... srios  observou Vanessa.
-  amor - murmurou Ruby pensativa, parecendo surpreendentemente nada roqueira. Ela
deu uma meia pirueta e depois parou, pseudoconstrangida, e se encostou na bancada de
novo.
- Que legal  respondeu Vanessa, irritada. Afinal, no parecia que as duas iam fazer nada
que lhes ligasse como irms. Ela mexeu no galheteiro da estatua da Liberdade quem Dan
lhe dera em um ataque de breguice romntica.
- Bom, o apartamento est timo, mesmo que no seja o que eu esperava encontrar ao
voltar para casa  comentou Ruby.  Mas detesto pensar que voc teve esse trabalho todo
quando...
- Quando o qu?  perguntou Vanessa, desconfiada.
- Eu no queria dar ms noticias, mas... Piotr vai ficar um tempo aqui. Algumas galerias
esto interessadas nele... Ele  pintor, eu te contei? Faz nus monolticos com os caninos. 
grande na cena underground de Praga e espera estourar em Williamsburg.
Vanessa no tinha l muita certeza do que significava nus monolticos com caninos, mas
podia imaginar Ruby pegando emprestado o pit bull de algum e posando para ele com a
bunda de fora, os dentes a mostra.
- Que bom para ele.
- Bom, eu meio que pensei que ele vai ficar aqui comigo  murmurou Ruby.
- Vai ficar meio apertado  murmurou Vanessa em resposta.  Mas isso  legal. Vamos dar
um jeito.
- O caso  o seguinte  corrigiu-a Ruby.- Piotr vai precisar de um ateli. E como ele no
pode alugar um, pensamos... em converter o outro quarto, o seu quarto no ateli dele.
-Co-mo--que-?
- Pera, como , voc est me expulsando?  Vanessa parou de mexer no galheteiro e se
virou para olhar a irm. Ela morava com Ruby desde que tinha 15 anos. Aquela tambm era
a casa dela.
-Bom, esta sempre foi uma soluo temporria. Sabe como , tipo assim, enquanto voc
estivesse na escola. Mas agora que voc se formou, est na hora de cuidar de si mesma,
como eu fiz quando tinha 18 anos.
- Legal  rebateu Vanessa.  Mas que timo. Entendi, eu sou adulta e agora tenho que me
virar sozinha. Saquei.
-No fique assim  pediu Ruby, cheia de culpa.  Vamos nos sentar e conversar mais um
pouco.
-No, tudo bem,  srio. S vou pagar as minhas coisas e deixar o Pita Bread ou seja l qual
 o nome dele em paz.- Tremendo um pouco, Vanessa saiu da cozinha num rompante e foi
para a sala, onde o cara de Pizza estava sentado fumando um cigarro Tcheco fedendo a
podre. Vanessa pegou a foto de pingim morto em cima da cabea dele e a enfiou em baixo
do brao. Era sua preferida ela no ia deixar ali para ele copiar em uma das telas dele. Ela
podia ver tudo; ele ia ficar conhecido com o artista do pingim morto, quando o tempo
todo o pingim morto dela e a porra do apartamento dela.
Alguns minutos depois, Vanessa descia a escada, carregando o equipamento de filmagem e
uma gigantesca bolsa preta de viagem. Ela irrompeu o sol da tarde e caminhou pela
Bedford Avenue, desviando-se de transeuntes indiferentes com roupas moderninhas e com
pilhas de coc de cachorro e se perguntando para onde exatamente ela iria.
Vanessa largou suas coisas no cho esse sentou, usando a bolsa abarrotada como banco.
Pegando o celular no bolso, apertou a discagem rpida. Houve dois toques e depois o som
familiar da voz de Dan.
- E a?
- Minha irm me expulsou- a voz dela falhava. Vanessa tentou desesperadamente no
chorar.  E no tenho dinheiro nenhum, no tenho para onde ir e no sei o que vou fazer.
Imagina-se que ela v aceitar o emprego.

e de espiritualidade, entre outras coisas

- Oi  sussurrou Dan no celular Nokia enquanto se metia atrs de uma estante velha na
Strand. Era um tipo de lugar que s podia agradar a um cara que leu Hamlet cinco vezes. 
Eu estava mesmo pensando em voc.
Ele no conseguiu entender a resposta de Vanessa: ela parecia sem flego e quase s
lagrimas.
- Pera, pera  ele a acalmou. Dan formou uma pilha com biografias de Ronald Reagan e se
sentou nela.  Calma. No estou entendendo nada.
- Eu disse que fui expulsa do meu apartamento - gritou Vanessa. - Ruby voltou da Europa e
agora tem um novo namorado, um babaca de um pintou tcheco, e ela me disse para cair
fora.
- Merda - murmurou Dan, olhando em volta. Ele no devia usar o celular no trabalho.
- O que  que vou fazer? Para onde eu vou?
- Que tal a minha casa? - perguntou Dan antes mesmo de ter a chance de pensar no que
estava dizendo. Ele passou os dedos em um exemplar de capa dura velho e empoeirado
sobre Walt Whitman e pensou em levar para casa.
- Na sua casa?  repetiu Vanessa inspirando piedade. Dan no tinha certeza de um dia ter
ouvido Vanessa to frgil e, embora ele meio que soubesse que era errado, tambm estava
gostando da sensao que isso provocara. Como se ele fosse um garanho muito macho e
ela, frgil e indefesa. Ele tomou nota mentalmente para usar a sensao em um poema.
Mulher de papel de arroz, eu sou a pena, a tinta, o tinteiro...
- Vai ficar tudo bem  ele a tranqilizou.  Pegue suas coisas, entre no metr e v para a
minha casa. A porta est destrancada... Voc sabe que meu pai sempre deixa aberta. Vou
chegar em casa daqui algumas horas.
-  mesmo?  perguntou Vanessa, insegura. Ela sempre foi to tremendamente
independente. Dan sabia que ela odiava pedir qualquer favor.  Tem certeza de que no tem
problema com seu pai?
- Vai ficar tudo bem  Dan roou na poeira da prateleira de cima e ela espirrou em seu olho.
Voc vai ver. Vou chegar em casa logo. No se preocupe  ela ele esfregou os olhos,
ouvindo Vanessa respirar do outro lado da linha.
- A boa noticia  que Ken Mogul me ofereceu um emprego hoje  Vanessa riu com
amargura.  Parece que vou ter que aceitar.
- Isso  demais!  animou-se ele, embora no conseguisse deixar de se sentir meio
decepcionado. Ele estava trabalhando e Vanessa tambm ia trabalhar. Isso definitivamente
estragaria seus planos romnticos. Quando  que teriam tempo para passear no trem para a
ilha de Roosevelt e beber saqu no parque?
- Merda,  a minha chamada em espera  murmurou ela. Dan a ouviu tirar o telefone da
orelha.  o Ken.  melhor atender. Te vejo em casa, ento? Na sua casa, quero dizer.
- No  ele a corrigiu.   sua tambm.
Ai.
Dan apertou o boto End do celular e se enfiou pelo corredor estreito das biografias. Ele
sorria. Talvez a expulso de Vanessa fosse a melhor coisa que aconteceu aos dois. Morar
junto tornaria seu ultimo vero antes da universidade to intimo. Seria ainda mais
memorvel.
Ele pegou algumas biografias de Regan e se abaixo, tentando encontrar um lugar para todas
elas em uma prateleira.
- Com licena, estou procurando um exemplar de Sidarta e no consigo achar nenhum.
Pode me ajudar?
Dan se levantou da posio agachada, os joelhos estalando, pronto para soltar uma tirada
inteligente sobre onde achar uma iluminao. Mas depois de ver a cliente, engoliu as
palavras.
Ela era uns dez centmetros mais alta do que ele, com o cabelo louro platinado ondulado
preso em um rabo-de-cavalo simples. Vestia uma camiseta de ginstica cinza e um short de
brim branco e tinha munhequeiras verdes e brancas nos dois braos. Estava com o cenho
meio franzido, mas, mesmo preocupada seus olhos azuis cintilavam. Ela parecia a Marsha
Brady, s que mais sensual e de aparncia mais suja, como se Marsha Brady estivesse
voltando para causa da aula de strip-tease aerbico.
- Humm, sei  respondeu Dan por fim, aturdido.  , a gente deve ter um exemplar de
Sidarta. Tenho certeza que temos um.
- Ah, que bom  gritou Marsha suja, estendendo os braos e apertando o antebrao ossudo.
 Eu quero muito ler.
- T  murmurou ele, levando-a das biografias presidncias de fico em brochura.  Na
verdade  um dos meus livros preferidos.
Ah, ?
- Ah, meu Deus do cu,  mesmo?  Dan nunca conheceu uma garota que conseguia dizer
ah, meu Deus do cu e no parecer uma mongolona completa.  Foi muito recomendado
por meu iogue.
- Aqui est  anunciou Dan, parado na ponta dos ps e puxando o livro pela lombada fina.
Ele o entregou a Marsha suja.
- Legal  ela virou o livro para examinar a quarta capa.  Parece mesmo timo. Muito
obrigada por sua ajuda. Ento gosta mesmo dele?  Ela olhou para Dan, os olhos
amedrontados combinado com o azul cintilante da capa desbotada do livro.
- Bom...  Dan parou.os livros eram sua especialidade, ento por que no conseguia pensar
em nada para dizer?
Talvez por que nunca tivesse lido esse?
- Foi, humm... inspirador.
- Que timo. Estou ansiando mesmo por ele  ela aninhou o livro no peito e se inclinou
para mais perto de Dan.  Talvez eu volte quando tiver terminado e voc possa me
recomendar outro.
- Sempre fico feliz em recomendar livros aos nossos clientes  respondeu ele de um jeito
meloso.
- Demais!  gritou ela com entusiasmo de lder de torcida.  Meu nome  Bree
- Dan.
- Legal, Dan. Esse livro no  grande, ento vou voltar daqui a alguns dias. Obrigada
novamente por me ajudar!  Ela se virou e se afastou, com um verdadeiro gingado no
andar. Dan olhou sua bunda pequena e redonda, que de perto pareciam duas conchas de
sorvete de baunilha, desaparecendo atravs da seo de Novidades e Atualidades, antes de
se lembrar que havia acabado de convidar Vanessa para morar com ele.
Mas que coisa, humm... inspiradora.

a famlia que joga unida permanece unida

- Bravo!  gritou Lorde Marcus.  Querida, voc simplesmente nasceu para isso!
Camila riu, enfiando o cabelo louro e comprido atrs das orelhas enquanto sua bola
vermelha de croqu rolava pelo arco e vinha parar em um trecho de grama esmeralda
perfeitamente bem-cuidado do jardim dos fundos da manso dos Beaton-Rhodes. Era a
terceira partida que eles jogavam no dia e Camilla vencera. De novo.
- Aprendi com o mestre  disse ela, animada, entre risos.
- Quando vai ser a minha vez?  gemeu Blair. Estava esperando a sculos para ter a chance
de girar o basto. Definitivamente estava com humor para bater em alguma coisa.
Atrs deles a manso de pedra cinza coberta de era de West London se erguia como uma
fortaleza. Blair ainda no fora convidada a entrar, nem tinha conhecido os pais de Marcus.
- A mame est com uma das dores de cabea dela  explicou ele, levando Camilla a
explodir num ataque de riso grasnado. Blair se perguntou se Lady Rhodes tinha tendncia a
levar uma garrafa de gim para a cama, mas no expressou seu pensamento em voz alta,
preferindo olhar de um jeito ameaador para Camila. Havia nela uma coisa to eu estou
dentro e voc est fora, que Blair simplesmente queria decepar a cabea da garota como
uma espcie de Barbie prima real feia que ainda estaria nas prateleiras da FAO Schwarz
muito depois do Natal.
- Acho que isso encerra nossa partida - disse lorde Marcus como quem se defende. 
Vamos jogar outra?
- Tanto faz  murmurou Blair, tomando o quarto martini de Bombay Sapphire da tarde. A
antiga manso de pedra era emoldurada por centenas de arbustos bem perfeitamnete
cnicos. At as enormes rvores tinham sido aparadas em formatos artificiais. Blair estava
comeando a se sentir a Alice no palcio de Copas da Rainha do pais das Maravilhas. Ela
cendeu um Silk Cut e deu um trago vido.  Podemos tomar mais uns refrescos? 
perguntou ela a ningum em particular.
Na dvida, tome outro.
- Eu estou acabada  suspirou Camilla enquanto desabava na cadeira de ferro batido ao lado
de Blair.  Divertindo-se?  perguntou ela, colocando a mo na de Blair, que estva enrolada
em um punho fechado de raiva.
Ela e Marcus no deviam estar apaixonados? Por que ele no a estava despindo em seu
elegante quarto eduardiano? Por que ele queria ficar na camaradagem com a prima
irritante? Por que ele pelo menos no estava roando o p em Blair por baixo da mesa?
Ela fitou Marcus com os olhos semicerrados, procurando por um sinal, uma dica de seus
verdadeiros sentimentos. Um largo sorriso se espalhava pela cara barbeada e seus olhos
verdes brilhavam de alegria. Ele parecia completamente distrado. Simplesmente
desfrutando o momento mais feliz de sua vida sob o sol quente de vero. Blair suspirou.
Talvez ela estivesse seno antiptica e preconceituosa. Ela olhou para Camilla. Talvez
aquela garota desse o fora logo, e ela e Marcus poderiam transar embaixo daquela confera
em formato de lebre.
- Nunca me diverti tanto  rebateu Blair.
- Eu diria que estou faminto  exclamou o lorde Marcus, enrolando as mangas de sua
camisa branco de linho antes de ocupar uma cadeira junto  mesa de tampa de vidro. Ele
pegou um pratinho de prata que estava cheio de delicados sanduches de pepino e colocou
um dos tringulos na boca.
- Voc sempre fica com fome quando eu estou aqui  riu Camilla. Ela o cutucou na barriga
e bebericou o matni delicadamente.
- Lembra daquela vez em que eu fui visitar voc em Yale e fomos naquela linda
cidadezinha em Vermont para passar o fim de semana esquiando?  Camilla virou-se para
Blair.  Ficamos nas rampas o dia todo e s o que queramos era um bom banho de
banheira. Quando eu sai, Marcus tinha pedido tudo...mas tudo mesmo!... do servio de
quarto, para a gente poder comer perto da lareira.
Blair tentava vencer o impulso de pegar o basto e esmagar a cabea de Camilla. Ela olhou
para Marcus, que ficara rubro. Talvez ele e Camilla fossem os tipos de primos que
gostavam de brincar de mdico. Mesmo depois de estarem velhos demais para brincar. Ser
que a Cara-de-Cavalo no percebeu que ela era a namorada de Marcus?
- Ah, Cam, tenho certeza de que Blair no quer saber de nosso fim de semana esquiando. -
Marcus se levantou, acenando o prato vazio para o mordomo.
Blair se levantou tambm.
- Algum est pronto para outro game, set... sei l como essa droga se chama? Talvez eu
possa jogar desta vez.
- Ah, acho que estou esgotado. Eu devia ter avisado voc - Marcus se desculpou. - A
Camilla arrebenta nos jogos.
Bom, t legal, ento.
- E por falar em arrebentar - murmurou Blair em voz baixa. - Preciso ir ao toalete - ela
pegou algumas manias britnicas nos ltimos dias.
- Ah, meu Deus. - Camilla corou. - Esse  o chiste ianque.
E essa  a cretinice de Blair.
- L dentro - instruiu lorde Marcus. -  sua esquerda, depois da biblioteca.
- Vou encontrar - disse Blair irritada, cambaleando um pouco ao partir para a casa. O gim
tinha subido direto  cabea. - No se levante.
Ela bateu os sapatos pelo caminho de lajota, alisando as rugas do vestidinho Thomas Pink
branco que trocou especialmente para uma tarde de jogos no gramado. A casa era
surpreendentemente atravancada e cheirava a flores podres. E claro que a moblia era linda
e os tapetes especialmente incrveis - ao que parecia, lady Rhodes mandava um comprador
a Marrakesh a cada dois anos para aumentar sua coleo. Mas uma janela de vitral na
biblioteca deixava a casa com um estranho ar de igreja, e Blair se sentia esquisita andando
por ali sozinha, sabendo que lady Rhodes estava em algum lugar do segundo andar curtindo
uma ressaca.
Sozinha no banheiro, ela acendeu outro Silk Cut, seu novo cigarro ingls favorito, e
analisou o reflexo no espelho de moldura dourada enquanto exalava a fumaa. Estreitou os
olhos e empinou o queixo, praticando o olhar sexy que ia dar ao namorado. Mais um
drinque e ela devia ir para o Claridge para umas brincadeiras de final de tarde. Os jogos de
gramado eram timos, mas ela estava com vontade de fazer algum exerccio de verdade.
Ela fumou todo o cigarro e, s de farra, embolsou um sabonete francs Beaton-Rhodes com
formato de concha.
Os velhos hbitos no morrem jamais.
Do lado de fora, um novo lote de martnis tinha sido preparado e lorde Marcus ofereceu
uma nova taa a Blair enquanto ela se sentava.
- Ela vai precisar de um cinzeiro - zombou Camilla, olhando nervosa os dois centmetros de
cinza na ponta do cigarro de Blair.
- Vou usar o gramado, obrigada - respondeu Blair secamente, tomando um gole da taa
Riedel fina como papel, derramando um pouco na mesa ao fazer isso.
- Querida, espere - lorde Marcus a repreendeu jovialmente. - Vamos fazer um brinde.
Estvamos esperando por voc.
- Qual  o motivo? - perguntou Blair, segurando um arroto.
- Enquanto voc estava l dentro, Camilla me deu uma notcia maravilhosa.
Ela vai  Sua para consertar o narigo? Ela finalmente assumiu que  uma sapata gorda?
Ela decidiu virar freira?
- Ela vai estender a estada aqui. Vai ficar conosco o vero todo. No  uma glria? - lorde
Marcus bateu a taa nas outras duas.
Camilla tomou um gole delicado de seu drinque e colocou a mo protetoramente na de
Blair.
- Seremos boas amigas, quase como irms - prometeu ela, desta vez parecendo mais a
madrasta malvada da Branca de Neve ou a bruxa que quer devorar Joo e Maria do que um
dos trs porquinhos.
Blair sorriu amarelo e secou a taa rapidamente antes de se virar para Camilla.
- Eu sempre quis ter uma irm mais velha.
Marcus passou os braos tonificados pelo squash ao redor das duas e as apertou em um
abrao coletivo.
- Eu sabia que vocs iam se dar bem.
Ele as beijou no rosto e Blair fechou os olhos, tentando fingir que Camilla no estava ali.
Felizmente, ela sempre teve a imaginao frtil.

nasce uma estrela (mais ou menos)
Os chinelos de borracha laranja berrante Hermes de Serena se arrastavam barulhentos no
piso de mrmore preto e branco do saguo do Hotel Chelsea enquanto ela ia para o quarto
609, onde Ken Mogul havia colocado seu astro, Thaddeus Smith. O Chelsea era
provavelmente o hotel mais famoso de Nova York. Lar de cones da arte como Andy
Warhol e estrelas do rock como Janis Joplin, havia sofrido um incndio terrvel e todos os
hspedes famosos foram obrigados a sair. Agora era principalmente uma armadilha para
turistas, mas ainda tinha um apelo histrico dos anos 1960 e seu poro abrigava um bar
moderno e escuro, adequadamente chamado Serena.
Serena no conseguia entender por que Thaddeus tinha que ficar em um hotel e ela
precisava morar em um apartamento caindo aos pedaos e sem ar-condicionado. Ela estava
sentada sozinha, desde que Jason saiu, com calor demais para se mexer. Quando Ken ligou
e disse para encontr-lo para um ensaio improvisado com Thad. Serena respirou fundo,
remexeu nervosa nos zperes da bolsa cinza estilo motociclista Balenciaga e bateu na porta
lascada do quarto 609.
- Ei,  voc! - guinchou ela feliz quando Vanessa Abrams abriu a porta. Tinham se passado
pouco mais de duas semanas desde a formatura, mas parecia que era sua vigsima reunio
de ex-alunos ou coisa assim. Vanessa estava com um vestido de jrsei de seda preto e as
sandlias prateadas mais legais que Serena vira na vida. - Voc est demais!
Vanessa abriu a boca para responder, mas foi interrompida por Ken.
- Serena - chamou o diretor suavemente. Ele estava empoleirado no peitoril da janela do
grande quarto principal da sute do hotel, fumando um cigarro sem filtro.  Bem-vinda a
nosso universo!
-  bom ver voc de novo. - Serena riu ao passar pela porta e atravessou o quarto, que
estava cheio de luz proveniente da rua 23. As paredes eram pintadas em um verde-menta
austero que a lembrava dos banheiros do alojamento da Hanover Academy, o internato em
New Hampshire onde ela passou o primeiro ano. Havia um sof marrom com rachaduras e
fendas no couro dos braos e dezenas de cactos em vasos alinhados no peitoril da janela.
Atravs das portas de vidro Serena podia ver uma cama king size desfeita.
- D para imaginar todas as pessoas que transaram aqui, no ? - sussurrou Vanessa. Serena
torceu o nariz. Agora podia.
-  claro que conhece Vanessa. - Ken atirou o cigarro pela janela aberta s costas dele. -
Pedi a ela para subir a bordo como nossa diretora de fotografia.
Como se ela tivesse alguma alternativa.
- Que timo, legal - Serena piscou para Vanessa, que agora estava ocupada com um
equipamento que parecia srio.
- E eu sou o Thaddeus - anunciou uma voz sensual enquanto o astro vinha de um quarto
adjacente.
Thaddeus Smith era mais alto do que Serena esperava e o cabelo louro escuro era espigado,
dando-lhe uns 3 centmetros a mais. Vestia uma roupa comum, jeans escuros e uma camisa
plo Lacoste preta e desbotada, a gola erguida com uma espcie de propsito nerd. Serena
teve a impresso de que j o conhecia, e de certa forma conhecia mesmo: ela o viu tendo
um romance com uma starlet sulista de expresso doce em duas comdias romnticas que
eles fizeram juntos, ela o vira fugir de um manaco homicida (que por acaso era o gmeo h
muito desaparecido, tambm interpretado por ele em um papel duplo que foi um desafio);
ela at o vira de macaco colante branco, fazendo uma criatura extraterrestre muda,
despertada pelo alinhamento do sol em uma antiga runa maia. Ela ouviu essa voz de
bartono antes, enquanto ele flertava e dizia gracinhas em talk shows e  claro que ela j
vira sua barriga caracterstica em incontveis propagandas de roupa ntima Les Best.
Pessoalmente, ele mais do que justificava a adulao: era lindo, do cabelo dourado espetado
e os traos finos do rosto aos ps bronzeados e perfeitos.
Thaddeus pegou a mo de Serena e a sacudiu com firmeza.
-  timo finalmente poder conhecer voc - os olhos azuis-claros dele grudaram nos azuis-
escuros de Serena, ou foi s imaginao dela?
- Tambm estou feliz por estarmos todos aqui - comeou Ken, acendendo outro cigarro. Ele
abraou os joelhos na altura do peito, empoleirando-se no peitoril com seus shorts de
ciclismo azul-real que pareciam escorregadios. - Peguem o roteiro. E Thaddeus, de agora
em diante, ela  Holly, e no Serena.
Thaddeus se jogou no sof de couro rachado, atirando as almofadas descuidadamente no
cho.
- Sente-se, Holly.
Serena pegou o roteiro na bolsa, depois se sentou no sof, resistindo ao impulso de se
colocar mais perto de seu colega astro.
Porque isso no seria nada profissional.
Ken fechou os olhos e respirou fundo, as narinas infladas. Abriu os dedos diante de si como
antenas de inseto, pulou do peitoril e andou para o meio da sala. Seus olhos se abriram
quando ele bateu na mesa de centro de madeira lascada e uma montanha de roteiros
reescritos caiu no cho. Depois pulou para a mesa e se agachou na ponta, inclinando-se
para bem perto do casal.
- Vamos comear com o grande clmax. Este  o cerne emocional do filme e quero acertar
essa parte antes de fazermos qualquer outra coisa. Tudo est baseado neste momento.
Ken estava agachado to perto que Serena podia sentir o cheiro de seu hlito fedido a
cigarro. Ela ergueu o roteiro como uma barreira e comeou a folhe-lo. Achou que eles
leriam desde o comeo. Sabia suas falas nas primeiras cenas, mas estava um pouco insegura
com a segunda metade do filme.
- Ento, primeiro vamos ler e depois vamos nos levantar, vamos nos mexer, encontrar
nosso espao na sala e colocar isso em movimento, est bem? Vanessa vai filmar s para
ter alguma coisa como teste para que vocs possam estudar mais tarde.
Est bom assim? - perguntou Ken, ainda agachado como uma grgula na mesa de centro.
- Vamos nessa - assentiu Thaddeus, atirando o roteiro de lado.
- Quase pronta - interveio Vanessa, que estava conectando a cmera de mo a um dos
laptops do diretor.
- E Holly? - perguntou Ken, pousando o queixo na mo enquanto o dedo pareceu subir ao
nariz.
- Quando quiser - murmurou Serena. Merda, merda! No sabia uma palavra sequer de sua
fala. Ela respirou fundo.
- Querido, voc sempre me resgatando. Como posso retribuir? - comeou ela, acenando a
mo direita lenta e deliberadamente. Parecia um maneirismo sexy. Meio interessante.
- No precisa me retribuir nada - respondeu Thaddeus como Jeremy Stone, em sua famosa
voz sensual de bartono. Estavam parados junto  janela e ele se aproximou um pouco, o sol
da tarde batendo em seu perfil spero enquanto ele pegava Serena pela cintura. - Eu  que
devo a voc. Eu lhe devo tudo, Holly. Voc me mostrou como ser... - ele fez uma pausa
intensa. - Voc me mostrou como ser eu.
Talvez porque ele fosse um ator de talento, ou talvez porque fosse simplesmente lindo, mas
de algum jeito ele fez com que o dilogo idiota parecesse quase normal. Ele estava to
perto de Serena que ela podia sentir o cheiro de hortel no hlito dele. Ele era assim to
perfeito?
Epa.
- Eu... eu... - Serena gaguejou. - No sei o que dizer.
Do outro lado da sala, atrs da cmera, Vanessa deu um pigarro.
- No diga nada - piou Thaddeus-como-Jeremy. - S fique parada aqui para que eu possa
olh-la.
Serena no se mexeu. No conseguia deixar de acreditar em tudo o que Thaddeus dizia.
- Vou parar vocs aqui - anunciou Ken Mogul. - Holly, meu amor, lembre-se: voc no 
Serena. Voc  Holly.
- Tudo bem - sussurrou Serena. Ela no se sentia como Holly Golightly. Sentia-se ela
mesma e que o cara perfeito estava bem na frente dela. Ela passou a vida toda sem atuar
nem fingir com os homens: era meio difcil atuar com um deles, especialmente um homem
to... lindo.
- E pare com esse negcio da mo - gemeu Ken, parecendo um bebezo, - Parece que voc
est espantando mosquitos.
- Desculpe. - Pela janela aberta, Serena podia ouvir o som do trnsito. Ela meio que queria
estar l fora, vendo as vitrines da Mercer Street, no Soho, com Thaddeus ou talvez
deixando que ele lhe comprasse sushi no terrao do Sushi Samba, a algumas quadras, no
centro. Thaddeus se curvou para fora da janela e respirou fundo. Ele estava lendo a mente
dela?
- Apenas oua o Thad - continuou Ken com o dedo ainda no nariz. - Ele no  mais o
Thad... ? No, ele  Jeremy. Voc ouviu aquilo... A timidez dele? O nervosismo? Ele
morre de medo de voc, entendeu? Tem medo e est enfeitiado. Faa-nos sentir isso, est
bem? Faa com que a gente se apaixone por voc.
Como se houvesse alguma dificuldade antes.
- Vamos repetir. - Ken bateu palmas enquanto ao mesmo tempo acendia outro cigarro,
embora o ltimo tivesse queimado completamente sem que ele sequer o tocasse.
Thaddeus voltou a entrar em foco, inclinando-se para perto de Serena mais uma vez.
- Querido. Voc est sempre me resgatando. Como posso retribuir? - perguntou ela, desta
vez com mais segurana.
- No precisa retribuir nada.
- Precisa vir  minha... - ela no conseguia se lembrar da fala. Precisava ver o roteiro.
- Festa! - gritou Ken.  Festa! No leu o roteiro, Holly?
- Li - murmurou Serena na defensiva, resistindo ao impulso de chutar a pilha de roteiros
reescritos no cho para que voassem pela janela.
- Tudo bem, vamos pular um pouquinho  frente. - Ken esfregou a testa vermelha de um
jeito estranho. - Vamos fazer a grande cena da manh. S tem um pequeno dilogo, ento
voc deve conseguir desta vez, no , Holly?
- Claro - Serena tinha a impresso de que estava fazendo tudo errado, embora s tivesse
dito algumas palavras. No devia haver um perodo de aquecimento?
- Tudo bem, Thaddeus, voc comea - dirigiu Ken, com um novo cigarro empunhado como
se fosse uma tocha.
- Holly - recitou Thaddeus, de cor, j que o roteiro dele ainda estava no sof. - Eu sabia que
a encontraria aqui.
- Voc sempre sabe onde me encontrar? - pelo canto do olho, Serena podia ver que Ken
sacudia a cabea por isso, ento ela largou o roteiro no cho. Era capaz de fazer isso. Ela se
colocou na ponta dos ps e se encostou no peito largo de Thaddeus.
 Vou saber se voc sossegar  pronunciou ele delicadamente.  Nunca mais fuja de mim.
 Eu prometo  sussurrou Serena. Era a sua ltima fala do filme. Ela inclinou o pescoo,
erguendo a face para seu colega, oferecendo-se a ele. Podia sentir o cheiro de creme dental
e nicotina no hlito quente de Thaddeus, loo de aveia Kiehl nas mos dele e Tide nas
roupas. Ela mal o estava tocando, s pousando as mos em seu peito firme, mas podia
sentir o corpo dele no dela, de suas costas fortes e largas a sua barriga perfeita, dos
antebraos magros e musculosos aos ps em chinelos. E ela podia sentir mais uma coisa:
um arrepio de eletricidade no ar, no pequeno espao entre os dois corpos. Isso era atuao
ou era real?
 Tudo bem  gaguejou Thaddeus. Ele deu um passo para trs e Serena, que tinha apoiado
todo o peso do corpo nele, cambaleou um pouco.
Ele riu, nervoso.
 Ken, um cigarro?
Ken lhe passou um mao de Marlboro Reds. Thaddeus escolheu um e acendeu friamente.
 O que acha, Ken?  perguntou ele, passando o polegar pelo cs da cala.
 Bom. Melhor. Senti mais fascas do que da ltima vez. Mas Holly precisa relaxar. Holly,
podemos reescrever se tiver problemas com suas falas.
 Como assim?  Serena afundou no sof surrado. No tinha cometido tantos erros assim,
tinha?
 Se houver palavras demais, sabe como   explicou ele, pronunciando devagar as palavras
em voz alta, como se estivesse falando com algum cujo ingls no fosse bom.  Se estiver
tendo problemas para se lembrar de todas.
Ele a estava chamando de idiota?
 No, est tudo bem  ela soltou um suspiro pesado.
 Ela vai pegar o jeito.  Thaddeus se sentou ao lado dela. Pousou a mo macia no joelho
nu de Serena, apertando a perna dela num gesto de apoio.
Voc sabe muito bem que vou, concordou ela em silncio. Meu Deus, ela j estava
apaixonada? s vezes ela era quase fcil demais.
Sem comentrios.
 Claro, claro  concordou Ken. Acho que s precisamos de mais tempo de ensaio. O que
voc acha, Vanessa?
Vanessa sequer pegara tudo com a cmera porque eles no lhe deram tempo para montar o
equipamento.
 Foi demais  ela fingiu entusiasmo. Afinal, era s um ensaio.
E, pelo andar da carruagem, eles iam precisar ensaiar muiiito.

e voc acha que conhece a pessoa

 Queridaaa, chegueeeei!  Dan meteu a cabea pela porta do quarto da irm mais nova,
Jenny.  Vanessa?
 Oi  Vanessa saiu de trs do cavalete de pintura de Jenny. O quarto aconchegante ainda
estava revestido das telas de Jenny  paisagens em aquarela, desenhos arquitetnicos de
prdios famosos de Nova York como o Dakota, na rua 72, alguns nus dos quais Vanessa
viu Dan desviar os olhos, para o caso de serem auto-retratos da irm. Ela envolveu o corpo
magro de Dan com os braos e apertou.  Muito obrigada por me deixar ficar aqui.
 Vai ser timo  ele lhe garantiu, desabando na cama com o cobertor azul de flanela. 
Vamos ter nosso Grande Vero em Nova York. Andei pensando nisso. Todas as coisas que
vamos fazer juntos... Andar nos pedalinhos idiotas no Central Park, bagels na H&H Bagels
em nossos dias de folga...
 Humm, parece timo, mas vou ficar bem ocupada com o trabalho, sabia? Vai dar um
trabalho conseguir que o filme fique legal  ela indicou com um movimento de cabea a
tela do computador onde a face etrea de Serena van der Woodsen estava imvel, os olhos
meio fechados. Vanessa estava revendo o filme do ensaio daquela tarde e, se isso era uma
indicao de como ficaria o filme acabado  bem, no estava bom.
 Tudo bem.  Dan fez um beicinho.   claro.
No aspecto positivo, quanto mais tempo Serena se atrapalhasse nos ensaios, mais tempo
Vanessa teria para experimentar com o trabalho de cmera. Daria a ele alguma coisa
melhor. Estava decidida a fazer algo verdadeiramente de vanguarda e incomum, que
realmente maravilhasse Ken Mogul e seus produtores. Ele falou em Godard. Mas ela era a
mestre na mistura de humor com tragdia. Ela mostraria a camisinha usada presa no sapato
de Holly, o lado maculado da princesinha da festa!
 Cad o seu pai?  perguntou ela, mudando de assunto. Era s uma questo de tempo antes
que topasse com o pai poeta beat de Dan, Rufus, vestido na habitual camiseta manchada
dos Mets e shorts cargo caramelo confortveis demais. Ela esperava v-lo antes que eles se
esbarrassem no meio da noite. Quem sabia o que ele estaria vestindo ento?
Ele deu de ombros.
 Falou com a Ruby?Ele enfiou a mo no bolso e pegou um mao amassado de Gameis,
acendeu um cigarro e depois deitou de novo na cama estreita e calombenta de Jenny. 
Espero que vocs se entendam. A vida  muito curta, sabia?
 Hein?perguntou Vanessa preguiosamente, deitando-se ao lado dele. Ruby mandara
algumas mensagens de texto pedindo desculpas, mas Vanessa estava puta demais para se
incomodar em ler todas. Ela podia imaginar Ruby espremendo as espinhas das costas de
Piotr enquanto eles transavam no ateli sujo de tinta dele  alis, o antigo quarto dela. Ela
aninhou a cabea quase careca no pescoo fino de Dan e sussurrou:  No consigo lidar
com isso agora, entendeu?
 Isso  muito ruim  observou ele solenemente.  Sempre admirei o relacionamento de
vocs duas.
 Sei  ela no conseguiu deixar de rir.  Est se sentindo bem?
Dan virou-se para ela de modo que os narizes quase se tocaram. Vanessa beijou seus lbios
com gosto de fumaa. Ele afagou o rosto dela.
 Sabe de uma coisa, nunca percebi isso antes, mas a felicidade est, tipo assim, bem na sua
frente, est entendendo? E como se ns... Como se voc fosse tudo o que preciso para ser
feliz, e voc est bem aqui, na minha casa. Quer dizer, eu sei que voc vai ter que trabalhar
muito e tudo isso, mas  to bom. Na verdade  muito mais fcil alcanar a felicidade do
que adotar a fealdade.
Vanessa mordeu o lbio. Ela amava Dan, mas na verdade esperava que ele no se metesse a
fazer outra proclamao constrangedora de devoo imortal como a que fez na formatura.
Havia coisas que era melhor no dizer.
 melhor repetir isso.
 Aprendeu isso no seu emprego?  caoou ela.  No sabia que eles davam palestras
gratuitas de auto-ajuda Nova Era na Strand.
 No estou falando de trabalho.  Ele deu um trago forte no Camel e ficou na defensiva. 
Eu li Sidarta no intervalo desta tarde. A vida  to curta... Quer dizer, s o que podemos
esperar  encontrar algum significado nesta vida, sabia?
O nico livro que Vanessa sabia de que ele falara apaixonadamente foi Os sofrimentos do
jovem Werther, um livro horripilante sobre um cara deprimido e rabugento que se mata no
final porque a namorada se casou com outro.
 Tudo bem, estou oficialmente confusa. De que merda voc est falando?  perguntou ela.
As sobrancelhas de Vanessa se retorceram enquanto ela olhava nos olhos castanhos de Dan.
 Estou falando do significado da vida  respondeu ele simplesmente.
Ou ser que ele estava falando de uma certa loura de bunda redonda perfeitamente
empinada?
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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

Descobri uma coisa muito importante sobre mim mesma: eu sou totalmente bi. No  o que
voc est pensando -- eu estou dividida sobre onde passar o vero e decidi que quero as
duas coisas. Graas a Deus existe o aeroporto Teterboro. Uma viagem rpida pela pista e
estou na ilha em menos de uma hora. Isso me d a chance de cobiar os surfistas e dizer sim
a cada festa a que sou convidada aqui na cidade.

H algo de to exclusivo nas festas na cidade durante o vero. To ntimas, sem nenhum
convidado indesejado. Bom, quase. No que a gente no goste de que tirem nossas fotos; 
s que preferimos ter certeza de que nosso cabelo de praia no tem nenhum gro de areia
antes que o flash estoure. Sim, estou falando dos paparazzi. Obviamente eles tm de
trabalhar o vero todo, e  bvio que eles esto entediados porque ficaram perseguindo as
poucas celebridades na cidade -- inclusive eu -- como se toda noite fosse uma festa ps-
MTV MusicAwards no loftda Lindsay.

Mas vero e praia andam de mos dadas e eu no posso abandonar completamente o mar,
mas aquele ator dolo T fez exatamente isso, abandonando a preguia prdiga na costa
norte (sim, aquele que voc viu no episdio de Cribs) para passar um vero fervendo de
quente na abafada Nova York. Agora, isso  que  dedicao.

DO OUTRO LADO DO OCEANO

Sei que comeamos como uma colnia inglesa, mas ganhamos a guerra (sem
ressentimentos!) e portanto fazemos as coisas de um jeito meio diferente deste lado do
oceano. Gosto de todo aquele lance de realeza -- em especial um certo herdeiro ao trono e
seu irmo mais novo ruivo e baladeiro -- mas h muita coisa nos ingleses que eu no
entendo. Por exemplo, eu soube que uma certa americana jovem, gata e de olhos azuis que
todos conhecemos e amamos se envolveu com um cavalheiro cheio de ttulos que parece s
ter olhos para a, humm, prima dele? Ao que parece, em algumas grandes famlias inglesas 
perfeitamente aceitvel pedir  prima para passar o vero na casa, segurar a mo dela
durante jantares ntimos nos mais elegantes restaurantes de Londres, escapulir juntos para a
casa de campo de telhado rstico para um fim de semana de caada. O que acha desse
choque cultural?

Seu email

P: Cara GG,
Minha me insistiu que eu fizesse um estgio em uma revista sofisticada neste vero. Ela
diz que vai me ajudar a me preparar para o mundo real, mas eu acho que sou a nica que
vai passar o vero engaiolada no armrio da moda, colocando em caixas os sapatos Marc
Jacobs da prxima estao e acompanhando as jias da Me&Ro.  como trabalhar numa
loja e, alm disso, tenho o resto da minha vida para trabalhar, n? Eu no devia estar
relaxando na praia com meu namorado delicioso ou coisa assim?
-- No Armrio

R: Cara No Armrio,
Como acha que eu me sinto? Ainda estou aqui, apesar do ar-condicionado no mximo e
uma garrafa gelada de Dom ao lado do computador, trabalhando como uma mula,
atendendo a todas as necessidades da fofoca. Mas, falando srio: sirva-se de alguma coisa
gucciliciosa da gaveta de culos de sol. Voc merece! (E ningum vai perceber se voc
pegar alguma coisa para seu namorado tambm.)
-- GG

P: Prezada GG,
Sabe se aquele cara, o N, tem um irmo desaparecido? Acho que o vi no Oyster Shack na
Island, mas no pode ter sido o mesmo; este estava vestido como um operrio de
construo e andava com uma caipira inegavelmente gata mas que parecia fedida. Alguma
idia do que est rolando?
-- Chocada

R: Cara Chocada,
Definitivamente s existe um N. Se ele agora est na rea de construo, sugiro que o
contrate para construir um deck para voc. Talvez ele v suar de tanto trabalhar e a voc
poder convid-lo para tomar banho nu!
-- GG

Flagras

B em uma desavena com a funcionria cara de rato da Harvey Nichols. Eles tm listas de
espera em Londres tambm, mas algumas garotas nunca aprenderam que a pacincia  uma
virtude. S vagando por uma parte desconhecida do Upper East Side -- na verdade, bem
longe do parque -- parecendo aflita e comprando rao de gato Purina na delicatessen. Ser
que est tentando alguma nova dieta maluca? N andando pela Catachungo Road, em
Hampton Bays, usando um bon de Yale e muito perto de uma garota misteriosa que vestia
um top rosa decorado com logos da Old Navy. Eu devo ter perdido a inaugurao da loja
deles nos Hamptons. V acomodando-se em uma cadeira de barbeiro de couro marrom em
uma barbearia  moda antiga no Upper West Side, ignorando a regra do s para homens.
Talvez algum devesse dizer a V que ela definitivamente no  mais do Brooklyn. D
enrascado em um banco da Union Square, lendo um livro em brochura fino sobre ioga
kundalini enquanto fumava um cigarro. Ser que ele est pretendendo escrever um poema
pico sobre posies de ioga para pacientes de cncer de pulmo? Quem quer saber? Eu
certamente quero.

Pra voc que me ama,
gossip girl
caipira tambm  gente

Nate tirou a Schwinn velha da estrada de cascalho e a levou para o acostamento de terra na
frente do Oyster Shack, conseguindo evitar uma reprise da derrapada humilhante que dera
na vspera. Depois do sorvete, Tawny o levou para consertar o pneu na Bob's Gas 'n' Dogs
e ficou como novo. Ele respirou o ar fresco, com gratido. S tinha fumado um tero de
baseado de manh, por isso, sua mente estava clara.
Mas isso  uma novidade.
Embora s fossem seis horas, o Oyster Shack estava tomado de uma galera de short e
camiseta, comendo fritas e bebendo Bud em lata. Depois de encostar a bicicleta, Nate
andou at o banco de piquenique vermelho onde Tawny estava sentada fumando um
Virginia Slim, um sorrisinho diablico nos lbios cheios e opalescentes de brilho pssego.
Normalmente Nate teria se sentido meio idiota por ir ao encontro de uma garota de
bicicleta, mas ele meio que gostava do esforo, da brisa no rosto e do vento no cabelo. 
claro que ele podia gostar do vento no cabelo atrs do volante do conversvel Aston Martin
azul 1978 do pai, estacionado na garagem da casa dele a apenas vinte minutos de distncia,
mas o carro era o orgulho e a alegria do capito e Nate no tinha permisso para dirigi-lo
sozinho, muito menos por um dos bairros menos desejveis dos Hamptons, como Hampton
Bay. Depois de eles dividirem um inocente sorvete e consertarem a bicicleta de Nate
ontem, Tawny sugeriu que se encontrassem para jantar hoje. Nate mal precisava ser
convencido disso; como uma boa ex-namorada, a deusa Destino sempre o salvava
exatamente quando ele precisava dela. Justamente quando sua solido comeara a deix-lo
deprimido, ele por acaso conheceu a confiante e sexy Tawny.
-- Voc conseguiu -- cricrilou Tawny, apagando o cigarro na mesa e atirando a ponta na
grama atrs dela. Ela usava um suti de biquni cor de pssego e uma saia trespassada de
jrsei preta que mostrava as coxas bronzeadas, redondas, mas firmes. O cabelo estava solto,
roando os ombros sardentos, e os lbios de pssego combinavam com as alas do biquni
que caam dos ombros. -- Sem cair.
-- , sem acidentes desta vez -- Nate riu, sacudindo a cabea. Ele baixou a gola da camisa
azul clara Brooks Brothers desbotada, mas limpa, que tinha vestido depois do trabalho e se
sentou no banco de frente para ela. -- Ento eu diria que o dia est indo muito bem.
-- Como foi o trabalho? -- perguntou Tawny enquanto passava na boca uma coisa
pegajosa com cheiro de baunilha. Nate podia sentir o cheiro de onde estava.
-- O de sempre: trabalho braal de arrebentar -- ele passou todo o dia de hoje, e de ontem,
pregando telhas novas no telhado do treinador Michaels. Suas mos estavam tomadas de
calos e os braos doam. -- Estou trabalhando para meu treinador, ento no  que eu possa
relaxar. Ele  meio babaca. Acho que  como um treino.
, s que sem o basto. E sem a bola. E sem o resto do time.
-- Mas voc deve gostar mesmo desse cara para querer trabalhar para ele o vero todo --
contra-atacou Tawny.
Nate deu de ombros, esfregando a mo no pescoo enrijecido.
-- Acho que sim -- no havia necessidade nenhuma de contar a ela sobre o Viagra roubado
e o diploma pendente, n?
Melhor no contar mesmo.
-- Coitadinho -- piou ela. -- Talvez precise de uma massagem. Posso treinar em voc.
Vou ser uma total MTL depois que me formar.
-- Uma o qu? -- Ele no fazia idia do que ela estava falando.
MTL? Mocoronga totalmente libertina?
-- Uma massoterapeuta licenciada, bobo! No acredito que voc no sabe o que  isso.
Mas a, falei com o pessoal daquele spa em Sag Harbor e eles podem me dar um estgio.
Sabe como , praticar em gente de verdade? Estou to empolgada. --Ela se inclinou por
sobre a mesa e comeou a massagear os antebraos de Nate, usando as duas mos e
aplicando uma presso surpreendente, as unhas compridas e manicuradas arranhando a pele
como limpadores de gelo no pra-brisa de um carro. -- Est vendo? -- perguntou ela. --
No  bom?
Era bom, mais ou menos, mas Nate estava muito mais interessado na vista. Tawny estava
to inclinada que os impressionantes peitos em forma de pra estavam totalmente visveis.
-- E a, humm, voc ainda est no ensino mdio, ento? -- murmurou Nate, lembrando-se
de que era a vez dele de falar alguma coisa. -- Eu acabei de me formar. -- Dizer isso era
bom. Fazia com que se sentisse msculo.
Ah, cara.
-- Vou me formar no ano que vem -- explicou ela, passando as mos dos antebraos para
o peito dele, que estava duro de tanto martelar. -- Mal posso esperar. Estou cheia da escola.
Imagino que vou conseguir minha certificao e, sabe como , pegar uma casa aqui. Se
voc  bom, pode ganhar uma boa grana do pessoal do vero e no precisa trabalhar pelo
resto do ano. Esse  meu plano: ganhar um bom dinheiro roubando os veranistas -- ela riu.
-- Legal -- Nate estava com dificuldade de se concentrar no que Tawny dizia porque
aqueles peitos estavam praticamente no colo dele. Ele se desligou de Tawny to
completamente que ela parecia meio como os pais em um desenho animado do Charlie
Brown. U-u-u-u-u. Os lbios eram to cheios, cor de pssego e brilhantes, e ela tinha
cheiro de baunilha.
Ele jogou a cabea um pouco para a frente e lhe deu um beijo de leve, tocando gentilmente
o rosto de Tawny. A boca tinha gosto de Diet Coke e uma espcie de fruta artificial mas
totalmente deliciosa.
Depois de alguns momentos, ela riu e se afastou.
-- Podemos fazer isso a noite toda, mas tambm quero saber sobre seus planos --
continuou ela, sentando-se novamente e pegando a mo dele. -- Pode me contar tudo
durante o jantar.
-- T, claro -- Nate se levantou e bateu no bolso para se assegurar de que tinha lembrado
de trazer a carteira. Ele se perguntou se o Oyster Shack aceitava American Express
Platinum. Ele lambeu os lbios, que agora estavam meio escorregadios, tinham um gosto de
fruta e provavelmente deixariam sua cerveja com gosto de pina colada.
-- Vamos pedir alguma coisa para comer e vou te contar todo meu plano A.
Nate Archibald tinha um plano A?
-- Parece impressionante. -- Tawny riu novamente enquanto se levantava e pegava os
cigarros, o isqueiro e a bolsa dourada cheia de fivelas.
-- Bom, vou comear em Yale daqui a alguns meses...
-- Yale?  mesmo? Caraca,  uma universidade boa -- ela deu o brao a Nate. -- E cara.
Mas ento a educao era como uma bolsa Birkin -- como essas coisas podem ter preo?

b de bodas
Blair Waldorf cruzou as pernas e se recostou na poltrona de couro marrom de encosto alto.
Levando a xcara de porcelana branca Spode aos lbios, tomou um gole delicado do ch
Earl Grey morno e sorriu para Jemima, a vendedora que adejava em volta dela.
-- Srta. Waldorf-- disse rindo Jemima, passando a Blair uma pastinha de couro azul-
marinho. -- Quando quiser.
Blair abriu a pasta; dentro dela havia o carto American Express Black, um recibo e uma
caneta, que ela pegou, assinando na linha pontilhada sem olhar.
-- Adorvel. Agora, vamos embrulhar suas compras e elas em breve sero entregues no
Claridge. Posso fazer mais alguma coisa pela senhorita? Pedir um txi, talvez?
-- No, obrigada -- ela sorriu graciosamente. -- Acho que vou andar um pouco.
Por uma hora, ela estivera sentada confortavelmente em uma sala privativa dos fundos de
uma nova loja chamada Kid, em West London, mantendo Jemima ocupada, a linda morena
com dentes horrorosos, pegando cada estilo de bota que tinham em estoque. Enquanto
experimentava os mais de vinte pares, ela tomou duas xcaras de ch, olhou a nova edio
da Vogue francesa e deu um telefonema a lorde Marcus. Caixa postal. Ela se perguntou se
ele estava trabalhando ou se tinha ido a algum lugar com Camilla, comprando novos
bastes de croqu, ou...
Ou o qu?
Blair no desistia com facilidade e estava decidida a no deixar que o dia anterior a
desanimasse. Talvez Marcus e Camilla precisassem daquele negcio de laos entre primos.
Eles sem dvida logo se cansariam da companhia do outro. Alm disso, Marcus
provavelmente ia se esquecer do nome de Camilla quando visse Blair nas novas botas
pretas de cano alto e o novo espartilho preto de renda Gossard e short combinando com os
quais ela pretendia desfilar para ele naquela mesma noite entre os pratos durante o jantar de
servio de quarto de champanhe e chocolate que ela planejara.
Enfiando o carto de crdito ainda quente na nova carteira Smythson, Blair colocou a
carteira dentro da bolsa pintada  mo Goyard edio limitada que comprara na vspera e
saiu da loja, entrando no trecho tranqilo da Press Street. Ela s esteve em Londres uma
vez com a famlia, quando tinha 12 anos. Eles ficaram hospedados no hotel Langham, perto
da Regent Street, visitaram o Big Ben e o Palcio de Buckingham, viram as jias da coroa,
assistiram a troca de guarda, tomaram ch e comeram bolinhos. Pelo que podia se lembrar,
ela passou a maior parte da viagem ouvindo Madonna no iPod. Mas isso era a Londres para
uma turista. Agora que ela morava aqui, as coisas eram totalmente diferentes.
Todos diziam que Londres era cinzenta, sombria, nevoenta e deprimente, mas em toda a
semana os dias foram claros e ensolarados. As rvores estavam em plena florao, havia
jardins luxuriantes em cada quarteiro e todos os prdios eram ornamentados e lindos. Todo
mundo tambm dizia que os ingleses eram reservados, tinham dentes podres e sotaque
grosseiro, e embora os dentes e os sotaques fossem mesmo perturbadores, at agora cada
pessoa com quem Blair falara tinha sido indefectivelmente educada.
 claro que foram -- ela s falou com vendedores que trabalhavam pela comisso.
Blair olhou o celular novamente: nenhuma mensagem. Ela atirou o celular de volta  bolsa.
Entendia que um cavalheiro tinha que dar uma ateno a mais a sua hspede -- a famlia
era muito importante para a classe alta inglesa -- e Camilla era realmente adorvel. Era
mesmo. Apesar de parecer uma aberrao loura de desenho animado. E Blair entendia,
entendia de verdade. Mas ela estava pronta para apimentar um pouco as coisas e, quanto
mais lorde Marcus a fazia esperar, mais impaciente e faminta ela ficava. Quem sabe a coisa
toda no era s uma trama para deix-la o mais excitada possvel?
Humm, talvez.
Andando pela rua na direo do hotel, Blair se sentia uma mistura de Julia Roberts em
Pretty Woman -- na cena em que ela vai fazer compras com um chapu preto gigantesco
de abas largas e coloca todas as vendedoras da Rodeo Drive comendo na sua mo -- e
Audrey Hepburn em My Fair Lady, a linda cockney desamparada que sai do ostracismo das
ruas de Londres para se tornar a sensao da cidade. S que Blair no era nem uma
prostituta nem uma desamparada jogada na sarjeta.
Detalhes, apenas detalhes.
Ela olhou os dois lados da rua, mas cada vitrine de loja, cada toldo parecia conhecido. Ser
que realmente percorreu todas as lojas deste bairro? Era fcil encontrar timas roupas em
Londres e a taxa de cmbio tornava tudo ainda melhor. Blair percebeu isso no minuto em
que chegou; precisou de dinheiro para o txi e ficou surpresa ao ver quantas notas
brilhantes e de cor pastel conseguia em troca de seus velhos e entediantes dlares
americanos. O caixa do banco at lhe deu um punhado de moedas -- inclusive um penny
enorme que valia dois cents, e no um, uma moeda hexagonal engraada e um monte de
moedas pesadas e grossas que valiam uma libra inteira cada. Se os ingleses usavam moedas
para as mesmas coisas que os americanos usavam notas, claramente este era um lugar para
encontrar timas pechinchas. No que ela precisasse encontrar pechinchas.
Blair estava do lado de fora do que  primeira vista parecia s outra manso de tijolinhos de
West London: uma casa alta e bem iluminada com janelas grandes e claras encimando
jardineiras em flor. Toda uma vida de compras dera a Blair um sexto sentido; ela
simplesmente sabia quando alguma coisa boa estava pairando por perto. Pelas janelas no
nvel da rua, pde ver um vaso chins cheio de camlias brancas em uma linda mesa
dourada. Blair no conseguia ver nenhuma roupa, mas estava absolutamente convencida de
que havia alguma coisa incrvel ali dentro.
Afinal, todo mundo tinha um talento especial.
Ela tocou a campainha e a porta buzinou, ento ela a empurrou e entrou no saguo de
mrmore da elegante casa. O andar aberto e arejado estava cheio de mostrurios simples:
uma inacreditvel bolsa de boliche de crocodilo verde empoleirada no alto de uma coluna
corntia banhada no brilho suave de um spot de luz, um par impressionante de sapatilhas de
bailarina de veludo vermelho no alto de uma almofada de cetim. Eram to macios que Blair
no conseguiu deixar de afag-los. Uma indiana alta com cabelo comprido e grosso sorriu
para ela de trs de uma mesa art nouveau antiga. Blair se sentiu meio constrangida com
seus jeans Rock & Republic, a blusa de seda dourada Elberjey e as sandlias acanhadas,
mas ela no ia sair dali.
-- Meu nome  Lyla -- trinou a vendedora num sotaque ingls. -- Me diga se eu puder
ajudar em alguma coisa.
Blair foi at o p da escada graciosamente curva. Sentindo alguma coisa na distncia, ela
subiu a grandiosa escada de mrmore. Os degraus eram exatamente aqueles que Eliza desce
em My Far Lady, na cena em que ela faz seu dbut em sociedade.
T vendo, a vida realmente imita a arte.
O segundo andar estava quase vazio, a no ser por um espelho que ia do cho ao teto numa
parede distante. O sol inundava o ambiente e Blair parou, fingindo ser sua sala de provas
privativa. No meio do espao, suspenso de um cabide de vidro, estava pendurado um
vestido longo e branco. Era de seda, cortado de vis e parecia respirar, como se tivesse vida
prpria. Era... lindo. Quem quer que o vestisse seria a estrela de uma histria de amor
interminvel consigo mesma. Blair estendeu a mo para tocar o vestido, hipnotizada. Ser
que era? Era.
Um vestido de noiva.
Era o vestido de noiva dela.
-- Gostaria de experimentar?
Blair girou e viu Lyla, do primeiro andar. No a ouvira se aproximando.
-- Sim, claro que sim -- Blair meio que sussurrou. -- Acho que vou precisar dele.
Para o qu, exatamente?
A loja s atendia a uma cliente por vez, ento no havia necessidade de provadores. Lyla
explicou isso, estendendo a mo para retirar o cabide de vidro de seu suporte na parede,
enquanto Blair tirava a roupa. Ela pegou o vestido e primeiro passou a mo nele. O chiffon
era macio e leve como creme batido fresco, e ela tremeu ao sentir seu caimento no corpo.
Evitando o espelho at que tudo estivesse perfeito, Blair se colocou junto s janelas,
olhando o luxuriante jardim privativo atrs da loja.
-- Olha, vamos colocar isto tambm. -- Lyla erguia um delicado cordo de ouro e o passou
no pescoo de Blair. -- Acho que agora est pronta para olhar -- murmurou ela, virando
Blair para que ficasse de frente para o espelho.
Blair andou pela sala com cuidado, segurando o vestido para no tropear na bainha
delicada. Havia uma pequena plataforma na frente do espelho e ela subiu, evitando seu
reflexo at que estivesse perfeitamente posicionada. Ela soltou o vestido, sacudiu o cabelo
do rosto e depois olhou o reflexo.
-- Oooooh! -- ela arfou.
Ali estava: o futuro. Blair nunca vira um vestido mais perfeito na vida. Era to maravilhoso,
a beleza desprendia-se dela. Ela sequer estava usando a maquiagem adequada, mas seu
rosto nunca fora to impecvel. Estava com o suti errado, mas seu seios nunca ficaram to
cheios. Ela se sentia como se tivesse sado da capa da edio de casamento da Town &
Country. Aquela velha teoria -- de que voc simplesmente sabe, de algum modo, quando
encontrou o vestido de noiva certo -- parecia ser verdade.
Eles se casariam na St. Patrick, na Quinta Avenida, e alugariam todos os quartos do St.
Clair para os convidados e para a recepo. O pai de Blair soltaria sua mo com lgrimas
nos olhos, sussurrando, "Eu te amo, ursinha", quando a entregasse a Marcus. Ele seguraria
sua mo com toda a cerimnia, daquele jeito ntimo dele, lembrando a ela que os dois no
s eram completamente apaixonados, eles eram grandes amigos.
--  mesmo uma coisa, no ? -- Lyla cruzou os braos. Estava parada atrs de Blair,
sorrindo com aprovao. Blair encontrou o olhar dela no espelho.
--  simplesmente perfeito -- sussurrou ela, os olhos vidrados na interminvel seda pura
branca.
-- J marcou a data?
Humm, que tal um pedido primeiro? E que tal, sabe como , a universidade?
-- Vou levar -- declarou Blair.
-- Claro -- concordou Lyla. -- No precisa se preocupar. Ele vai adorar.
Blair assentiu hipnoticamente, ainda olhando o prprio reflexo.
-- E o colar? -- perguntou Lyla.
Por que no?, pensou Blair.
Ah, , por que no?

h qualquer coisa em danny
A nica queixa que Dan tinha de seu emprego na Strand era que a loja carecia de uma
amenidade moderna e essencial: ar-condicionado. Esta manh ele estava plantado no poro
completamente sem ar, tripulando a mesa de informaes e dando uma olhada nas
encomendas especiais, como o pedido para um calendrio de fotos de doena de pele.
Depois de algumas horas de tortura, ele definitivamente estava pronto para tomar um pouco
de ar fresco.
Se  assim que voc chama fumar.
Assim que o substituto dele -- um cara silencioso e carrancudo chamado Brent que
trabalhava ali h uns vinte anos -- chegou para tomar seu lugar, Dan subiu correndo a
escada estreita e saiu. Uma salincia de concreto corria junto ao prdio bege e quadrado e
ele se empoleirou, desfrutando da sombra enquanto acendia o cigarro.
A calada estava tomada de gente olhando as grandes bancas do lado de fora da Strand, que
estavam cheias de livros com superdescontos que ningum queria, como Moedas
colecionveis do Canad contemporneo e Tiger: A verdadeira histria do co que amava
um gato. Dan fechou os olhos e se desligou da tagarelice dos caadores de pechinchas. Deu
um trago fundo no cigarro e pensou em Sidarta, de Hermann Hesse: "O amor agitou o
corao das jovens filhas dos brmanes quando Sidarta passou pelas ruas da cidade, com
seu sorriso radiante, seu olhar imperial, os quadris magros." Dan no conseguiu deixar de
querer ser Sidarta, ou pelo menos ser mais parecido com ele.
Ele queria ter algum com quem pudesse conversar, em especial desde que terminara to
mal a tentativa de bater papo com Vanessa.
Um tapinha no ombro interrompeu seus devaneios. Ele abriu os olhos.
-- Dan? -- Bree estava parada diante dele como uma filha loura e malhada de um
brmane, admirando-o em toda sua sidartanidade.
Quem disse que os desejos no se tornam realidade?
-- Oi -- ele se levantou rapidamente. Bree vestia um top verde justo e short de spandex
banco. O cabelo louro estava preso em duas marias-chiquinhas e a pele tinha um brilho
dourado e saudvel.
-- Est fumando? -- perguntou ela, horrorizada.
-- Ah, no -- Dan largou o cigarro aceso no cho e o apagou rapidamente. -- Estava
segurando para um cara chamado Steve. Ele teve que correr l pra dentro.
Excelente encenao, Shakespeare.
-- Ui -- exalou ela, abanando o ar. -- Fumar faz um mal danado.
-- Ah, eu sei -- concordou Dan de pronto, esfregando as mos na cala verde desbotada.
--  bem ruim mesmo.
-- Fico to feliz de encontrar voc! -- Bree pulou na salincia e comeou a balanar as
pernas como uma criana que precisa fazer xixi mas no quer sair do balano. -- Eu queria
te contar como gostei de Sidarta.
-- ? Que timo. Eu mesmo andei relendo.
--  mesmo? Que coincidncia engraada! T legal. Coincidncia.
-- E a, voc achou o livro interessante? -- perguntou Dan, cruzando as pernas de uma
forma que ele esperava que parecesse quase intelectual e quase atltica. -- O que est
pensando em ler agora?
-- Bom, vou ler um livro que meu iogue est escrevendo. Fala de melhorar o modo como o
crebro se comunica com os outros rgos do corpo, meditando, fazendo ioga e entoando
cnticos. Tem, tipo assim, cinqenta captulos e a maioria deles tem umas cem pginas. Ele
est escrevendo h uns 11 anos, vai tentar publicar este ano e me pediu para revisar. Eu!
Imagine!  uma honra e tanto.
Uma honra? Parece mais um p no saco bem-ioguizado.
-- Mas ento, preciso confessar -- continuou ela, olhando nos olhos de Dan. -- Eu no
vim aqui para falar de livros.
-- No veio? Ela no veio?
Dan corou e olhou para o cho, chutando a ponta de cigarro que afirmou no ser dele. Ele
queria peg-la de volta.
-- No, eu queria ver se voc estaria interessado em sair um dia desses. Sei que pode
parecer meio precipitado mas, sabe como , sou uma pessoa que acredita em aproveitar as
oportunidades. Acho que o universo recompensa as aes ousadas, e voc?
Dan assentiu, ansioso.
-- Estou meio solitria neste vero. Fui criada aqui no Greenwich Village, mas estava em
um internato no Oeste, ento no conheo ningum na cidade. Vou para a Universidade de
Santa Cruz no outono, mas no quero passar meu ltimo vero em Nova York totalmente
sozinha.
-- No, claro que no -- concordou Dan. -- Eu adoraria sair com voc.
-- Demais! -- gritou Bree, pulando da salincia. -- Como  que est a sua agenda?
-- Bom, eu trabalho de dia. Ento a qualquer hora depois das seis.
-- Legal. Acha que est pronto para o Bikram?
-- Claro -- Dan assentiu, embora nunca tivesse ouvido falar desse lugar. Ele no ia a
boates com muita freqncia.
-- Demais! -- guinchou ela de novo. -- Me d seu telefone e vou ligar para confirmar,
digamos, no sbado?
Dan recitou seu nmero e ela digitou em seu Razr rosa-choque. Ele oficialmente tinha feito
um intervalo muito maior do que devia, mas depois que Bree se afastou, precisou acender
outro Camel para acalmar os nervos. No tinha l muita certeza do que era o Bikram --
uma nova boate da moda? Um novo restaurante indiano? Talvez fosse um novo filme
underground independente? Mas isso no importava. Vanessa estava ocupada filmando e
ele marcara um encontro quente com uma linda e doce garota que adorava ler.
Ah, mas  claro que vai ser um encontro bem quente.

luz, cmera, mas nada de ao

-- Corta! -- ladrou Ken Mogul. -- Porra! -- Ele atirou a prancheta verde fluorescente no
cho e pulou da cadeira giratria de metal em que estava afundado. -- Intervalo de dez
minutos, por favor. Preciso da porra de um cigarro.
As mos de Serena tremiam ao segurar a ponta de seu Gauloise para a chama do Zippo de
prata de Thaddeus. Ela inalou fundo, mas a nicotina pouco fez para acalmar seus nervos.
Decorar as falas e recit-las adequadamente tinha se tornado mais difcil do que ela
pensava. Acima de tudo, era terrivelmente assustador ter Ken, o extraordinrio diretor de
freak shows, gritando com ela a cada cinco segundos.
-- No se preocupe com ele -- Thaddeus a tranqilizou, passando as mos em seus cachos
louro-escuros e sorrindo para ela com aqueles olhos azuis adorveis. -- Sei que  difcil, e
pessoalmente acho que voc est tima para seu primeiro filme.  s que estamos com o
cronograma apertado, sabe como , e ele fica nervoso porque precisa agradar aos
produtores. Pode acreditar, no tem nada a ver com voc.
No tem, ?
-- Voc acha mesmo? -- perguntou Serena, aceitando o abrao protetor de Thaddeus.
Normalmente ela no teria ficado to tocada com um cara que s conhecia h alguns dias,
mas Thaddeus no era um homem comum. Era mais do que o simples fato de ele ser um
astro de cinema: eles estavam se fingindo de apaixonados. J se beijaram oito vezes para a
cena idiota do clmax. Parecia natural aninharem-se no sof como velhos amigos.
-- Ateno! -- Ribombou o diretor, voltando para a sala, enfiando o mao de Marlboro no
bolso da camisa amarrotada de brim que, estranhamente, tinha as mangas cortadas, ento
era mais um colete do que uma camisa.
Serena estremeceu ao ouvir a voz dele e Thaddeus ps a mo protetoramente sobre a dela.
-- Eu perdi a cabea aqui -- desculpou-se ele. --Vamos tirar um dia de folga, est bem?
Vanessa e eu precisamos repassar nossa lista de filmagem mesmo, mas quero que vocs
dois continuem trabalhando. Saiam para jantar... Por minha conta.
-- Obrigado, Ken. -- Thaddeus se levantou e se espreguiou, bocejando alto e liberando os
odores celestiais de suor e colnia Carolina Herrera for Men. -- Foi mesmo um longo dia.
Eu adoraria tomar um drinque.
-- E isso lhes dar a chance de trabalhar em sua qumica, no , Holly? Conhea seu
protagonista. Converse com ele, oua-o, aprenda com ele. Eu quero ver vocs combinarem,
est bem?
Serena assentiu e apagou o cigarro no cinzeiro de madre-prola empoleirado precariamente
no brao do sof de couro marrom. Ela podia se combinar, em especial com Thaddeus, mas
talvez no com Ken olhando.
-- Que bom--grunhiu o diretor enfadado. -- Ento vo, aproveitem.  o dever de casa de
vocs.
Jantar com um gato de Hollywood? Tem crdito extra?

Depois de devorar o melhor steak tartare da cidade -- misturado com dois delicados ovos
de codorna e servido com uma saudvel poro de fritas no sal grosso -- Serena e
Thaddeus saram do As Such, na Clinton Street, atualmente o lugar mais bacana e
movimentado do vero. Eles dividiram uma garrafa de Veuve Clicquot, um bolo de
chocolate derretido com cerejas frescas na sobremesa e Serena, bbada, despejou a histria
do motivo para no ter sido aceita de volta na Hanover Academy no outono passado.
Ela passou o vero na Europa, divertindo-se com o irmo mais velho, Erik, e paquerando
franceses. Erik tinha ido para a Brown em agosto, mas Serena foi ficando, e ficando. A
escola parecia to chata e desnecessria quando as praias em Saint-Tropez eram
convidativas, mesmo em setembro. Felizmente a Constance Billard, a escola particular s
de meninas de Nova York que ela freqentara desde o jardim de infncia, tinha sido gentil
o bastante para aceit-la de volta.
-- Eu meio que achei que ia para uma universidade comunitria e moraria com meus pais
pelo resto da vida -- admitiu ela. -- Agora, aqui estou eu, atuando em um filme, morando
sozinha e vou para Yale no outono -- ela sorriu meio de porre e meio sedutoramente para
Thaddeus, -- Acho que nunca se pode saber o que vai acontecer -- no fundo, era um
convite para beij-la. Mas eles estavam em um restaurante apinhado, cheio de olhares e
fofocas e talvez fosse melhor ele no fazer isso.
-- Podemos ir? -- perguntou Thaddeus, como se estivesse louco para lev-la a algum lugar
mais reservado.
Ao sair para a esquina abafada e movimentada, o casal foi surpreendido por um grito sbito
e insistente.
-- Thad! Thad! -- Uma figura volumosa e barbuda saiu das sombras segurando uma
cmera. Tirou fotos enquanto corria para eles, o flash iluminando o trecho de rua que
estaria escuro.
Thaddeus colocou o brao protetoramente na cintura de Serena com um sorriso falso, mas
ainda charmoso, colado no rosto lindo.
Serena tambm sorriu. Estava acostumada a ser fotografada para as colunas sociais dos
jornais. Ela at deu uma de modelo algumas vezes, mas parecia meio assustador ser
perseguida desse jeito.
-- Vamos -- suspirou Thaddeus. Ele acenou para o fotgrafo. -- Tudo bem, cara, t bom,
agora chega. Estamos indo.
Mas o sujeito os seguiu, acenando e pulando como um pugilista, tirando fotos e apertando o
disparador da cmera com tanta rapidez que parecia uma metralhadora. Ele terminou um
rolo de filme, rebobinou a cmera como um perito em questo de segundos e continuou
fotografando.
-- J chega -- ordenou Thaddeus, desta vez com mais firmeza. Ele pegou o brao de
Serena, puxando-a para atravessar a rua. -- Vamos.
Serena continuou a sorrir, mas seus imensos olhos azuis disparavam em volta, procurando
por um txi.
-- Quem  ela, Thad? -- perguntou o fotgrafo de trs deles. -- O que est vestindo hoje,
Thad? -- continuou ele num tom quase de zombaria. --Voc  linda, querida. E voc? O
que est vestindo?
Na verdade, ela estava com seu vestido de vero de fusto Les Best preferido e sapatilhas
de bal preta Capezio, mas estava assustada demais para abrir a boca.
-- J chega, cara! -- gritou Thaddeus com raiva. Ser que ele vai bancar a Cameron Diaz?
Thaddeus deu um passo para o trnsito da Clinton Street, agitando os braos freneticamente
como um nufrago em uma ilha deserta acenando para um avio. Um txi encostou e ele
enfiou Serena no banco traseiro. Depois pulou ao lado dela e bateu a porta. O fotgrafo
encostou a cmera na janela e Serena enterrou a cara no ombro largo de Thaddeus,
sentindo-se meio como a princesa Diana deve ter se sentido pouco antes de morrer.
-- Vai, vai! -- ladrou Thaddeus para o motorista. Enquanto disparavam para fora dali, o
fotgrafo gritou para
eles.
-- Vai ser a capa do Post amanh!
Quando chegaram  esquina da 71 com a Terceira, Thaddeus pagou ao taxista e saltou para
poder manter a porta aberta para Serena. Seus passos ecoaram na noite e o trnsito distante
da Segunda Avenida lembrava um pouco o mar. Serena subiu no primeiro degrau da escada
de seu prdio e se virou. Parada ali, ela estava no mesmo nvel dos olhos de Thaddeus.
-- Gostaria de subir para tomar um drinque? -- perguntou ela, decidida que o incidente
horroroso com o paparazzo no estragasse a noite. Afinal, esta era a primeira vez que tinha
Thaddeus s para ela. No havia um diretor furioso, nem diretora de fotografia atrapalhada,
nem roteiro a seguir. Ela no ia deixar este momento passar em branco.
Ele deu de ombros.
-- Talvez a gente deva s ficar sentado aqui por um tempinho -- ele desabou no degrau. --
Voc est bem?
-- Estou legal -- sussurrou ela, puxando o vestido delicadamente antes de se sentar ao lado
dele.
-- Aquela porra de fotgrafo -- grunhiu ele de mau humor.
Serena colocou uma mo protetora na perna dele.
--  s um babaca -- ela sorriu animadora para Thaddeus. -- No se preocupe com isso.
Vamos subir e vou preparar um bom mojito gelado para voc.
-- s vezes eu fico to cansado disso... Do jeito como eles falam com voc, como se te
conhecessem. O modo como me chamam de Thad, sabia? -- continuou Thaddeus,
ignorando o convite. Serena piscou para a lasca de lua que pairava sobre a rua 72.
-- Deve ser difcil para voc. Quero dizer, as pessoas devem pensar que te conhecem. Elas
vem os seus filmes, vem voc nas revistas.
Mas elas no tm jantares ntimos com ele, coitadinhas.
-- Quer dizer, meu nome nem  Thaddeus, pelo amor de Deus.
-- Como assim? -- perguntou ela, confusa.
--  Tim. Meu agente pensou que devia ser alguma coisa que pegasse mais.
-- Acho que deu certo -- Serena assentiu, perguntando-se subitamente se no devia mudar
o prprio nome. Podia ser bom para sua carreira.
, Serena van der Woodsen no gruda na cabea de ningum.
Ele pegou um mao de Parliament Lights no bolso.
-- Pelo menos aqui  sossegado -- disse ele, acendendo o cigarro.
 verdade. Voc est seguro, bem aqui, comigo.
-- No tem fotgrafos aqui -- Serena riu. -- S ns dois. -- Trabalhando em nossa
qumica -- Thaddeus soltou
uma gargalhada. -- Nosso dever de casa. Dever de casa de qumica, entendeu?
 melhor se prender ao roteiro, meu amigo.
Este era tranqilamente o melhor dever de casa que j deram a Serena e ela estava certa de
estar cumprindo. A questo era como se aninhar nele mas deixar claro que no estava
ensaiando bem a tarefa. Ela queria se certificar de que Thaddeus a visse como Serena e no
como Holly, e que ele pudesse distinguir os beijos falsos dos verdadeiros.
-- Oi de novo -- veio uma voz acima deles. Era Jason, o vizinho de baixo, vestindo um
terno risca-de-giz azul-marinho. A gravata listrada de azul e amarelo estava solta no
pescoo e a gola da camisa branca, desabotoada. Ela no o via desde que ele a resgatara no
primeiro dia no apartamento, e ela na verdade meio que se esquecera dele.
-- Oi, Jason -- Serena queria ser educada, mas sinceramente esperava que ele
desaparecesse. Ele era simptico e bonitinho, mas ela e Thaddeus tinham um dever de casa
a fazer.
-- E a? -- Thaddeus usou o mesmo tom de voz que costumava usar no circuito de talk
shows, simptico e sedutor. Ele estendeu a mo para Jason mas continuou empoleirado na
escada. -- Eu sou o Thaddeus.
Jason desceu os degraus.
-- Vim pegar minha correspondncia. Oi, meu nome  Jason -- ele trocou um aperto de
mos firme com Thaddeus. --  um prazer conhec-lo.
-- Pegue um degrau -- brincou Thaddeus, afastando-se um pouco. -- Tem bastante
espao.
-- Ou a gente pode subir para minha casa e tomar um drinque -- sugeriu Serena, cheia de
esperana.
-- Por que no trazer umas cervejas? -- props Jason. -- Tenho um monte l dentro. E
depois no precisamos nos incomodar com toda aquela escada.
-- Excelente. Eu meio que gosto de ficar aqui. A brisa est boa. Boa companhia. --
Thaddeus sorriu para Serena.
-- Eu tambm -- ela retribuiu o sorriso, embora preferisse muito mais subir e ficar sozinha
com ele. Se ele queria uma brisa, ela podia abrir uma janela.
Jason morava no primeiro andar, ento s precisou de um minuto para disparar para dentro
e pegar trs garrafas geladas de Heineken.
-- Obrigado. -- Thaddeus suspirou enquanto abria a garrafa e atirava a tampinha no degrau
seguinte.
-- Dia longo? -- perguntou Jason.
-- Demais -- concordou Thaddeus. -- O que voc faz?
-- Sou assistente de vero da Lowell, Bonderoff, Foster and Wallace -- explicou Jason
antes de tomar um longo gole. Um carro buzinou alto na rua. Serena olhou o relgio. Esta
conversa era bem interessante, mas francamente ela preferia estar mergulhada em um
banho de espuma com sais e slvia.
-- So os meus advogados! -- exclamou Thaddeus todo animado, como se Jason fosse o
cara mais interessante que ele j conhecera. -- Voc no conhece o Sam, conhece?
-- Eu sei da existncia dele -- respondeu Jason. -- E scio do escritrio de Los Angeles,
no ?
Uma brisa suave levantou o cabelo desgrenhado de Thaddeus na testa.
-- Ele  um pit bull daqueles. Meu Deus, me lembro de uma vez em que eu estava com
problemas contratuais com um estdio e...
-- Mundo pequeno -- Serena bocejou e empinou as sapatilhas de bal.
--  um mundo pequeno mesmo -- Thaddeus ergueu a garrafa, bateu na de Jason e depois
na de Serena.
Ela secou todo o contedo da cerveja e chegou um pouco mais para perto de Thaddeus.
Mesmo que a conversa deles fosse mortalmente chata, ela sabia que estava na presena de
dois jovens cavalheiros gentis que provavelmente a levariam por quatro lances de escada
at seu apartamento se por acaso ela ficasse bbada demais e no conseguisse andar.
Afinal, ela sempre dependeu da gentileza de estranhos.

a noiva fugitiva

Num rompante, Blair Waldorf entrou no saguo do Claridge como uma mulher em uma
misso, e era exatamente este seu caso. Tinha que voltar a seu quarto e revirar os pacotes
que foram entregues. Estava particularmente interessada em revisitar o vestido de noiva
espetacular que fora a maior pepita da semana: a dez mil libras, era ostentoso at para ela,
mas era to perfeito que valia cada penny, e Blair sabia que a me concordaria. E se no
concordasse, Blair sabia que o pai, Harold J. Waldorf, concordaria: ele era um gay
maravilhoso que vivia em grande estilo no sul da Frana. Se havia algum que entendia a
emoo de encontrar o vestido de noiva perfeito, era ele.
Ela devia agendar um encontro de fim de semana com o velho e querido pai em Paris --
no estava na hora de Marcus conhecer os pais dela? Ficava s a algumas horas de distncia
de trem e seria to divertido fazer uma romntica viagem com o namorado e deixar a prima
Camilla para trs. Enquanto marchava pelo saguo, Blair olhou a recepcionista atrs da
elegante mesinha. Perfeito, pensou Blair. Ela mesma podia organizar tudo! Blair disparou
pelo piso de mrmore at a mulher, que escrevia em uma espcie de livro-razo de capa de
couro.
-- Preciso de ajuda -- ordenou Blair. -- Passagens para Paris.
-- Madame! Sra., er, Beaton-Rhodes? -- perguntou a recepcionista, uma asitica baixinha
e empertigada que exibia culos redondos no estilo John Lennon e um corte de cabelo
prtico.
--  Srta. Waldorf, na verdade -- corrigiu-a Blair.
No  Sra., ainda.
-- Sim,  claro -- desculpou-se a recepcionista. -- Madame, estou confirmando sua
reserva para mais uma semana. Correto?
-- Claro, claro. -- Blair acenou. Tinha negcios a resolver. -- Como eu estava dizendo,
quero ir a Paris. Tipo assim, imediatamente.
-- Est tudo bem, ento. S vou precisar do carto de crdito. Para o quarto.
-- Pode colocar na conta de lorde Marcus? -- perguntou Blair, irritada. --  ele que est
lidando com tudo.
-- Entendo -- assentiu a recepcionista, tomando nota em seu caderninho de couro. -- E o
lorde vir logo em visita? Vamos precisar da assinatura dele.
-- No tenho certeza -- admitiu Blair. Ela estava prestes a ter a noite romntica perfeita,
lingerie, champanhe, a coisa toda, mas tecnicamente no falou com ele o dia todo, ento ele
nem sabia que tinham um encontro.
-- Bom, receio termos que agendar um horrio para que o lorde venha assinar os
documentos -- respondeu a recepcionista com firmeza.
-- Tudo bem -- rebateu Blair. -- Vou marcar uma hora. Um grupo de turistas italianos
andava por ali, tirando fotos aleatoriamente de Blair enquanto ela fumegava.
-- Bem, Srta...
-- Waldorf-- repetiu ela.
-- Srta. Waldorf, vamos precisar da assinatura na conta amanh, ou receio que teremos de
liberar o quarto. Temos uma parte interessada.
-- Tudo bem -- respondeu Blair friamente. --Vou ligar para ele agora. -- Blair pegou o
telefone e escolheu o nico nmero em sua discagem rpida. O telefone de lorde Marcus
tocou e, como Blair podia prever, no houve resposta. Ela optou por no deixar recado. J
deixara trs naquele dia. No queria que ele pensasse que ela era uma doida varrida.
At parece que comprar um vestido de noiva no era coisa de doida.
-- Ele no est atendendo -- informou Blair  recepcionista. -- Est muito ocupado no
trabalho agora, mas tenho certeza de que vou falar com ele hoje  noite. Vou marcar para
ele vir e acertar a questo toda, est bem?
Passaram-se s alguns dias, mas Blair j resvalava num sotaque ingls do tipo Madonna,
encurtando algumas consoantes e usando expresses como "a questo toda".
-- Est muito bem. --A recepcionista assentiu. --Apenas lembre-se de que ele ter de
assinar a conta amanh ou seremos obrigados a liberar o quarto. Espero que ele encontre
um momento para se afastar da esposa e vir aqui.
-- Como ? -- perguntou Blair.
-- Perdo? -- respondeu a recepcionista, fingindo-se de boba.
-- O. Que. Voc. Disse? -- Blair podia sentir as pontas das orelhas se avermelhando de
fria. Por um momento ela se esqueceu do vestido que a esperava l em cima, em sua
luxuosa sute. Ela se esqueceu da camareira, que prepararia satisfeita qualquer drinque que
Blair pedisse assim que entrasse. Ela se esqueceu da massagem no quarto que estava louca
para fazer. Ela se esqueceu de Paris.
-- Acredito ter dito que espero que ele encontre um momento para se afastar do esforo e
vir aqui -- respondeu a recepcionista com doura.
-- No disse no -- sussurrou Blair rigidamente, incli-nando-se no balco, a voz muito
baixa. --Voc disse esposa.
-- Tenho certeza de que entendeu mal -- respondeu a recepcionista.
-- Bom, e eu tenho certeza de que voc entendeu mal! -- gritou Blair. Ela nunca foi
tmida. -- Ouvi muito bem o que voc disse.
-- Sim, senhora.  claro. S vou precisar que o lorde aparea para assinar os documentos e
a questo ser resolvida.
-- Ele no  casado. Ela  prima dele -- continuou Blair. -- E eu sou namorada dele. --
Estava praticamente gritando. Do outro lado do saguo, os italianos se viraram para olhar.
 A recepcionista corou fortemente.
-- Poderamos manter a voz baixa?
-- Ah, que se foda -- Blair estava cheia da Inglaterra, do balbuciar educado de todos, da
insistncia britnica na dignidade plcida. Blair no estava interessada em placidez, nem
em dignidade. Foda-se essa piranha, foda-se a Gr-Bretanha, foda-se lorde Marcus e foda-
se a prima cara-de-cavalo da Camilla. De repente s o que ela queria era ir para casa. --
Sabe de uma coisa? No quero o quarto. Quero que ligue para a porra da British Airways e
me compre uma passagem imediatamente. S de ida, primeira classe. Para Nova York--
Blair vasculhou a bolsa e encontrou o carto American Express Black, que atirou na mesa
com raiva.
-- S de ida, primeira classe, Nova York -- repetiu a recepcionista. -- A Virgin tem vos
dirios s onze. Verei se podemos conseguir um lugar.
Virgin. Mas que coisa adequada. Essa no.

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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!


Tenho certeza de que voc viu e aposto que no acreditou mais do que eu. L estava eu,
passeando feliz pela Madison Avenue, em busca de uma nova toalha de praia de algodo,
quando o que vejo? A pior placa do mundo: "fechado". Fechado? Mas no  o que voc
est pensando: parece que o diretor criativo e dndi da Barneys, Graham Oliver, se
entendeu com um certo cineasta indie inepto para a moda e concordou em fechar a loja por
alguns dias para que as cmeras pudessem rodar.

Eu s espero que reabram de acordo com o programado: dizem que a estria nas telas de
uma certa starlet pode precisar de uns belisces. As coisas esto to sombrias, que eles
esto rodando primeiro as cenas em que ela no aparece, na esperana de que toda a prtica
finalmente faa a perfeio.

Agora que a Barneys est fechada por um tempo, estou pensando em sair da cidade para
sempre -- chega desse vai e vem nos jatos fretados e helicpteros. Sei que eu disse que as
coisas no iam esquentar nos Hamptons por um tempo -- em geral eu espero at 4 de julho
para comear a temporada -- mas andei recebendo relatrios sobre uma certa atividade
intrigante na ilha. Posso ter que verificar eu mesma.  to difcil ser eu: como posso estar
em dois lugares -- ou trs, ou quatro, ou cinco -- ao mesmo tempo? No que algum dia
isso j tenha sido um problema para mim.

Guia De Sobrevivncia Para O Vero

No vou citar nomes -- sei que isso  incomum para mim -- mas h muitos infratores
inveterados l fora. Ento, como um cursinho para refrescar a memria, aqui est tudo o
que voc precisa saber sobre:

1) Bronzeamento

Obviamente, o verdadeiro  melhor. Se a Me Natureza no est ajudando,  aceitvel usar
spray, mas lembre-se, seja na beira da piscina ou naquela pequena cmara, voc deve estar
pelada: as marcas de bronzeamento so um horror. E lembre-se de se depilar com cera dois
dias antes e fazer esfoliao! Suas estrias e manchas no agradam a ningum.

2) Sobrancelhas

As iniciantes devem pensar que tm duas, no ? Agora baixe as pinas. No, jogue fora.
V procurar minha amiga Reese na Bergdorf j. E eu no quero ouvir nenhuma queixa de
que custa 45 pratas por sobrancelha.

3) Depilao

 a temporada de banhos de sol, ento no existe a opo de ficar olhando a paisagem. Se
voc vai usar aquele biquni Eres, vamos todas ter um show. Pessoalmente, endosso a
tradicional depilao brasileira (sem dor no h recompensa). E embora eu tenha sido
famosa por optar por uma preciosa tatuagem de aplique Swarovski, no h realmente
necessidade de melhorar o que j  perfeito, h?

Seu e-mail

P: Cara GG,
Soube que tem um filme incrvel e picante rodando pela Internet e ele prova que uma certa
pessoa esteve em um filme antes. Foi rodado numa locao no Central Park, com aquele
gato do N. O cabelo dela parece meio castanho e crespo, mas deve ser S, no ?
-- Cineaste

R: Cara Cineaste,
Vai ter que apurar os fatos direito: houve um filme de, tipo assim, um ano atrs, e ningum
envolvido nesta produo tem nada a ver com o que esto filmando aqui agora. Essa estrela
bem-dotada est fora, fazendo artes -- e quem sabe o que mais -- em Praga. Au revoirl
-- GG
P: CaraGG,
Tem uma garota bem irritante na minha aula de ioga ---eu simplesmente tento entrar em
forma e me manter ocupada enquanto minha melhor amiga est, tipo assim, num
acampamento de arte em Praga durante todo o vero -- mas ela sempre fica tagarelando
que a ioga  um "modo de vida". Mas a, outro dia, depois da aula ela estava desabafando
com o professor, dizendo estar a fim de um novo "amante de livros espirituais" e ele
pareceu muito algum que eu conheo -- s que no . Tipo o gmeo do mal. Ou do bem.
Mas ento, estou confusa. Existem casulos de gente na cidade tomando o lugar de todo
mundo com clones ou o qu?
-- Assustada

R: Cara Assustada,
Esta  uma informao intrigante. Mas duvido que sejam aliengenas -- s vezes  legal s
curtir uma fantasiazinha de vero. Nunca fingiu ser algum que no est de frias?
Experimente um dia: registre-se no hotel como a Principessa de Medici ou coisa assim, e
no se surpreenda se a gerncia lhe mandar um enorme cesto de frutas ou uma Dom
Perignon. Esticar a verdade s vezes tem seus mritos.
-- GG

Flagras

B pagando taxa de excesso de bagagem no balco da Virgin em Heathrow. Lembrancinhas
para os amigos e amados, ou aquela bolsa gigantesca do vestido de noiva? N comprando
alguns gneros de primeira necessidade, como Visine e camisinhas, na White's Pharmacy
em East Hampton. D curtindo uma salada muito saudvel de quatro vegetais na Soho
Natural. Ser que est entrando em forma para a temporada do calo? S pode querer uma
pgina do livro dele --depois de escapulir do ensaio cedo, ela foi direto para a liquidao
da Tuleh perto da F.I.T. e depois fez um pit stop no-to-curto na Cold Stone Creamery.
Ora, ora: parece que uma estrela est matando o trabalho! Como se ela tivesse que se
preocupar com isso.

Pra voc que me ama,
gossip girl

um passarinho me contou

-- Nate Archibald. No acredito no que estou vendo.
-- Oi, Chuck -- murmurou Nate. A caminho de casa naquela tarde, ele percebeu que o
pneu da frente estava meio vazio de novo, ento parou no posto de gasolina BP na Springs
Road. O dia fora incrivelmente quente, o tipo de dia sem nenhuma brisa do mar para cessar
a nvoa, ento as horas de trabalho rduo o deixaram suado, queimado de sol e exausto. A
julgar pelo olhar de pavor na cara macia e naturalmente bronzeada de Chuck Bass, Nate
imaginou que devia mesmo estar horrvel
Mas isso  uma novidade.
-- O que aconteceu com voc? -- Chuck arfou. Baixou os culos de aviador Ray-Ban at o
nariz e passou uma nota de 50 dlares ao frentista do posto. -- Fique com o troco.
-- No aconteceu nada, cara -- respondeu Nate, irritado. Ele tirou a mangueira de ar do
pneu e quicou com a bicicleta no cho para verificar a presso.
Apesar do calor denso, Chuck Bass usava short madras e um casaco com capuz de
cashmere cinza. Como sempre, estava perfeitamente bem-vestido, o queixo quadrado e
macio de comercial de loo ps-barba. Ele estendeu a mo e ajudou Nate a se levantar.
-- Desistiu dos carros? -- perguntou Chuck, acenando com a cabea para a bicicleta de
Nate. -- No me diga que entrou nessa onda de ecologia.
--  -- Nate olhou com esperana para o posto de gasolina BP de telhado cinza
procurando por algum que o salvasse de Chuck.
-- Eu te dou uma carona. -- Chuck sacudiu o gelo no copo plstico de mocha latte gelado
que estava tomando. -- Est uns 38 graus aqui fora e voc parece que saiu do inferno. Nem
quero imaginar como vai ficar depois de pedalar at Georgica Pond nessa bicicleta.
Nate pesou suas opes: meia hora suando contra dez minutos sozinho com Chuck Bass?
Merda por merda....
-- Vamos -- Nate suspirou. Era difcil demais resistir  idia do ar-condicionado do Jaguar
cinza de Chuck.
Chuck abriu a mala do carro e Nate colocou a bicicleta l dentro -- ele no tinha certeza se
ia caber, mas a mala era surpreendentemente grande e eles conseguiram ajeit-la de modo
que s a ponta do pneu ficou de fora. Nate sentou no banco de couro branco e bateu a
pesada porta, puxando o cinto de segurana e se preparando para a carona.
Chuck ligou a ignio e o carro imediatamente foi inundado de ar frio e "Houses of the
Holy", do Zeppelin, retumbou pelos alto-falantes.
-- Fiquei na praia em Sag Harbor o dia todo, sentindo-me retr -- explicou Chuck,
abaixando o volume. -- E a... Vamos colocar a vida em dia.
-- Em dia--Nate fez eco, sem expresso nenhuma. Pelo tom de voz de Chuck, ele sabia
que ia ter que aturar uma enxurrada de perguntas. Conversar com Chuck era como estar
numa entrevista de emprego.
-- Imagino que tenha ouvido falar da Blair. --- Chuck aumentou o ar-condicionado,
embora j estivesse congelando. Entrou na estrada que ligava Hampton Bays a East
Hampton, que Nate agora praticamente conhecia de cor. Campos de vinhedos alternavam-
se com casas de bom gosto, telhados cinza em estilo colonial, e de vez em quando ele via o
mar azul escuro atrs do quintal de algum.
-- Blair? -- perguntou Nate enquanto eles passavam pela Oyster Shack  esquerda. Estava
to preocupado com Tawny, que at dizer o nome de Blair em voz alta parecia estranho.
Blair foi passar o vero na Inglaterra com o novo namorado britnico, pelo que ele sabia.
Ela parecia muito distante quando ele pensava nela, embora seus caminhos em breve se
cruzassem novamente. Ela podia estar loucamente apaixonada por aquele cara ingls, mas
no havia como Blair Waldorf abandonar seu sonho de toda uma vida de ir para Yale no
outono. Um reencontro em setembro no campus era inevitvel.
-- Ela voltooooooooou. -- Chuck estendeu a palavra como aquela garotinha apavorante de
Poltergeist. Ele sacudiu o gelo no copo e tomou a gua com gosto de caf que ficara no
fundo. -- Desembarcou hoje de manh.
-- Ah, ? -- Nate mexeu no cinto de segurana na altura do ombro. Blair voltou de
Londres? Isto sim era novidade.
--  -- Chuck assentiu casualmente, abaixando mais o volume do som. -- Fico me
perguntando se ela e Serena j se beijaram e transaram. De novo. Entende o que eu quero
dizer.
-- Blair e Serena nunca ficam brigadas por muito tempo -- murmurou Nate, tamborilando
o polegar na maaneta da porta no ritmo da msica. Ele sabia muito bem. Em geral era ele
que provocava as rixas entre as duas.
-- Mas  boa notcia para Serena -- acrescentou Chuck com malcia. -- Ela pode precisar
mesmo de uma amiga.
Nate no respondeu. Tudo o que Chuck disse o deixou meio inquieto, como se o mundo
estivesse girando sem ele. Ele s estava nos Hamptons h uma semana e j no sabia que
porra estava acontecendo.
-- Dizem que ela est tendo um probleminha com aquela histria de filme -- observou
Chuck. -- Mas tenho certeza de que vai sair dessa por cima. Ela sempre consegue.
-- Filme -- repetiu Nate. Tinha se esquecido do filme de Serena. Esse lance parecia
totalmente alheio a sua vida de trabalhador. Nate de repente foi dominado pelo desejo de
fumar um. Ele puxou o acendedor de cigarros do carro. -- No se importa, no ?
Chuck deu de ombros.
-- No importa quantos problemas Serena possa ter, no  nada comparado com a confuso
em que Blair se meteu -- Chuck acelerou, deu uma guinada para a direita em um
cruzamento e os pneus cantaram. As casas e os gramados ficavam maiores quanto mais eles
avanavam.
-- Que problema? -- perguntou Nate, acendendo o baseado fumado pela metade que
sensatamente tinha guardado para um momento como esse.
-- A Blair acaba de voltar de Londres s pressas. Com alguns... pacotes.
-- Que pacotes? -- Nate j se sentia extremamente chapado. Ou era ele, ou Chuck era um
babaca to grande que quase no era humano, como um andride ou coisa assim.
-- Bom, quando estava em Londres, Blair comprou um monte de coisas porque
simplesmente no podia viver sem elas. Tipo um vestido de noiva. E um daqueles carrinhos
de beb ingleses e antiquados. Depois ela comprou uma passagem para Nova York.
-- O que est querendo dizer? -- perguntou Nate. Uma tenda de eventos, grande e branca,
estava montada em um gramado e chamou a ateno dele. Uma noiva toda cheia de frufrus
e o noivo de cabelo sujo segurando uma guitarra posavam para fotos junto a um carvalho
no muito longe dali. Os metidos a astros de rock sempre se casavam nos Hamptons.
-- Blair voltou numa pressa danada, trazendo um vestido de noiva e um carrinho de beb...
No sei no. -- Chuck suspirou de impacincia. -- Ligue os pontos.
Esses pontos no eram complicados -- nem para um doido.
Tinha que ser um grande acontecimento para convencer Blair Waldorf a interromper sua
curta viagem. Ser que ela veio para casa para planejar o casamento? Nate no colocaria a
mo no fogo por ela, mas simplesmente no conseguia imaginar Blair de vestido de noiva,
andando pela nave central, a no ser que ele estivesse ali, de smoking, bem ao lado dela. 
claro que eles nem estavam mais juntos, mas, de certa forma, era impossvel para Nate
imaginar Blair -- a Blair dele -- casando-se com outro.
Nate ficou pra l de aliviado quando eles encostaram na entrada de carros de cascalho da
propriedade dos Archibald. Ele precisava ficar sozinho com as novidades e outro baseado
bem maior.
-- Obrigado pela carona, cara -- murmurou Nate distrado, atrapalhando-se com o baseado
ao sair do carro.
-- Se quiser conversar mais um pouco, Nate -- disse Chuck pela janela do carona --, eu
podia entrar. A gente pode pedir um sushi.
Ignorando a oferta solitria e pattica de Chuck, Nate pegou a bicicleta na mala e seguiu
pela entrada de carros. Precisava limpar a mente.
Tambm precisava aprender a no acreditar em tudo o que ouvia. (At parece que ns no
cometemos esse tipo de erro de vez em quando.)

s segue os passos de audrey. Literalmente

Serena saiu de um txi amarelo ostentoso em um trecho movimentado da Quinta Avenida,
vestindo uma roupa simples e preta e enormes culos de sol, cortesia do estilista Bailey
Winter. Estava com o figurino -- nem Serena ousaria andar pela cidade no meio do dia
num vestido de noite -- ensaiando a cena de abertura do filme. Holly tinha que olhar a
vitrine da famosa joalheria Tiffany and Company enquanto tomava o caf-da-manh depois
de uma longa noite fora, assim como Audrey Hepburn fez no filme original.
Segurando um copo de caf e um saco de papel pardo cheio de massa folhada dado pelo
departamento de publicidade, Serena andou empertigada para o prdio elegante, contando
os passos para si mesma, lenta e deliberadamente, Um, dois, trs, quatro.
-- Cuidado -- ladrou um executivo de terno, roando nela enquanto grunhia em um
celular.
-- Desculpe -- murmurou Serena, sentindo-se aturdida. Ela voltou ao meio-fio, virou-se e
refez os passos. Tentou manter as costas perfeitamente retas, como Ken lhe instrura a
fazer, mas precisava se concentrar tambm em seguir em linha reta at a loja, o que era
quase impossvel porque havia muita gente em volta. Ela finalmente conseguiu, mas as
vitrines estavam completamente bloqueadas por turistas, tirando freneticamente fotos dos
produtos exibidos. Isto sem dvida nenhuma no estava no roteiro.
Uma velha gorducha de saia e tnis estendeu a cmera para Serena, gesticulando que queria
que Serena tirasse uma foto dela. Serena deu de ombros, largou o saco de papel pardo na
rua e pegou a cmera. Focalizou e tirou uma foto da mulher, que sorria e apontava para o
logo da Tiffany.
-- Obrigada! E agora posso tirar uma foto sua? Voc trabalha na loja, no ? -- Serena
estava pasma.  claro que devia estar parecendo uma monga, andando pela vitrine,
contratada pela Tiffany na esperana de que o vnculo com o filme antigo vendesse mais
jias. Ela manteve o sorriso colado na cara enquanto a mulher batia a foto, depois pegou
seu saco de papel e voltou ao meio-fio. Um nibus passou rugindo, mandando uma lufada
de fumaa quente em seu vestido.
Aaaah, o vero na cidade.
Serena olhou a loja, todo o seu corpo tremia de frustrao. Fazia quase uns 38 graus, ela
suava e vestia roupa em excesso, as pessoas estavam olhando e ela s queria ir para casa--
para a cobertura dos pais, no para a lixeira fedida a mijo de gato -- e vestir um short de
linho, uma camiseta sem mangas e chinelos confortveis, e passar a tarde bebendo Coronas
e vendo uma maratona de Laguna Beach. Ela sempre conseguia se destacar em tudo, da
escola e do hipismo aos homens, tudo, sem sequer tentar. Tinha certeza de que atuar seria
to fcil quanto todo o resto que experimentara na vida, mas at agora Ken Mogul eslava
claramente insatisfeito com seu desempenho.
Ela se perguntou se at Blair Waldorf, a maior tiete de Bonequinha de Luxo, teria sido
capaz de agentar os ataques manacos de Ken Mogul.
Serena recomeou sua aproximao da Tiffany's mais uma vez.
-- Olha, querido -- gritou uma sulista atarracada de voz estridente, apontando Serena para
o marido careca e barrigudo, que exibia o indefectvel modelito de short cqui com pregas e
uma cpia barata de camisa plo Lacoste, encimando meias pretas sob os sapatos de couro
barato.
-- Bom, agora eu j vi tudo -- exclamou o homem.
--  exatamente como em Bonequinha de luxo, no ? -- continuou a mulher,
aproximando-se de Serena. -- Oi, meu bem,  algum golpe de publicidade?
Serena fingiu no ouvir. Quem podia imaginar que as caladas de Manhattan seriam to
traioeiras? Ela recuou para o meio-fio e tomou coragem, depois fez a caminhada
novamente.
Mas isso  que  dedicao.
Ela podia parecer uma atrao turstica engraada para as pessoas que passavam, mas, por
dentro, era uma atriz frustrada e tempestuosa  beira de um ataque de nervos daqueles. A
verdade era que Serena nem queria mais atuar; queria desistir, ir  Barneys e ver se tinha
alguma coisa nova nas prateleiras. Mas  claro que no podia fazer isso: primeiro porque a
loja estava fechada para as filmagens, ento ela era parcialmente responsvel pelo prprio
pior pesadelo, segundo porque ela nunca fracassou em nada na vida e no fundo era to
competitiva quanto a ocasional melhor amiga, Blair.
-- Bundinha linda, minha loura -- disse uma voz grave de trs dela.
Serena se virou e viu um cara olhando de lado para ela do banco traseiro de um txi. Que
grosseria. Audrey Hepburn nunca teve que lidar com esse tipo de lixo.
No, mas tambm a bunda de Audrey Hepburn era meio achatada. Mas pelo menos ela
sabia atuar.

dinheiro no  capim, meu bem

Blair no sabia se as marteladas eram em sua cabea -- tinha virado alguns usques no
avio -- ou se eram reais. Ela levantou a cabea: no, eram reais e vinham da porta do
quarto onde tinha desabado na noite anterior, o quarto antes ocupado pelo meio-irmo
hippie, Aaron Rose.
-- Blair Cornelia Waldorfl
Mais marteladas. Era a me e a voz dela estava... diferente. Seria uma doena? Tinha algum
problema na boca?
Eleanor Rose abriu a porta e irrompeu no quarto escuro, empoleirando-se na beira do
colcho. Trazia uma caneca de caf e estava com a roupa de dormir de vero, uma
combinao Eberjey de babados meio-curta-demais e robe da mesma cor.
-- Acorda! -- guinchou ela com a voz rouca.
Blair puxou as cobertas por cima da cabea e gemeu. Por que a me estava desse jeito de
manh to cedo?
-- Blair Waldorf -- sibilou a me. -- Estou falando srio, mocinha. Saia da. Precisamos
ter uma conversinha.
-- Espero que saiba que eu mal dormi -- rebateu Blair, sentando-se e pegando o caf com
a me. Ela tomou um longo gole e puxou a blusa branca e fina Hanro que escolhera para
dormir.
-- Primeiro -- arengou Eleanor --, o que est fazendo em casa? Segurando o robe com
uma das mos, ela se inclinou e examinou a cara da filha. -- Voc devia estar em Londres!
Para uma mulher de 50 e poucos anos que acabara de ter um beb, Eleanor tinha tima
aparncia pela manh. Blair se perguntou se a me fizera alguma coisa no rosto enquanto
ela estava fora, ou talvez fosse algum novo creme para os olhos que Blair ia acabar
roubando.
-- Aconteceu uma coisa -- Blair pegou as compressas ensopadas de ch verde que
mantinha em uma gaveta da mesa-de-cabeceira, colocando uma em cada olho.
-- Bem, da prxima vez voc pode pensar em me dar um telefonema e me informar que vai
aparecer -- Eleanor tirou as compressas. -- Recebi uma ligao hoje de manh da
American Express. No gosto quando minha empresa de carto de crdito sabe do
paradeiro de minha filha antes de mim.
-- O qu? -- perguntou Blair, sentando-se um pouco mais reta.
-- A American Express ligou porque algum colocou uma passagem de avio de 4 mil
dlares em minha conta -- ralhou Eleanor. --Eu estava a ponto de chamar a polcia.
Depois vi a mala Herms de couro azul nova no hall.
-- Eu cheguei tarde -- explicou Blair. -- No queria te acordar.
-- Isto  apenas parte do problema -- Eleanor se levantou e andou pelo quarto. -- Blair, j
est na hora de voc ter alguma responsabilidade. Voc no  mais criana. Vai ter que
aprender a administrar seu dinheiro.
Isto partindo de uma mulher que comprou uma ilha no Pacfico Sul para cada um dos
filhos!
-- Me -- gemeu Blair.
-- No me venha com "me" -- ordenou Eleanor com aspereza. -- Sabe que eu nunca digo
no a meus filhos, voc sabe disso, no ? Sempre lhe dei tudo o que voc quis, no dei?
Bom, no era tarefa dela?
-- Sim, eu dei -- Eleanor nunca havia passado sermo de me antes e Blair podia ver no
que ia se meter.--Mas desta vez foi demais. Conversei com Cyrus sobre isso e
concordamos que alguma coisa precisa ser feita.
Pera, por que a me dela discutia os problemas particulares da filha com Cyrus Rose, o
padrasto idiota, de cara vermelha e bunda suja?
-- Nem sei do que voc est falando. -- Blair bocejou, secando a caneca de caf. Ela se
perguntou quanto tempo esta conversa particular ia durar. Toda a coisa era to... chata. Ela
precisava dormir mais, e de um longo banho, e de uma mscara facial para se livrar de toda
a porcaria de Londres, e talvez um corte de cabelo e algumas luzes emoldurando o rosto
para combinar com a cara limpa e esfoliada.
-- Estou falando, Blair, desta conta da American Express -- Eleanor sacudiu um fax
amassado. -- Pedi que me mandassem assim que a mulher do telefone me falou de suas...
exploraes de compras.
Epa.
-- Bom, me -- admitiu Blair. -- Posso ter passado dos limites um pouquinho no vestido
de noiva, mas depois que voc o vir, sei que vai concordar que...
-- Vestido de noiva? -- A me arfou. -- Acho que isso explica a conta de 18 mil dlares.
Que histria  essa de vestido de noiva? -- Ela se sentou na cama e se abanou com os
dedos incrustados de diamantes. -- Acho que vou desmaiar! Voc se casou? Ah, Blair! No
sei o que dizer! -- Ela atirou os braos em Blair e irrompeu num choro ruidoso. Depois se
sentou abruptamente. -- No, espere, eu sei: s sobre meu maldito cadver voc se casaria!
Voc perdeu o juzo? Blair revirou os olhos.
-- No, me, no me casei. Pelo menos, no agora. De qualquer forma, esse vestido s
custou 10 mil, e no 18.
Ah, sim, isso  muito melhor.
-- No, minha querida, minha criana inocente -- Eleanor sacudiu a cabea. -- No
percebe que a taxa de cmbio  de quase dois para um?
-- Olha -- declarou Blair apressadamente --, eu peo desculpas, t? Eu s comprei umas
coisinhas, e todas so para a faculdade.
Ah, t. Todo mundo usa vestido de noiva no ano de caloura.
Parecia que ela no ia escapar to cedo. Blair pegou a nova edio da W que tinha deixado
na mesa-de-cabeceira. Comprara a revista enorme para se manter ocupada no longo vo,
mas o usque de cortesia Maker's Mark acabou sendo uma distrao muito mais
interessante.
-- Blair -- Eleanor suspirou e apertou o joelho de Blair atravs da colcha de cnhamo
marrom-arroxeada. -- No me importo de voc comprar umas coisinhas... Mas um vestido
de noiva? -- ela parou. -- Ainda assim, aposto que  um vestido e tanto.
-- E  mesmo! -- exclamou Blair. Esta era a me que ela
conhecia e meio que amava.
-- Mesmo assim, conversei sobre isso com Cyrus e vou ligar para seu pai hoje  tarde, mas
acho que ele vai concordar que, como agora voc est em casa, presumivelmente para
ficar...
-- Eu definitivamente no vou voltar para Londres -- interrompeu Blair, tentando no ficar
emotiva com sua partida dramtica da cidade natal de Marcus. Ser que ele percebeu que
ela foi embora?
-- ... esta  a oportunidade perfeita para voc encontrar um trabalho de vero. Um
emprego.
Um o qu? No comprendo, seora. O quarto girava.
-- O que est dizendo, me? Um emprego?
-- Sim, querida. Um emprego.
Blair caiu de costas nos travesseiros e atirou os braos nos
olhos.
-- Mas eu vou morrer se tiver que trabalhar.
-- No exagere -- insistiu Eleanor. -- Ser uma experincia tima antes de comear a
faculdade.
-- E por acaso voc j trabalhou na vida?--perguntou Blair. Ela comeou a folhear a
revista furiosamente, quase rasgando as pginas. Tinha acabado de fugir de um pas, depois
de ter sido rejeitada pelo amor de sua vida. Um sermo da me que nunca-trabalhou-um-
dia-na-vida sobre os mritos do emprego e de se virar sozinha era a ltima coisa de que
precisava.
-- Isso no vem ao caso -- respondeu Eleanor monotonamente. -- No estamos falando de
mim, estamos falando de voc ajudar a pagar parte destas contas absurdas. Se vai gastar
tanto, ter que ganhar alguma coisa.
Trabalhar no vero? Blair fechou os olhos -- ningum que ela conhecesse estava
trabalhando neste que era seu ltimo vero de frias. Ningum! Bom, a no ser o Nate, mas
era um castigo. Tinha Serena tambm, mas no era bem um emprego -- era a realizao de
um sonho.
Os olhos de Blair de repente pararam na pgina diante dela. E por falar na porra do diabo.
Ali, espremida no meio das ltimas fofocas de Suzy sobre a sociedade, estava uma foto de
Serena van der Woodsen de braos dados com o estilista Bailey Winter. Blair se lembrou
de quando a foto foi tirada, no desfile de Winter da temporada anterior. Ela e Serena se
sentaram na primeira fila -- naturalmente -- e quando o estilista apareceu no final,
percebeu Serena na platia e a puxou para a passarela com ele.
Desligando-se do tagarelar incansvel da me, Blair olhou a pgina para ver onde havia
alguma notcia sobre Serena. E estava bem ali: a coluna de Suzy era toda sobre como
Bailey Winter assinara com Ken Mogul para fornecer o figurino do novo projeto de cinema
de Mogul, Breakfast at Fred's. J no bastava que Serena fosse a estrela do filme com
Thaddeus Smith; tambm tinha que usar o figurino desenhado por um dos melhores
estilistas americanos vivos?
-- Eu s acho que  uma questo de responsabilidade, Blair -- declarou a me. -- Quando
voc tiver 21 anos, vai ter acesso a seu fundo de reserva, e seu pai, Cyrus e eu precisamos
saber que voc vai lidar com o dinheiro de forma responsvel. Ns acreditamos firmemente
que um emprego  uma forma perfeita de voc aprender a administrar o dinheiro e realizar
os desejos de outras pessoas, no s os seus.
Blair olhou a feia colcha cor de elefante. Tudo bem, ela vai conseguir um emprego de
vero. Mas no vai admitir nada menos do que o emprego de vero mais glamouroso que se
possa imaginar.
-- Sabe de uma coisa -- refletiu ela --, talvez voc tenha razo. Talvez um emprego seja
exatamente o que eu preciso para me manter ocupada neste vero.
-- Sim! -- gritou a me, toda feliz. -- Eu sabia que voc
ia entender!
-- E talvez voc possa me ajudar a conseguir um, no ?
-- perguntou Blair, com doura.
-- Claro que sim! -- concordou Eleanor. -- Tenho certeza de que podemos dar uns
telefonemas e encontrar alguma coisa maravilhosa agora mesmo!
 claro que s havia um telefonema que ela precisava que a me desse. Ser filha de Eleanor
Rose, a mais fiel cliente da Bailey Winter, certamente era uma mo na roda quando se
tratava de conseguir uma vaga de assistente no set de Breakfast
at Fred's.
Se no puder derrot-los, junte-se a eles!

est ficando quente por aqui

Fechando furtivamente a mo em concha, Dan deu um longo trago no cigarro e o atirou no
cho, apagando-o rapidamente com o p e exalando a fumaa na brisa. Estava plantado em
um banco da esquina da Sexta Avenida com a Houston e podia ver Bree atravessando a rua.
No queria que ela o pegasse fumando -- de novo.
-- Dan! -- chamou Bree, desviando-se do batalho de txis que se arrastavam pela Sexta
Avenida, acenando toda animada. Ela vestia calas stretch pretas e curtas que se alargavam
um pouco nas panturrilhas e um top esportivo turquesa, e portava uma garrafa de gua
Nalgene. Ela trotou pelo trnsito e sentou no banco.
-- Oi!  to bom ver voc.
-- Igualmente -- respondeu Dan, fechando ah-to-casualmente o livro e sorrindo para ela.
-- Ah! Voc est lendo O caminho do artista! -- exclamou ela. -- Eu amo este livro.
--  mesmo? -- Dan teve a sensao de que ela amava mesmo. -- Que coincidncia
engraada.
Mas  claro.
-- Total -- disse Bree, rindo. -- Primeiro Sidarta, agora O caminho do artista? Voc deve
ser o especialista em espiritualidade da Strand.
-- Ah, sem dvida -- mentiu Dan. -- Todo funcionrio que eles contratam precisa ter uma
especialidade diferente.
-- Que bom. -- Bree pegou a mo dele e o puxou do banco. --Agora venha! Vamos
chegar atrasados.
-- T legal -- concordou Dan animado. -- Detesto perder os trailers.
-- Trailers? -- perguntou Bree. -- No vamos ao cinema. Lembra? Vamos ao Bikram.
-- Ah,  -- respondeu Dan, nervoso. -- Bikram, Bikram, Bikram. No  um cinema.
Talvez um restaurante? -- Tudo bem. Humm, bom, eu estou, er, faminto.
Bree riu.
-- , eu mesma estou com fome de algum exerccio. Vamos correr, assim no vamos
perder essa aula... As sesses da tarde so ainda mais intensas do que as que eu costumo
fazer. E talvez depois eu te compre um Jamba Juice.
Aula? Jamba Juice? Ela pode muito bem estar falando em suali. Dan no fazia idia de
aonde estavam indo, mas seguiu Bree pela rua, batendo papo sobre livros que ele no leu e
ficando cada vez mais preocupado. No parecia provvel que eles estivessem indo a um
restaurante. Depois Dan olhou para cima e viu, assomando na distncia: uma placa pintada
 mo com uma fonte engraada, de estilo indiano, que devia parecer snscrito e
proclamava orgulhosamente, BIKRAM. No era um cinema. No era um restaurante. O
Bikram era uma espcie de ioga. Bree o estava levando a uma aula de ioga.
Namast!
Bree trotou escada acima ansiosa, como uma criana na manh de Natal. Virou-se e olhou
por sobre o ombro para Dan, que estava ficando para trs, tentando pensar em uma
desculpa para no participar. Ele decidiu fingir uma leso e estava tentando escolher uma
parte do corpo que podia alegar ter machucado. Tinha talvez uma costela quebrada, de
levantar tantos dicionrios. Ele foi atropelado por um carro a caminho do trabalho hoje de
manh e tinha certeza de que estava com uma concusso. Tinha um raro distrbio
neurolgico que lhe dava apages em salinhas lotadas, cheias de gente suarenta deitada em
tapetes de borracha coloridos.
-- Alis, Dan -- gritou Bree para ele --, que bom que no se deu ao trabalho de trocar de
roupa. Para as sesses da tarde, o iogue mantm o sistema de aquecimento mais forte do
que o de costume, ento geralmente ficamos nus.
Agora as coisas estavam ficando complicadas. Primeiro, no havia como ele fazer ioga e,
segundo, uma ova que ele ia fazer ioga nu. Por outro lado, Bree tambm estava ali; ele ia
v-la completamente pelada na primeira vez em que saam juntos.
-- Humm, timo! -- disse ele com entusiasmo, j sem flego de subir a escada. Dan nunca
fez exerccios na vida, mas a viso do traseiro redondo e firme de Bree a alguns passos
acima dele era toda a motivao de que precisava. Pouco importava que ele nunca tivesse
feito ioga, pouco importava que certamente fosse humilhado e que se fodesse a escada
aparentemente interminvel: ele ia ficar em todo tipo de posies retorcidas com Bree, nus.
No era algo para adorar?
Esse  o esprito da coisa!
-- Venha! -- insistiu Bree animada.
Dan chegou ao alto da escada e a seguiu, entrando no Estdio de Ioga Tranqilidade, um
espao aberto com um piso reluzente de tbuas de pinho. A sala era quase toda composta
por janelas e era inundada pelo sol da tarde -- e os raios s intensificavam o calor. A
temperatura na sala devia estar perto de 40 graus e, com a luz do sol e os corpos nus,
tambm estava mida e muito... odorosa.
Em uma plataforma na frente do salo estava um indiano emaciado com a pele reluzente de
leo, vestido apenas com um roupo de algodo branco frouxo na cintura, sentado com as
pernas delgadas cruzadas. Abaixo de suas sobrancelhas de-piladas com pina, os olhos
estavam fechados e ele sorria beatificamente. Na frente dele havia uma mulher de uns 40
anos que parecia a Kate Couric fazendo o alongamento de aquecimento, a pana pendendo
frouxa nas coxas nuas e venosas.
Dois homens se aqueciam perto das janelas -- um deles com msculos longos e rijos,
arqueando as costas de uma forma que no parecia natural, e um vov de cabelos brancos
que tocava os dedos dos ps sem nenhum esforo. Ele realmente deixava Dan no chinelo...
em todos os quesitos.
--  melhor tirar a roupa. -- Bree piscou para Dan. -- O mestre no gosta de comear a
aula nem com um minuto de atraso. Qualquer um que no se despir e se preparar 
solicitado a se retirar.
Dan estava prestes a explicar a Bree que era epiltico e tinha se esquecido de tomar o
remdio, mas ela comeou a tirar o top turquesa pela cabea. Caraca. O que ele podia
fazer?
Tirar tudo!
Ele puxou a camiseta suja pela cabea e deixou que casse no cho. Depois abriu o cinto,
tirou os sapatos e baixou os jeans. Era o nico homem no salo de cuecas samba-cano,
mas as manteve teimosamente.
Como se seu bronzeado de vampiro e os braos esquelticos j no fossem destaque
suficiente.
Ele enrolou as meias em bolas e as enfiou nos sapatos, depois respirou fundo e seguiu Bree
no cho, onde ela comeava a se alongar. A pele perfeita de Bree era totalmente bronzeada
e disso ele podia ter certeza, j que estava vendo tudo. O cabelo louro e comprido caa em
um dos seios que cabiam na mo e Dan precisou lembrar a si mesmo que no podia
simplesmente peg-los agora. Ela se curvou e tocou as palmas das mos no cho. Ele tentou
imit-la, mas mal conseguia tocar os joelhos. Era uma agonia.
-- No se curve -- sussurrou Bree. -- Estique, estique.
Era impossvel ver o corpo nu e perfeito de Bree esticando-se e se contorcendo sem o
passarinho na cueca se expandindo a propores constrangedoras. Dan encarou enquanto
ela colocava o p em uma das mos e esticava a perna direto por cima da cabea. Ele
fechou os olhos e tentou pensar em coisas nada sensuais, como a comida que sempre ficava
presa na dentadura da tia Sophia ou a calada na frente de seu prdio sempre cheirando a
xixi de cachorro. O suor j estava descendo por seu rosto e eles ainda nem tinham feito
nada. Ele usou o antebrao para enxugar o suor da sobrancelha.
-- Dan, no! -- sussurrou Bree. -- No deixe que o mestre veja isso. Estamos fazendo
tudo isso para suar. No pode enxugar. Vai contra os ensinamentos dele.
Por que o Bikram no era um bom filme estrangeiro? Eles podiam estar comendo pipoca
em uma sala escura com ar-condicionado e se agarrando em vez de suar nesta sala
sufocante, seguindo as ordens de um sdico. De repente o professor se levantou na frente
do salo e deixou o roupo cair no cho.
-- Namast! -- disse ele, numa voz alegre e grave, cur-vando-se um pouco.
-- Namast! -- respondeu o resto da turma, curvando-se tambm.
Bom, a maioria da turma.
-- Vamos comear pelas posies executadas em pares -- ele gesticulou para que todos
formassem um par. -- Prestem ateno na postura dos ombros. Comecem com o cachorro
olhando para baixo, se quiserem.
-- Pronto? -- sussurrou Bree. Ela tinha uma marca de nascena do tamanho de uma unha e
no formato do Texas perto do umbigo.
Bree se curvou e colocou as palmas das mos no cho e depois balanou o traseiro como se
estivesse se preparando para a largada de uma corrida. Dan olhou em volta, alarmado, mas
todos os outros faziam a mesma coisa. Seus parceiros estavam at segurando delicadamente
os quadris. Dan tentou tocar Bree na cintura e ela trouxe o joelho direito ao cotovelo deste
mesmo lado do corpo e depois fez o mesmo com o esquerdo.
-- Me mantenha estvel--disse-lhe ela. Dan se agachou ao lado de Bree, as mos
circundando a cintura tensa enquanto ela levava as pernas longas e tonificadas para cima e
sorria para ele de cabea para baixo. --Acho que agora consegui.
-- Ah, tudo bem -- disse Dan, recuando. Mas ao se levantar, ele percebeu que as cuecas
estavam totalmente estufadas na frente e seu "amigo" estava totalmente exposto... e
totalmente excitado. Ah, meu Deus. Ele ficou meio agachado, tentando desesperadamente
imaginar os dentes toscos da tia Sophia de novo.
-- Jovem -- o apavorante mestre pelado de ioga apontou
para Dan.
Eu? Dan apontou para si mesmo, ainda meio agachado. Todos na sala viraram-se para olhar
para ele.
-- Sim, voc. Venha, meu filho -- o professor acenou para Dan com os dedos longos e
esqulidos.
-- V l -- sussurrou Bree de cabea para baixo. -- Isto  uma honra, eu nem acredito... E
ainda por cima na sua primeira vez.
Dan andou pelo piso de madeira tentando parecer despreocupado, cobrindo a virilha
desesperadamente com as mos. Ele chegou ao p da plataforma e o professor sorriu para
ele placidamente.
-- Venha, meu filho -- disse o professor. --Vai trabalhar comigo hoje.  sua primeira vez,
no ?
Dan assentiu, nervoso. Todo seu corpo tremia ao subir na plataforma. O iogue estendeu a
mo e colocou as palmas quentes no cho, dando a Dan um close medonho de sua bunda de
pele-enrugada-de-elefante. Todos no salo o acompanharam e, por um breve segundo, Dan
teve um vislumbre surreal dos peitos nus de Bree de cabea para baixo entre as pernas
esticadas. Seu devaneio foi interrompido quando o professor o pegou pelas costas,
apertando a barriga nua nas costas magricelas de Dan, e delicadamente o guiou para baixo,
de modo que s o que Dan podia ver eram as prprias pernas e as pernas esquelticas do
cara pelado ao redor dele. Dan nunca teve intimidades com uma pessoa mais velha, que
dir um velhote de ioga indiano.
Mas quando um cara quer uma garota, ele perde a vergonha.

n de nativo

-- Sei de um lugar timo onde a gente pode ir depois -- anunciou Tawny. Ela lambeu o
polegar e o enfiou em um cesto gorduroso de camaro empanado para pegar uns farelos
fritos.
Nate tomou um ltimo gole da cerveja inglesa Corona e assentiu.
-- Por mim, tudo bem.
Espremidos a uma mesinha perto da janela sebenta do Oyster Shack, eles comeram com os
dedos, tomaram cerveja e conversaram--bom, a maior parte da conversa foi de Tawny.
Que ela estava aprendendo a surfar. Que o pai dela foi chefe dos bombeiros, mas se
machucara numa queda de uma escada e se aposentou. Que ela foi  Disney quatro vezes.
Que o cabelo dela era naturalmente cacheado, mas as pessoas sempre pensavam que era
permanente. Que ela estava animada para finalmente se formar no ano que vem.
Nate mal ouvia o que Tawny dizia: ela era tremendamente sexy e ele curtia simplesmente
olhar para ela. No havia muitas meninas como Tawny no Upper East Side: cabelos cheios,
louros e ondulados derramando-se sobre os ombros sardentos e cor de caramelo; lbios
rosados que tinham gosto de ChapStick de cereja, olhos azuis de clios longos e dedos
magros e bronzeados cobertos de anis de prata.
Blair sempre ficava lhe perguntando sobre sua msica preferida, a primeira lembrana, o
que ele queria ser quando crescesse. Ela dizia que s queria conhec-lo melhor, mas sempre
parecia uma prova em que ele se dava mal. Tawny parecia feliz simplesmente deixando
Nate ser quem ele era.
Um chapado arrogante e gato?
Quando o jantar acabou, Tawny se empoleirou no guidom da bicicleta de Nate e gritou
aonde ir. Ela atirou a cabea para trs e os cabelos compridos e crespos faziam ccegas no
nariz dele.
-- Devagar! No, acelera! -- gritava ela.
-- Aonde est me levando? -- gritou Nate enquanto eles passavam por razes de rvores e
pedras.
Tawny olhou por sobre o ombro.
-- Voc vai ver... Ei, pra! Me deixa descer.
Nate parou e Tawny saltou para o cho. A calcinha cor de lavanda tinha subido, dando a ele
uma boa viso de suas ndegas bronzeadas e tonificadas pelo surfe. Que merda, ela era uma
gata!
-- Isso foi engraado -- ela riu, passando por uns arbustos baixos na direo da praia. --
Largue a bicicleta. Vai ficar segura aqui.
Nate encostou a bicicleta numa rvore prxima. O sol de final de tarde se infiltrava pelos
galhos mais altos, entretanto, fazia frio e muito silncio sobre as rvores.
Seguindo Tawny, Nate pensou em como era estranho que ele s tivesse sado da escola h
algumas semanas e no entanto toda sua vida tivesse mudado completamente. Estava
trabalhando na construo civil e namorando uma garota gostosa dos Hamptons. Bom, e
por que no? Se Blair podia mudar tudo -- ela ia se casar, pelo amor de Deus -- por que
no ele? Era mais fcil ficar com Tawny do que com qualquer outra garota que ele
conhecia; ela no era exigente e presunosa como Blair, no era ingnua e carente como
Jenny, no era imprevisvel e desatenciosa como Serena. Ela s... era.
A lgica clssica dos doides.
-- Vamos -- insistiu Tawny, voltando para pegar a mo dele e pux-lo pelos arbustos.
Ela o levou a uma clareira banhada pelo sol, onde duas rvores enormes tinham cado uma
por cima da outra, criando bancos naturais que evidentemente eram populares entre os
moradores, uma vez que o cho da floresta estava cheio de garrafas velhas de cerveja e
pontas de cigarro. Trs caras estavam acocorados em um dos troncos cados, passando um
baseado entre eles. Alm deles, pelas rvores, a gua azul-escura do mar cintilava e se
avolumava.
-- Oi, pessoal! -- gritou Tawny.
Trs cabeas giraram na direo deles. Com os jeans baggy e sobrancelhas esquisitas,
cabelo com gel e camisas listradas de nerd, eram o tipo de gente que seria rejeitada por
Nate e seus amigos se topassem com eles em Nova York. Eram o tipo de gente que entra
em brigas com seguranas e usam gales de colnia brega de farmcia. E eles tambm
eram, ao que parecia, amigos de Tawny.
-- Nate, estes so Greg, Tony e Vince.
-- E a? -- Nate os cumprimentou pouco  vontade com um movimento de cabea.
Tawny passou por cima do tronco e tomou lugar ao lado de Greg, um cara muito bronzeado
que abrigava um baseado na palma da mo e estufava o peito para fora de um jeito
territorialista que lembrou a Nate um buldogue.
-- Temos uma erva aqui, mano -- anunciou Vince, que parecia ser gmeo de Greg. --
Senta a.
Os ouvidos de Nate formigaram com a oferta. Ele odiava ser chamado de "mano" por gente
que nem conhecia e odiava caras que fingiam ser descolados quando eram uns mans, mas
tinha que admitir que um fumo -- mesmo com esses idiotas -- parecia ser a sua sobremesa
preferida.
Tawny deu um tapa e passou o baseado levemente mido. Nate tragou com ganncia.
--  do bom, n? -- perguntou num rosnado o cara chamado Greg. -- Comprei do meu
avio. O cara sempre fica mais ocupado no vero, sabe como , mas guarda o melhor para
clientes fiis, que compram com ele o ano todo, como eu.
No era grande coisa -- a maconha havaiana que Nate tinha em estoque no quarto era
muito melhor -- mas ele no podia se queixar.
-- A porra dessa galera da cidade -- grunhiu Vince, tirando o baseado de Nate. -- Eles
sempre fodem com tudo no vero. A porra do trnsito. As porras dos clubes. Uma porra de
p no saco.
Muito eloqente.
-- O vero ferve, cara--murmurou Tony, que ainda no tinha falado. Estava encarando
Nate, examinando-o com desconfiana do alto da aba perfeitamente dobrada de seu bon
dos Coney Island Cyclones.
Nate estava voando, como sempre, como gostava quando fumava uma erva, mas ouviu o
que os rapazes diziam. Em alto e bom som.
-- Total -- Tawny bocejou, pousando preguiosamente a cabea loura e cacheada no
ombro de Nate.
Nate olhou sua roupa de trabalho surrada. Estava bem claro que Tawny no gostava do
pessoal rico que invadia os Hamptons todo vero, e Nate definitivamente fazia parte desse
pessoal. Com o bronzeado de trabalhador e as roupas pudas, ela provavelmente o tomava
pelo tipo de cara que passava o vero ganhando seu dinheiro, presumivelmente para pagar
por seus estudos em Yale no outono. Ele sentiu uma pontada de culpa. No tinha sido
exatamente honesto com ela.
Os velhos hbitos custam a morrer.
-- A mesma histria de sempre, todo ano -- continuou Tony. -- Por que eles no acham
outro lugar para ir, tipo a Frana ou essas merdas?
-- Eles no so to ruins -- arriscou-se Nate. -- Quer dizer, eu meio que sou da cidade...
-- Voc ? -- perguntou Tawny, erguendo a cabea. Ela estreitou os olhos azuis
normalmente grandes. -- Nunca me disse nada.
-- Voc nunca perguntou -- assinalou Nate. Houve murmrios dos outros rapazes. Vince
cuspiu na areia. Na gua, um barco de pesca piscava as luzes.
-- Eu sabia -- disse Tony, cuspindo no cho. -- Senti seu cheiro de longe.
-- Mas eu quero dizer que no  grande coisa. -- Nate sacudiu a cabea. -- Quer dizer...
Eu no sou como essa galera.
-- Bom, eu acho que no...--Tawny afundou novamente nele, esfregando a lateral do rosto
contra o peito forte de tanto trabalhar. -- Quem sabe voc no me leva  cidade um dia
desses?
-- Claro, claro. -- Nate passou o brao bronzeado pela cintura dela. -- Vai ser divertido.
Desde que ele a mantenha longe de Blair que-no-sabe-lidar-bem-com-o-cime Waldorf.

aparea para me ver um dia desses

Na noite depois da sesso de estudos e outro dia de ensaios desanimadores, Serena estava
sentada no banco traseiro de um txi a caminho do Chelsea Hotel. Mas, desta vez, tinha
alguma coisa que ansiava. Ela olhou novamente as mensagens de texto no telefone,
principalmente porque queria reler o recado de Thaddeus.
Venha me ver. Saudades. Bjs
Serena estava comeando a duvidar de si mesma depois de todos os insultos de Ken Mogul,
mas aqui estava: a prova inconteste e digital de que ela, Serena van der Woodsen, ainda
arrasava.
O txi fez uma curva aberta na rua 33 e Serena sentiu o corao comear a martelar um
pouco mais rpido -- em poucos minutos, estaria no hotel. Ela j esteve com homens
lindos antes, mas nunca se apaixonou por nenhum deles como por Thaddeus.  claro que
ele era lindo, mas havia mais alguma coisa nele. Serena sentia que eles eram mais do que
colegas de filme, mais do que amantes -- eles tambm podiam ser amigos.
No que ela precisasse de um novo melhor amigo. Ou precisava? Ela no conseguia se
lembrar.
Quando finalmente chegaram ao Chelsea, Serena enfiou uma nota de 20 dlares na mo do
taxista, saiu correndo do txi e disparou para o saguo do hotel. Embora as filmagens
tivessem comeado na Barneys, Ken tinha dito que ela precisava de toda prtica extra que
conseguisse ter. Os corredores familiares e escuros tomados de quadros famosos
provocaram um vazio na boca do estmago de Serena, mas ela tentou se esquecer de todas
as coisas negativas que Ken gritara para ela no prdio e se concentrar no que estava prestes
a acontecer: ela ia ficar com Thaddeus Smith.
Ela bateu delicadamente na porta do quarto e ele a abriu quase de imediato, com um ar
sobressaltado. O short cargo largo demais tinha descido, revelando a cueca samba-cano
cinza.
-- Serena! -- exclamou ele. -- O que  que t rolando?
-- Nada -- disse ela sem flego, passando por Thaddeus e entrando no quarto. Serena
atirou a bolsa cqui Marc Jacobs no cho e se jogou no sof.
Thaddeus fechou a porta e puxou o short para cima, co-rando um pouco.
-- E a -- disse ele. -- O que est acontecendo? Estava passando por aqui?
-- Alguma coisa assim -- Serena riu. Era uma gracinha ver o ator mundialmente famoso se
retorcendo. Meu Deus, ela adorava paquerar o cara.
-- Ento--murmurou Thaddeus, pegando a camiseta descartada no cho e vestindo-a. Ele
se sentou na poltrona e colocou os ps na mesa de centro. --Andou ensaiando sozinha?
-- T difcil -- suspirou Serena. -- Mas Ken age como se eu nunca fizesse nada direito.
-- Eu sempre digo que  um trabalho mais difcil do que as pessoas pensam -- concordou
Thaddeus. -- As pessoas acham que  s glamour, festas e estrias, mas eu fao por
merecer meu contracheque. Acho que no preciso te dizer isso.
Ganhar trs milhes por filme deve ser duro mesmo.
-- Eu queria que algum tivesse me avisado -- Serena pegou a bolsa do cho e colocou a
mo l dentro. Tenho trabalhado tanto, preciso relaxar. -- Se importa se eu fumar?
-- No, claro que no. --Thaddeus gesticulou de forma pouco convincente para a mesa de
centro, que j possua um cinzeiro e vrios isqueiros. -- Serena, o caso  que a hora no 
muito boa. Meu amigo Serge vai dar uma passada aqui.
Serena no se mexeu. Por que era to difcil conseguir ficar um minuto a ss com ele?
-- Bom, sua mensagem de texto no deu a impresso de que voc estava ocupado -- ela
sorriu, nervosa. A falsa timidez dele era mesmo meio perturbadora.
Meio?
-- Merda! -- exclamou Thaddeus. -- Voc recebeu minha mensagem?
-- Arr -- murmurou ela.
-- Bom, fico feliz por ter recebido -- gaguejou ele. -- Pensei que a gente podia, humm,
bom, pensei que talvez a gente devesse trabalhar um pouco.
Por que ele estava to nervoso? Era difcil acreditar que uma pessoa to linda e bem-
sucedida como Thaddeus Smith pudesse ser to tmido com as mulheres!
-- Trabalhar -- ela fez biquinho. -- Pensei que voc quisesse, sei l, se divertir um pouco.
-- Divertir -- repetiu Thaddeus. -- O trabalho pode ser... -- o celular o interrompeu. Ele
olhou a tela. -- Serena, tenho que atender essa. Desculpe. S vai levar um segundo. -- Ele
correu para o quarto, ento s o que Serena pde ouvir foi "Al".
Ela apagou o cigarro fumado pela metade. O comportamento estranho de Thaddeus estava
comeando a deix-la nervosa. Ser que ela parecia forte demais? Ou no era forte o
bastante? Foi ele quem mandou a mensagem de texto. Por que ele convidou um amigo?
Ser que Thaddeus era um pervertido? Essa no era a praia dela.
Ah,  mesmo?
-- Desculpe -- disse Thaddeus, voltando  sala. Ele atirou o celular na mesa de centro,
onde pousou com um baque. -- Mas ento, j que voc est aqui, vamos repassar algumas
falas.
-- Falas? -- perguntou Serena.
-- Pode usar meu roteiro -- Thaddeus afundou na poltrona com um suspiro. --J decorei
minha parte.
-- Vamos comear pela cena 17 -- props Serena, cheia de esperana. -- Sabe qual , a
cena de amor?
O ensaio de uma cena de amor pode ser o mximo que ela vai chegar do que deseja.

ch para dois

-- Voc est bem? -- perguntou Vanessa a Dan. Ele estava estatelado na cama, gemendo
de dor. Havia pontas de Camel por todo o carpete marrom pudo, como se ele no tivesse se
dado ao trabalho de pegar uma das canecas de caf pela metade que costumava usar como
cinzeiro.
-- Pooooooor-raaaaa! -- murmurou ele. -- Acho que estirei alguma coisa.
Vanessa pegou o exemplar bege surrado do Bhagavad Gita na cama desfeita. Ela sabia que
era um texto indiano sagrado, mas nunca teve nenhum interesse em descobrir mais sobre
ele. Depois percebeu que Dan estava escrevendo um poema em seu grande caderno preto.
Ele rolou de costas.
-- O que anda escrevendo? -- perguntou ela, pegando o caderno. Ela leu os primeiros
versos:

Amor puro. Puro desejo. Creia na f.
Buda no foi Jesus. Nem eu sou.
Eu sou s um cara a.

Notcias fresquinhas: a ioga Bikram mata as clulas cerebrais criativas, levando os poetas
que j escrevem poesia ruim a escrever poesia ruim de verdade.
-- No pode ler isso! -- Dan pegou o caderno das mos dela. --, humm, particular. --
Quer um ch? -- perguntou ele, sentando-se. -- Comprei um pouco de Mint Meltdown.
Deve limpar as toxinas do corpo e ajudar seu corpo a respirar de verdade.
Vanessa bufou.
-- T brincando, n?
-- O que  isso! -- Dan bocejou. Ele se colocou de p sem nenhum equilbrio e Vanessa o
seguiu do quarto pelo corredor escuro, andando com passos de vov at a cozinha, que
tinha pilhas de pratos sujos. Havia farelos de po em toda a bancada e a torradeira estava
deitada de lado. Rufus tinha deixado uma panela de fondue cheia de queijo no meio da ilha
de corte de carne. Vanessa pegou um garfo e futucou a capa espessa do queijo enquanto
Dan colocava duas canecas cheias de gua no microondas.
Ele ps dois saquinhos de Mint Meltdown nas canecas e passou uma a ela. Vanessa tentou
olhar nos olhos de Dan, mas estranhamente ele no a olhava. Isto se devia em parte ao fato
de que Vanessa estava linda com o novo vestido preto de manga curta e em parte porque
ele estava tomado de culpa por ficar suando com Bree e no contar nada  suposta
namorada.
-- E a -- comeou ela, insegura. -- Parece que eu mal vejo voc.
-- Andei trabalhando muito -- respondeu ele, enterrando o nariz na caneca. -- Eles
precisam muito de mim na Strand. E eu fiz novos amigos.
Vanessa riu.
-- Acho que o mundo de alto risco dos sebos nunca desiste. -- Por que ele estava to
estranho? Ela sabia que alguns dias atrs ele estava decepcionado com o fato de o trabalho
dela consumir tanto tempo mas, desde que ela se mudou para l, eles eram como novos
colegas de apartamento que nem se conheciam direito.
-- No precisa ser grosseira -- contra-atacou Dan, batendo a colher na borda da caneca
POETAS BEAT MANDAM VER NA ESTRADA. -- As crticas s levam ao caminho da
energia negativa.
-- Como ? -- sussurrou Vanessa num tom estridente. -- Pode repetir isso pra mim?
-- Eu no espero que voc entenda -- ele bebeu o ch, embora ainda estivesse escaldante.
--  um dos fundamentos elementares da filosofia iogue.
-- O nico iogue que eu conheo  o Z Colmia, o urso que rouba as cestas de piquenique.
No sei de onde tirou esse papo Nova Era, mas o Dan Humphrey que eu conheo, amo e
por quem meio que tenho teso acharia tudo isso uma besteirada.
-- Bom, a Vanessa Abrams que eu conheo e amo no seria pega nem morta trabalhando
como escrava para um vendido de Hollywood -- retorquiu Dan com raiva. Ele deixou de
fora a parte "por quem meio que tenho teso" pois meio que tinha teso por outra pessoa no
momento.
-- Como  que ? --Vanessa abaixou a caneca. Ora essa, isso era muito injusto. Ele sabia
que Ruby a expulsara e ela precisava de dinheiro. E no era ele que se orgulhava de a
namorada estar trabalhando em um filme grande com apenas 18 anos? -- Pelo menos meu
emprego requer mais habilidade do que arrumar por ordem de autor uns livros velhos e
cheios de poeira.
Ele fechou os olhos e respirou ruidosamente pelas narinas infladas, uma coisa que tinha
aprendido no dia anterior na ioga. Entra o bem, sai o mal.
-- Achei que morar juntos seria timo, mas parece que voc mudou.
Vanessa suspirou por cima da caneca de ch fumegante. Tinha gosto de creme dental
Aquafresh e Pinho Sol.
-- Foi voc que mudou -- rebateu ela. -- Talvez eu deva simplesmente sair da sua cola --
ela soprou na caneca.
-- Francamente--disse Dan, irritado. --Voc  que quis que eu sasse da sua cola, e no o
contrrio. Eu  que me importei em passarmos esse vero juntos. Voc s quis trabalhar.
-- Bom, acho que ns dois conseguimos o que queremos. -- Vanessa tomou outro gole do
ch Mint Meltdown antes de acomodar a caneca na bancada entre os jornais velhos e as
panelas incrustadas de comida. Depois, irrompeu para fora da cozinha e saiu do
apartamento para tomar um caf decente na deli sebenta da Broadway.
Dan passou as mos no cabelo castanho-claro desgrenhado. Estava tendo uma fuso neste
exato momento, mas no a do tipo certo. Ele pegou um mao de Camels no bolso da cala
preta desbotada e acendeu um cigarro no queimador da frente do fogo.
Certamente o iogue no aprovaria isso.

a imitao  a forma mais sincera de bajulao

Blair colocou os ps nos saltos agulha de couro de bezerro Winter by Bailey Winter que
tinha escolhido como toque final de sua roupa de entrevista de emprego. Talvez fosse meio
exagerado, mas ela precisava vestir uma coisa feita pelo prprio homem. Teria sido to
brega aparecer com as roupas dele, mas os sapatos eram uma forma tmida e sutil de
reconhecer sua grandeza sem parecer uma tiete de moda idiota e desesperada.
Blair estava no quarto da beb Yale -- alis, seu antigo quarto -- admirando-se nos
espelhos de corpo inteiro -- a luz era muito melhor ali do que no quarto sujo de Aaron,
onde a catinga de cigarro natural estava incrustada nas paredes. Ela assentiu para o prprio
reflexo. Parecia confiante, mas estava nervosa. Blair tinha um histrico de falta de sorte nas
entrevistas -- na verdade, ela beijou o entrevistador quando se candidatou a Yale. Depois,
quando pediu uma segunda entrevista com um ex-aluno da universidade, quase dormiu com
ele. Era pouco provvel que terminasse tomando liberdades com Bailey Winter -- ele era
bem lindo, daquele jeito superbronzeado com dentes branqussimos, mas Blair
definitivamente no fazia o tipo dele.
Arr. A no ser que ela mudasse de nome para Sir Blair.
Ela se virou e tentou ver seu reflexo de um ngulo diferente, por sobre o ombro. Conseguir
uma entrevista tinha sido ainda mais fcil do que ela esperava -- s foi preciso um
telefonema de Eleanor Rose -- mas esta era sua grande chance e ela no ia estragar tudo.
Serena podia ter seu estrelato em Hollywood; Blair teria uma carreira na moda. Ela sabia
tudo sobre os estilistas, as lojas e as revistas certas; realmente entendia de roupas e como
us-las. Um dia, muito em breve, seria uma famosa musa da moda. Ia se sentar na primeira
fila de cada desfile de Bailey Winter, ter um perfume com o nome dela e aparecer nas
campanhas publicitrias da grife. O relacionamento dos dois seria como o de Audrey
Hepburn com a casa Givenchy -- o supra-sumo da lenda. Serena pode bancar a Audrey
Hepburn nas telas; Blair seria Audrey Hepburn na vida real.
Mas Serena no tinha um perfume com o nome dela? Epa.
O toque insistente de seu celular Verty ecoou do antigo quarto de Aaron, interrompendo
seus devaneios. Ela estava de volta a Nova York h 48 horas, mas ningum tinha ligado
para ela, nem para seu telefone do Reino Unido, cujo nmero s lorde Marcus possua, nem
para seu telefone fixo, onde todos podiam falar com ela. Estava vivendo no exlio, disse ela
a si mesma, e recusava-se a se reunir  sociedade antes de poder fazer alguma declarao
teatral -- por exemplo, que voltou do Reino Unido por solicitao especial de Bailey
Winter. Ela no podia deixar escapar que voltara porque lorde Marcus estava mais
interessado em revirar os olhos para a prima cara-de-cavalo do que em extasiar Blair em
sua enorme cama de hotel.
At parece que no temos meios de descobrir a verdade.
Ela disparou para o quarto de Aaron e pescou o telefone na escrivaninha. A tela exibia
MARCUS. O lorde em pessoa.
Ela apertou o boto Answer.
-- Que foi? -- perguntou ela grosseiramente.
-- Blair, querida, o que aconteceu? Andei tentando falar com voc.
-- No vejo por que precisa falar comigo -- respondeu Blair friamente. -- Se queria
conversar, teve muito tempo quando ainda estvamos no mesmo continente.
-- Quer dizer que voc foi embora? -- assinalou lorde Marcus, claramente surpreso. --
Pensei que talvez tivesse trocado de hotel ou ido a Paris para ver seu pai ou coisa assim.
Fiquei to preocupado.
-- Mas  claro que ficou -- rebateu Blair, voltando ao quarto de Yale.
-- No foi por causa de Camilla, foi, querida? Porque, entenda uma coisa, somos primos
em segundo grau, ento  claro que...
--  claro que o qu? -- perguntou Blair, vendo o rosto corar no espelho de corpo inteiro.
-- Para ser sincera, eu no sei, francamente. Se quer brincar de O jardim dos esquecidos, o
problema  seu. E depois, eu no tenho tempo para isso... Sou uma mulher solicitada. Eu
sou uma musa!
--  uma reclusa, meu amor? Ento  tudo um mal-entendido? -- respondeu lorde Marcus
todo feliz. -- Camilla tambm est perguntando por voc. Ela vai ficar to aliviada.
-- Mande lembranas a ela -- disse Blair com cinismo. Ela apertou End, tirou a bateria do
telefone e ele morreu. Depois de inspecionar de perto para ter certeza de que no tinha
peas pequenas que podiam ser engolidas, ela deixou o aparelho no bero de Yale.
Porque nunca se  nova demais para ter seu primeiro celular.
Blair olhou o relgio Chanel. Devia se encontrar com Bailey Winter logo e no podia se
atrasar. Andou pelo longo corredor at a cozinha, onde encontrou a me parada na ilha com
tampo de mrmore, mordiscando um sanduche de frios apesar do fato de elas terem que
sair a qualquer minuto. O irmo mais novo de Blair, Tyler, e a namorada dele, Jasmine,
estavam em volta dela em banquetas de encosto baixo, tomando Coca-Cola.
--  bom te ver de novo, Blair -- disse Jasmine radiante, com um sorriso de adorao, do
outro lado da cozinha branca e elegante.
Jasmine tentava imitar Blair de todas as maneiras. Isto ficou definitivamente claro quando
ela apareceu na festa de formatura de Blair usando exatamente o mesmo terninho Oscar de
la Renta da cunhada. O cabelo quase preto de Jasmine era extraordinariamente brilhante e
parecia saudvel, mas ela devia ser a pessoa mais irritante do mundo.
-- Me -- ordenou Blair, ignorando Jasmine --, larga esse sanduche. Precisamos sair.
-- Shhhh -- repreendeu a me, espanando farelos invisveis da ilha de mrmore. --Temos
tempo. Alm disso, freqento a casa de Bailey Winter h anos. Este homem sempre se
atrasa dez minutos.  um fato notrio -- ela deu outra mordida no sanduche.
-- Bailey Winter? --Jasmine ficou animada. Ela olhou os sapatos de Blair. --Estes so
Bailey Winter! Tenho um igual, s que preto. Eu devia ter comprado o marfim.
Blair olhou para ela.
-- E a, Blair? -- perguntou Tyler enquanto baixava msicas para seu iPod e mandava uma
mensagem de texto. Os olhos ficavam disparando de uma tela para outra.
-- Sim? -- Ela bateu os saltos agulha com impacincia. Ser que podiam, por favor, dar o
fora daqui, merda?
-- Voc fez essa viagem toda a Londres e no trouxe para mim, tipo assim, nem um
presentinho?
-- Desculpe -- suspirou ela.--Eu voltei meio com pressa.
-- Mas sem dvida achou tempo para comprar algumas coisas para voc -- observou
Eleanor, colocando uma azeitona picholine entre os lbios.
-- Eu sou a Jasmine -- a namorada de Tyler se colocou de p e estendeu a mo para Blair.
-- Voc  a Blair,  claro. Na verdade a gente j se conhece, mas voc estava dando sua
festa de formatura e pode no se lembrar.
At parece que Blair podia se esquecer da macaquinha de
imitao dela.
Havia alguma coisa de suspeita em uma menina de 13 anos com boas maneiras. Na
verdade, havia alguma coisa de suspeita em Tyler ter uma namorada -- ele nunca parecia
nem remotamente interessado em meninas, preferindo a companhia de seu computador, seu
cachimbo de haxixe e a coleo de discos de vinil.
-- Vamos, me -- exigiu Biair. -- No quero me atrasar. Esta  a minha chance de causar
boa impresso.
-- Ah, querida--Eleanor terminou o sanduche e atirou os restos na bancada para que
Myrtle limpasse. -- Fico to feliz de ver que est levando isso a srio.
-- Pera, vocs vo falar com Bailey Winter? -- perguntou Jasmine.
Como se ela no soubesse.
-- Ele est interessado em me contratar--informou Blair friamente.
-- Eu simplesmente amo as roupas dele -- disse Jasmine com entusiasmo. --  claro que
eu no devia comprar nada que no seja B by Bailey Winter... Minha me diz que preciso
esperar at o secundrio para poder colocar minhas mos no que  bom, mas por mim, tudo
bem. Quer dizer, vou ter que usar uniforme mesmo, ento...
-- , t legal -- Blair a interrompeu. Ser que ela perguntou sobre a histria de vida da
garota?--Vou descer e pedir ao porteiro para parar um txi. Me,  melhor estar pronta em
cinco minutos ou eu vou sem voc.
Blair foi para o saguo sozinha e ficou parada na frente do prdio, fumando e controlando a
hora no relgio Chanel. Depois de precisamente cinco minutos, Eleanor saiu do prdio com
um vestido Bailey Winter cor de grapefruit e sandlias bege Tod. Mas ela no estava
sozinha: Jasmine corria toda animada ao lado dela como uma criana de trs anos antes da
primeira apresentao de O quebra-nozes. Blair no se deixou perturbar. Havia um filme
passando em sua cabea: a musa meio esmolambada ia visitar seu couturier genial Nem
Jasmine podia foder com isso.
Quando chegaram  manso Beaux Arts de Bailey Winter na Park Avenue, Blair foi a
primeira a sair do carro. A me e Jasmine seguiram atrs dela como damas-de-honra.
Quando fosse hora de editar seu filminho, as figurantes podiam muito bem ser eliminadas.
Elas foram recebidas na porta por um autntico mordomo ingls, num terno matinal e tudo,
que as anunciou pelo nome depois de lev-las  sala de visitas do segundo andar:
-- Sra. Eleanor Rose, Srta. Blair Waldorf e Srta. Jasmine James-Morgan -- disse ele com
sua voz de trovo. Lembrou a Blair de lorde Marcus, mas todos os pensamentos nele foram
apagados no segundo em que ela entrou no maior salo que j vira. As paredes eram
revestidas de mogno e tinham telas a leo enormes retratando lindas aristocratas vestidas
com incrveis trajes de renda e seda, sorrindo placidamente. Havia pedestais de mrmore
encimados por esculturas branqussimas de cabeas e torsos masculinos, e, no alto,
montado numa parede que dava para a Park Avenue, um vitral gigantesco.
-- Ah, meu Deus! -- gritou a voz conhecida e estridente de Bailey Winter. O excelso
estilista de Park Avenue saltitou pela sala como uma estudante, o cabelo branco-amarelado
espigado como se ele tivesse sido eletrocutado ao usar um secador de cabelo. Ele era
surpreendentemente baixo, como uma miniatura de homem, e vestia um blazer azul com
botes de bronze, uma camisa aberta, calas de linho brancas e os ps sem meia enfiados
em macios mocassins de couro creme que guinchavam de forma engraada no piso de tbua
corrida. Em seu pescoo, vistosamente, havia uma gravata amarela com a mesma estampa
de sua ltima coleo. -- Eleanor Rose, sua cretina, voc est to magra!
-- Bailey! -- disse Eleanor. Eles se abraaram, dando-se beijos ruidosos e molhados no
rosto.
Mu, mu, mu, mu!
-- E quem so essas criaturinhas lindas? -- perguntou Bailey, tirando teatralmente os
culos de aviador do rosto e colocando a mo em concha no queixo. Ele examinou Blair e
Jasmine intensamente. -- Fabulosas. So simplesmente fabulosas, no so? -- perguntou
ele a ningum em particular.
-- Bailey--disse-lhe Eleanor, com orgulho --, essas so minha filha, Blair, e a namorada
do meu filho Tyler, Jasmine.
-- Uuuii! -- guinchou Bailey Winter.
Blair nunca ouvira um adulto fazer um barulho desses em toda a vida.
-- Elas so inacreditveis -- ele parecia entusiasmado. -- Venham, sentem-se. Vamos
tomar um ch e colocar a conversa em dia, pois no, senhoras? -- O estilista gesticulou
para o mordomo, acenando a palma no ar como se tivesse deslocado o pulso. Ele as levou
para um enorme sof em L e parou de repente. -- Pssst--sibilou ele, virando-se e sorrindo
como um manaco para Blair. -- Ch  s uma palavra-cdigo para martnis. -- Ele deu
uma piscadela.
Blair piscou para ele com um sorriso lento se espalhando pelo rosto. No era isso que ela
esperava.
Mas era melhor, muito melhor.

ser que v vai almoar nesta cidade novamente?

-- Tudo bem, vamos fazer uma tomada -- disse Ken Mogul a seu primeiro assistente de
direo. O diretor se acocorou numa cadeira de lona alta com suas iniciais, trincando uma
esferogrfica mastigada nos dentes.
Vanessa focalizou a cmera na mesa onde estava filmando. O Fred's, o restaurante da
Barneys que era o centro da ao do filme, estava a maior confuso. Em vez da multido
habitual do horrio de almoo, o restaurante estava inundado de uma forte iluminao
industrial e tomado pela equipe de mais de cem integrantes de Breakfast at Fred's. Eles
retiraram a maior parte das cadeiras e mesas para que todos conseguissem se acomodar,
mas entre o pessoal da maquiagem, de apoio, da iluminao, cabeleireiros, contra-regras,
assistentes de direo, assistentes de assistentes de direo e estagirios, estava meio
apertado ali.
Exatamente como o departamento de calados durante a liquidao de fim de estao.
-- Tudo bem, vamos rodar! -- gritou o assistente. Todos correram dali e Ken Mogul
acenou para Vanessa, que estava parada  direita dele, olhando pelo visor da cmera. -- V
em frente e rode, Vanessa.
-- Rodando! -- gritou Vanessa cheia de orgulho. Ela sempre sonhou em dizer isso, embora
tenha imaginado que pronunciaria esta palavra dentro de um necrotrio ou outro lugar
sombrio onde seria ambientado seu primeiro filme independente. Certamente no na
Barneys, com Thaddeus Smith fazendo o papel principal. Ainda assim, percorrera um longo
caminho desde que dirigira uma adaptao de Guerra e paz na escola.
Hoje era o segundo dia de filmagem e eles deviam encerrar uma cena de jantar fundamental
entre Thaddeus, no papel de Jeremy, e a starlet indie Miranda Grace, que fazia Helena, a
vil. Breakfast at Fred's era o primeiro filme que ela fazia sem a irm gmea, Coco.
Oficialmente, Miranda comeava uma carreira solo, mas a verdade  que Coco estava na
reabilitao. Ela foi substituda por uma garota chamada Courtney Pinard que Ken
descobrira andando de skate no Washington Square Park, que podia mesmo realizar as
manobras que Coco achava uma perda de tempo ter que aprender.
No set, Miranda pegou o copo de coquetel cheio de gelo, sugando todo o contedo com um
nico gole. Soltou um pigarro ruidoso e estendeu o brao por sobre a mesa para pegar a
mo de Thaddeus.
-- Querido, voc acredita em destino? -- perguntou ela.
As palavras dela ecoaram pelo set, que estava to silencioso que Vanessa podia distinguir o
tinido do gelo no copo de Miranda.
-- No tenho mais certeza se acredito em alguma coisa
-- respondeu Thaddeus em voz baixa. -- Mas de uma coisa eu sei -- ele parou.
Este era o momento que Vanessa -- que todos no set -- morriam de medo de ver. Serena
devia entrar no restaurante num rompante, arrastando uma estola de mink surrada, e se
juntar ao casal na mesa.
Passou-se um segundo. Depois outro.
Nada de Serena. Nada de Holly. Nada de ningum.
-- Corta essa porra! -- ladrou Ken Mogul.
-- Corta! -- ecoou calmamente o primeiro assistente de direo e, de repente, o set ganhou
vida: um enxame formado pelo pessoal da maquiagem e os cabeleireiros surgiu das
sombras, ajeitando o cabelo de Thaddeus, reaplicando o brilho nos lbios de Miranda. Um
assistente de produo completou o copo que Miranda girava, limpando o batom da borda.
-- Todo mundo -- sussurrou Ken --, por favor, digam  Srta. Caralho van der Sei-l-que-
porra-de-nome para ir para a merda da posio dela e fazer essa merda de cena, sim?
-- Desculpe, desculpe! -- Serena cambaleou pelo set, brandindo uma ameaadora sandlia
de salto agulha Bailey Winter. -- Eu ainda estava no guarda-roupa. Desculpe, esses
sapatos, eles simplesmente...
-- Serena no set! -- gritou o segundo assistente de direo. Obrigada por contar a
novidade.
-- Holly, Holly, Holly. -- Ken Mogul sacudiu a cabea.
-- Em sua marca, est bem? Vamos repetir.
O exrcito de assistentes se retirou para as sombras e eles fizeram a cena mais uma vez.
Desta vez, enquanto Thaddeus estava prestes a responder  pergunta de Miranda, Serena
irrompeu no restaurante, bem na deixa, ajeitando a estola que tinha escorregado do ombro
nu.
-- Estou aqui, estou aqui -- piou ela, passando pelas outras mesas, fazendo sibilar o
vestido de chiffon Bailey Winter. Ela arrastou uma cadeira de uma mesa vaga e se sentou.
-- Posso ajud-la? -- perguntou Miranda.
-- Corta, por favor, corta--murmurou agora Ken Mogul.
-- Corta! -- gritou seu leal e estridente assistente.
-- Miranda e Serena, por favor, vocs agora so Helena e Holy. Faam com que a gente
acredite nisso -- disse o diretor. --Miranda, me faa acreditar que voc  uma mulher que
pode dominar o mundo.
Miranda assentiu sem expresso, batendo as pestanas falsas. Ela era do Lower East Side.
Freqentou uma escola catlica vagabunda. O prato preferido era macarro semipronto. Ela
claramente no fazia idia do que Ken Mogul estava falando.
E algum fazia?
Durante a terceira tomada, tudo pareceu se encaixar. Thaddeus e Miranda cintilavam,
dizendo suas falas com perfeio, at se lanando em uma histria improvisada sobre o
especial do dia. A iluminao estava bonita e natural, sem nenhum brilho nem bruxuleio
acidentais, e a qualidade do som era perfeita. E Serena chegou na hora certa, no errou nem
uma nica fala nem teve bloqueio, e quando Ken gritou, "corta!", foi porque a cena estava
encerrada.
-- Talvez no final das contas no v ser assim to ruim -- sussurrou o diretor a Vanessa
nos bastidores. -- Por enquanto,  s, pessoal -- gritou ele.--Vamos fazer um intervalo de
15 minutos.
Ele se virou para Vanessa e disse, num tom de voz normal:
--  com voc, garota. Vamos ver o que conseguiu.
Sem problema, pensou Vanessa. Todo o resto podia estar uma merda -- como o que quer
que tenha acontecido com Dan -- mas ela sabia o que fazer com uma cmera.
Ken Mogul arrastou a cadeira de lona para mais perto do monitor de playback, onde podia
ver o trecho que Vanessa acabara de filmar. O assistente de cmera de Vanessa rebobinou e
ela se juntou ao diretor, olhando por sobre o ombro.
Na primeira vez em que rodaram a cena, Vanessa tinha usado um ngulo formal,
aproximando a cmera e depois afastando para capturar as nuana das interpretaes, mas
mantendo a distncia tradicional dos atores. Parecia inexpressivo e rgido para ela; era
limpo e arrumadinho, mas sem imaginao. Na segunda vez em que rodaram, ela tentou
uma coisa radicalmente diferente, dando um zoom e focalizando primeiro os lbios de
Thaddeus e depois subindo para examinar os clios dele. Ela usou esta estratgia tambm
com a atriz, conseguindo um efeito acelerado de videoclipe que era realmente
impressionista. Era mais desafiador do que se costumava ver em um filme, mas tambm era
melhor. Na terceira tomada, ela foi alm, deixando que o olhar da cmera pairasse no gelo
que danava no copo de gua na mesa. Ela pensou que era uma forma adequada de
simbolizar a relao complexa entre os personagens. Era um de seus melhores trabalhos.
-- Que porra  essa? -- perguntou Ken Mogul calmamente.
Vanessa olhou para ele. No conseguia decifrar o tom da voz dele.
-- Eu lhe fiz uma pergunta -- repetiu Ken, girando para encar-la. -- Que porra  essa,
Vanessa? Que porra  essa?
--  meu trabalho de cmera -- respondeu Vanessa, com orgulho, mas com a voz
tremendo um pouco.
-- T de sacanagem comigo? -- gritou Ken Mogul. Perto dali, os integrantes da equipe
voltaram para as sombras e Vanessa podia sentir os olhos nela.
-- Vanessa, que porcaria experimental  essa? No foi para isso que eu contratei voc.
Mas foi exatamente para isso que ele a contratou! Na realidade, aquelas foram as exatas
palavras dele. Vanessa limitou-se a encar-lo, atordoada.
-- Mas que coisa. Esta  a ltima coisa de que preciso. Peguei uma atriz que no sabe
atuar, estou comendo a porra da tampa da caneta porque no posso fumar em meu prprio
set e agora essa: a senhorita Cinema Indie est me dando a porcaria do trabalho de cmera
dela. No preciso disso. Est demitida! -- Ken se afastou de Vanessa e se acomodou na
cadeira. -- E voc -- acrescentou ele, apontando para um contra-regra--diga a Thad,
Serena e Miranda para se prepararem. Graas a essa droga, vamos ter que refazer tudo.
Vanessa abriu a boca para responder, mas no saiu nada. Estava furiosa, pirando de raiva
mas, acima de tudo, estava magoada. As lgrimas encheram seus olhos e a garganta parecia
se apertar como se estivesse sufocada. No conseguia acreditar no que tinha acontecido.
Eles tinham acabado de comear as filmagens e ela j foi demitida? Primeiro Ruby a
expulsou de casa, depois Dan comeou a agir como uma espcie de babaca budista e agora
essa?
-- Vanessa, qual  o problema? -- perguntou Ken rudemente. -- Voc  surda? Eu disse
que est demitida. Saia da porcaria do meu set.
Vanessa enfiou seu equipamento na bolsa e marchou para o elevador. O primeiro filme que
ia fazer na NYU seria sobre um diretor de cinema anormal que  mutilado por um bando de
coiotes hidrfobos. E depois seria atropelado pelo metr.
E ele vai a-do-rar esse trabalho de cmera.

unidas novamente... e parece to bom

Era sinistro sair do elevador da Barneys e entrar no silncio e na escurido do nono andar.
Era como um daqueles momentos de um pesadelo vivido, quando voc termina em um
lugar que conhece, mas tudo est terrivelmente estranho. Mas isto no era um pesadelo: na
verdade, era o contrrio -- um sonho que virava realidade.
S vinte minutos antes, Blair estava tomando "ch" inocentemente com Bailey Winter e a
me, mas foi despachada para a Barneys antes que pudesse terminar seu primeiro martni.
-- A moda no pode esperar! -- gritou Bailey em sua voz de tenor feminino. -- Vai. Vai!
Ele queria que Blair corresse at a Barneys e procurasse o figurinista do set de Breakfast at
Fred's para pegar as medidas do elenco principal. As costureiras do ateli precisavam delas
para preparar a tempo o figurino para a cena da festa, o clmax do filme. At agora, este
trabalho tinha todos os elementos de uma fantasia de Blair Waldorf: moda, glamour, um
pouco de drama. O nico porm era Jasmine.
Ah, sim. Ela.
Bailey Winter confundira a namorada de Tyler com uma amiga de Blair e insistiu em
contratar as duas para que fossem os olhos e ouvidos dele no set. Mas Blair no ia deixar
que a presena de sua jovem imitadora arruinasse sua vitria. Na verdade, ia usar isso em
proveito prprio. Obviamente ela podia conseguir que Jasmine cumprisse suas ordens.
Ela comeou no txi, instruindo Jasmine sobre como se comportar quando chegassem ao
set.
-- Deixe que eu falo. Um talento no vai gostar se voc se intrometer -- orientou Blair
como uma velha profissional. Ela trocou o sotaque ingls recm-adquirido pelo jargo de
Hollywood sem perder o ritmo.
Jasmine seguiu Blair como um cachorrinho que a venerava, saindo do elevador e andando
pelo corredor de mrmore preto do nono andar em direo ao Fred's. Elas marchavam com
tal propsito que no conseguiram deixar de esbarrar na figura careca, de preto e chorosa
que apareceu ali do nada, correndo a toda. Vanessa bateu em Blair, que bateu em Jasmine,
que estava to perto dos calcanhares de Blair que caiu no cho com um gritinho, as
sandlias BCBG se espalhando pelo piso de mrmore para longe de sua dona.
-- Mas que droga! -- praguejou Blair antes de reconhecer a antiga colega de apartamento.
-- Meu Deus. Porra. Desculpe -- conseguiu dizer Vanessa. Seu rosto, at a careca, estava
inchado e havia lgrimas escorrendo pelo queixo.
-- Voc est bem? Est toda... vermelha--observou Blair, pouco convincente. Vanessa
estava claramente triste, mas Blair devia estar l dentro, medindo a cava de Thaddeus
Smith!
E todos ns sabemos aonde leva a cava...
-- Eu estou bem, estou bem -- murmurou Jasmine enquanto se levantava, embora ningum
estivesse falando com ela.
-- Jasmine, Vanessa -- Blair fez as apresentaes. Depois abraou Vanessa e beijou o ar
de cada lado do rosto da antiga colega. -- Mas, srio, qual  o problema?
Vanessa apenas fungou em resposta. Estava to aborrecida que no conseguia falar. O que
devia fazer agora? Para onde devia ir?
-- Muito bem, Jasmine -- ladrou Blair, apreciando o papel de chefe. -- Fique aqui e cuide
de Vanessa. Tenho que me mexer. Ordens de Bailey! -- Ela apertou o ombro de Vanessa
numa demonstrao de apoio e deu um sorriso amarelo. --Voc sabe que eu te amo! --
Gritou ela, depois disparou pelo corredor e passou pelas portas de vaivm do Fred's.
-- Com licena -- disse Blair ern voz alta a ningum em particular assim que entrou. --
Meu nome  Blair Waldorf. Trabalho para Bailey Winter. Preciso falar com o encarregado
daqui.
Ningum se mexeu e ningum respondeu. Depois Blair sentiu um tapinha no ombro e ouviu
uma voz conhecida.
-- Acho que eu posso te ajudar -- ofereceu-se Serena. --Oi -- Blair se virou e viu a face
sorridente de sua
melhor amiga. Ou agora elas no eram amigas? Foram tantos altos e baixos que
sinceramente s vezes Blair tinha dificuldade para se lembrar se gostava de Serena de novo
ou se elas no estavam se falando.
-- Voc voltou! -- guinchou Serena. Ela pegou Blair e a abraou com fora.
Parece que so amigas de novo.
-- Voltei -- concordou Blair, avaliando com inveja o vestido de chiffon marfim Bailey
Winter.
-- Me conta tudo -- insistiu Serena, puxando Blair e examinando-a de perto. -- Desde
quando voc est trabalhando para Bailey Winter? Pensei que estivesse em Londres!
-- Consegui um emprego -- explicou Blair simplesmente. -- S parecia a coisa certa a
fazer, sabe como . Pensei que seria bom ter alguma experincia profissional.
-- Mas isso  timo! -- Serena praticamente gritou.
-- Andei pensando em fazer carreira na moda -- acrescentou ela casualmente. A equipe de
cem pessoas de Breakfast at Fred's abriu caminho para ela, antes que Ken Mogul decepasse
verbalmente a cabea de Blair, que continuou tagarelando num tom de voz alto e distrado,
devorando toda a ateno. -- Todo mundo tem uma vocao e acho que a moda  a minha.
-- E Londres? E o lorde sei-l-o-qu? -- perguntou Serena. Ser que os boatos sobre a
noiva inglesa eram verdadeiros? Ela no costumava dar ateno a fofocas, mas tinha que
haver um motivo para Blair desistir de um romance com a aristocracia londrina para voltar
para casa e arranjar um emprego de vero.
--  uma longa histria. -- Blair suspirou dramaticamente. Era uma mulher trabalhadora
com uma histria para contar. Agora, se Serena s emprestasse esse vestido a ela...
-- Me conta  noite -- sussurrou Serena, animada.--Ken me colocou num apartamento s
meu. Precisa ir l. Ah, mas que se foda... Venha morar comigo!
-- Bom... -- Blair hesitou. Ela andou se mudando muito ultimamente: o Plaza Hotel,
Williamsburg, o Yale Club, Londres. E no devia estar em casa, perto da irmzinha nenm?
-- Eu falei que agora estou morando na 71 Leste? -- Serena sabia muito bem que, de todas
as pessoas, Blair Waldorf ia reconhecer este endereo.
Mudar-se para o apartamento de Bonequinha de luxo!
-- S preciso fazer minhas malas -- respondeu Blair es-toicamente, como se pudesse
esconder o fato de que estava praticamente fazendo xixi nas calas de empolgao. -- Vou
para l  noite.
Ela atirou os braos em Serena num ataque de entusiasmo impetuoso. Tudo sempre tinha
um jeito de ficar bem, em especial quando Serena estava envolvida. Desta vez, elas
realmente seriam amigas para sempre.
Se voc chamar os prximos dias de para sempre!

karma chameleon

Dan Humphrey entrou de fininho na revoltante sala de descanso dos funcionrios, em um
canto escuro do poro da Strand, agarrado a uma bolsa preta com o logo da revista literria
Red Herring. Depois de verificar que a porta estava bem trancada, ele tirou a camiseta do
Bauhaus puda e desabotoou a cala desbotada Levi's, largando as roupas no cho. No deu
ateno  pichao literria que uma gerao de funcionrios descontentes da Strand
rabiscou em todas as paredes -- dizia a lenda que um ex-funcionrio amargurado tinha
anotado o verdadeiro nmero do telefone da casa de New Hampshire do notoriamente
recluso J. D. Salinger. Ele s tinha dez minutos para encontrar Bree na Union Square e
precisava tirar as roupas cotidianas -- que fediam a fumaa de cigarro -- e vestir alguma
coisa limpa e mais favorvel aos exerccios.
Tudo bem que ele no fosse o cara mais atltico do mundo. Sua relao ou ligao ou o que
quer que fosse com Bree se baseava em mais do que roupas de lycra e sesses de ioga nus.
Bree abrira os olhos de Dan, ajudara-o a pensar no mundo de uma forma que ele nunca
fizera na vida. Dobrar-se e assumir posturas de ioga em uma sala quente com um cara
suarento e pelado recurvado sobre ele no era o que Dan considerava um final de tarde
romntico, mas ler os livros preferidos de Bree era estimulante e incitava o raciocnio. Ele
j conseguira tanto na vida -- tinha um poema publicado na New Yorker, fez estgio na
Red Herring, cantou seus poemas musicados com os Raves -- mas era meio emocionante
descobrir uma coisa mais profunda e mais significativa do que a fama passageira.
Encontrar a iluminao em menos de uma semana--deve ser uma espcie de recorde
mundial.
Ele vestiu uma camiseta verde American Apparel, ajeitou o cabelo castanho-claro
desgrenhado e amarrou os tnis azuis claros New Balances. Colocou um chiclete de menta
na boca e exalou na palma da mo para sentir o hlito: nenhum vestgio de tabaco. Catou as
roupas de trabalho e as enfiou no armrio dos funcionrios, depois subiu a escada e saiu da
loja, em direo  Union Square, perto dali.
Bree esperava por ele ao lado de uma esttua de um Gandhi placidamente sorridente na
esquina sul do parque movimentado, perto da suja-mas-ficando-melhor rua 14.
-- Gosto de ir ali s vezes -- disse-lhe ela por telefone. -- Para ler e refletir sobre a
mensagem de paz de Gandhi.
E no gostamos todos?
Bree tinha tranado o cabelo louro platinado e o prendeu em um coque firme na base do
pescoo. Vestia uma camiseta branca e limpa com o logo da Adidas, e short azul
iridescente de corrida que eram bem curtos e revelavam suas pernas longas, bronzeadas e
musculosas. Quando viu Dan, ela se levantou e acenou animada.
-- Bem na hora! -- Quando Dan se aproximou dela, Bree atirou os braos nele num abrao
caloroso. -- Namast -- sussurrou ela. -- Que cheiro bom voc tem.
-- Obrigado -- respondeu Dan com alvio enquanto inadvertidamente sentia o buqu do
desodorante orgnico de slvia de Bree e o leo essencial de patchouli que ela passava atrs
das orelhas.
-- Vamos fazer um aquecimento -- ordenou a garota. Ela libertou Dan do abrao, virou-se
e colocou o p direito no banco, onde estava sentada, depois se inclinou, passando todo o
peso do corpo para uma das pernas.
Dan a imitou, estremecendo de dor ao tentar despertar os msculos das pernas. Isso era
muito mais exigente do que a malhao habitual dele: uma caminhada at a esquina para
fumar.
--  timo, n? -- Bree sorriu entusiasmada enquanto se esticava, como se um bom
alongamento fosse melhor do que um banho quente.
--  -- ofegou Dan. -- Excelente.
-- Pensei em comear aqui -- explicou Bree, recolocando o p no cho. Ela olhou os
joelhos, depois se curvou para baixo, tocando o cho com as palmas das mos. -- Sabe
como , ir pela 14 para o Hudson e depois descer para o Battery Park.
Dan fez alguns clculos de cabea. Isso significava pelo menos 3 quilmetros, o que
significava que esses 3 quilmetros eram mais do que j correra durante toda a sua vida.
No que ele estava se metendo?
No comeo parecia que ele ia se sair bem: o primeiro quarteiro passou sem nenhum
incidente. Dan seguiu a bunda rebolante e sexy de Bree enquanto ela corria pela calada,
passando por pedestres e carrinhos de beb.
Que divertido!, disse ele a si mesmo.  timo.
Quando chegaram  esquina da Quinta Avenida, eles pararam no sinal e Bree se virou para
Dan.
-- Est tudo bem? -- Ela franziu o cenho, preocupada.
A pele de Dan parecia formigar. O suor jorrava de sua testa e pingava do nariz, caindo na
calada. O sol de final de tarde batia nos dois. Ele tinha certeza absoluta de que ia morrer
de insolao.
-- Claro -- respondeu ele, trmulo. -- Eu t legal.
Quando voltaram a se mexer, o ardor nas pernas e o martelar no peito ficaram
insuportveis, mas assim que eles pararam, os joelhos dele cederam como se pudessem
vergar embaixo dele.
O sinal abriu e Bree disparou pela rua.
-- Vem! -- gritou ela por sobre o ombro, satisfeita. Dan respirou fundo e cambaleou pela
rua, errando por
pouco uma velha com um chapelo de palha que empurrava um carrinho de compras.
-- Cuidado a, idiota! -- gritou ela.
Ignorando-a, Dan continuou correndo, seguindo Bree como um cachorro caando aquele
coelho mecnico do comercial. Seu corao martelava nos ouvidos enquanto eles corriam
pela calada, passando pela Sexta, depois a Stima, a Oitava, e, finalmente, a Nona
Avenida. Entre a Nona e a Greenwich, o trnsito melhorou, ento Bree correu no meio da
rua. Ignorando os jatos quentes de escapamento dos nibus que passavam, Dan foi atrs
dela, correndo em direo ao reluzente rio Hudson, s a duas quadras de distncia.
Agente firme, disse ele a si mesmo.  s chegar ao rio. Continue. Ele no fazia idia de
que ia descer tudo at o Battery Park, na ponta de Manhattan, mas vamos comear pelo
comeo: tinha que chegar ao rio. Seus ps latejavam dentro dos tnis de corrida azuis New
Balance no-muito-confortveis e comprados-por-dez-pratas-na-Paragom-Sports. Ele
enxugou tanto suor da testa que teve medo de ficar totalmente desidratado. Estava
morrendo de vontade de beber gua. Estava morrendo de vontade de se sentar.
Ele no estaria simplesmente morrendo?
Eles dispararam pela West Side Highway e entraram no Hudson River Park, onde um
caminho largo de corrida/patinao/bicicleta cortava o parque at Tribeca. No eram os
nicos a aproveitar o dia claro e ensolarado -- centenas de pessoas corriam e patinavam,
pedalavam e passeavam de mos dadas. Bree o ultrapassou na rua e correu pela multido
at chegar  cerca de tela que devia evitar que as pessoas cassem direto no rio. Ela chutava
o nada, correndo sem sair do lugar enquanto esperava que Dan a alcanasse. Apesar do
calor, Bree mal estava suando.
Dan se atirou na direo de Bree. Isso  timo, disse ele a si mesmo. Ele se sentia timo! O
sol brilhava, o ar estava fresco e havia uma brisa soprando do rio. Ele sorria como um
louco. Ele podia fazer isso!
Depois suas pernas cederam e ele desabou no piso duro com um baque enquanto se
contorcia no cho.
-- Dan! -- gritou Bree, curvando-se sobre ele. --Voc est bem?
Dan olhou para cima e viu a cara vermelha emoldurada por cachos pequenos de cabelo cor
de linho. Sua viso comeou a se tornar enevoada.
-- Estou morrendo? -- perguntou ele em voz alta. -- Voc  um anjo?
--  melhor administrar uma RCP--anunciou Bree com severidade, agachando-se e
colocando a boca na dele.
Como se isso no fosse provocar em Dan um ataque cardaco ainda maior.

da cruz para a caldeira

Cambaleando inquieta, Vanessa Abrams se agarrou ao corrimo de ferro batido e se
estabilizou nos degraus baixos de mrmore que levavam  manso coberta de hera da rua
87. Ela arrotou alto e estapeou a campainha iluminada quatro ou cinco vezes antes de
finalmente conseguir fazer com que tocasse. Talvez consolar-se com uma garrafa de pinot
grigio gelada no tivesse sido a deciso mais sensata que ela tomou, em especial porque
estava a minutos de uma entrevista de emprego.
Depois de ser expulsa sem a menor cerimnia do set de Breakfast at Fred's, Vanessa pegou
o elevador com Jasmine, a Blair-Waldorf-em-treinamento possivelmente humanide, que
disse a Vanessa que por acaso a me dela estava procurando por uma pessoa altamente
qualificada, cheia de energia e entusiasmada para um emprego muito importante. Vanessa
estava perturbada demais para pedir pelos detalhes, mas Jasmine rasgou uma pgina de sua
agenda Louis Vuitton e escreveu um endereo, insistindo com Vanessa para que fosse l
imediatamente.
Depois de algumas taas de vinho surrupiado do estoque pessoal de Rufus, Vanessa
comeou a ver as coisas com mais clareza.
Ken Mogul  um vendido desalmado. Estava fazendo um filminho adolescente ordinrio
enquanto ela era uma autora experimental! Ela no podia desperdiar tempo e talento
naquela porcaria. Ia para a Universidade de Nova York, o melhor curso de cinema do pas.
Teria acesso aos melhores professores, a equipamento de primeira e a todo um programa de
formao de atores cheio dos estudantes de interpretao mais talentosos que existiam. Por
que deveria perder tempo como uma serva, trabalhando em um projeto em que no
acreditava quando podia muito bem ralar e economizar uma boa grana para produzir o
prprio filme no outono? J possua uma idia do tema central: uma artista jovem e
conflituada obrigada a escolher entre seguir sua inspirao ou permanecer em um
relacionamento em franca decadncia com o namorado escritor, maluco e viciado em
incenso e ch de ervas.
Parece um exemplo da arte imitando a vida.
A pesada porta de vidro foi aberta por uma empregada de cara azeda com uma saia preta
simples, avental branco e um lencinho de renda branco na cabea.
-- Posso ajud-la? -- perguntou ela desconfiada.
-- Vim por causa do emprego -- balbuciou Vanessa. -- A filha da me -- ela parou por
um momento tentando se lembrar do nome da garota. --Jasmine!  isso. Ela me disse para
vir aqui, falar com a me dela sobre um emprego. Ento eu vim.
A empregada franziu o cenho.
-- Sei. Ento, entre. A dona da casa encontrar voc no escritrio.
Vanessa andou duro pelo saguo de mrmore, passando por uma escada extensa iluminada
por um enorme lustre de cristal e entrou em uma sala revestida de mogno e estantes,
mobiliada com antigidades de bom gosto. No fazia idia do que se tratava o emprego,
mas claramente esta era uma mulher de negcios bem-sucedida. Ela devia ser uma
executiva ocupada que precisava desesperadamente de uma secretria competente. Sem
dvida era um trabalho de merda, mas os artistas sempre precisam sofrer por sua arte, a no
ser que queriam fazer porcarias comerciais como Ken Mogul.
-- Espere aqui, por favor -- instruiu a empregada. Vanessa se empoleirou na beira de uma
cadeira de madeira
Art Dco ornamentada. A sala girava um pouco e ela se agarrou ao assento com fora. No
vomite, disse ela a si mesma.
-- Voc  minha nova amiga? Vanessa olhou. No havia ningum ali. Que timo, estou to
arrasada que ouo vozes.
-- Voc  minha nova amiga? -- perguntou a voz novamente antes de explodir em risos.
-- Que-quem est a? -- disse Vanessa, nervosa. A ltima coisa que queria era ser pega
falando sozinha na frente da nova chefe.
-- Voc  uma menina? -- perguntou outra voz.
-- Por que no tem cabelo nenhum? -- perguntou a primeira voz.
Duas vozes? Quanto foi que ela bebeu?
Vanessa prendeu a respirao e escutou. Ela se levantou De onde vinham as vozes? Ela se
ajoelhou e encostou a testa no piso de madeira perfeitamente encerado, varrendo a sala
daquele ponto de observao. Deu certo: debaixo do sof de madeira dourada, pde
distinguir a figura de um garotinho magricela de cabelo crespo.
-- Achou! -- gritou ele, saindo de sob o sof.
-- , oi -- disse Vanessa. -- Sua me est em casa?
-- Voc tem cheiro de vinho -- anunciou o menino, franzindo a testa.--Eu tenho quatro
anos. Quantos anos voc tem?
-- Me ache tambm! -- gritou a outra voz. O que ela podia fazer?
-- Onde voc est? -- gritou Vanessa, colocando-se de quatro. Ela olhou embaixo dos
outros mveis.
-- Me acha, me acha! -- berrou a voz.
Ela seguiu o som at o canto da biblioteca, onde um globo grande estava em uma mesa
redonda com tampo de vidro. Ela levantou a toalha e debaixo da mesa havia um garotinho
de aparncia e roupas exatamente iguais s do outro.
-- Achou! -- gritou o menino. Ele disparou de sob a mesa e correu para o sof, onde o
irmo ainda quicava. Ele pulou no sof e bateu no irmo. Os dois meninos caram no cho.
-- Meninos! -- gritou uma voz. Uma ruiva alta, com um terninho Chanel magenta, entrou
na biblioteca, segurando um celular Treo e um exemplar enrolado da Vogue.
-- Voc deve ser a Vanessa -- observou a mulher num tom seco. --Jasmine me falou que
podia aparecer. Estou meio surpresa por ter decidido vir, mas acho que est tudo bem.
Mostra iniciativa. Gosto disso.
Ops.
-- Tudo bem -- disse Vanessa, colocando-se de p e tentando ao mximo parecer
completamente sbria. -- Deve ser a Sra...? -- Ela parou, percebendo que no fazia idia
do sobrenome de Jasmine.
--  Sra. Morgan -- respondeu a mulher. -- No uso o nome do meu marido. Afinal,
estamos no sculo XXI.
-- Desculpe -- murmurou Vanessa. Esta era a entrevista de emprego mais estranha que j
vira.
-- No importa -- continuou a mulher. -- Obviamente voc j conheceu os meninos.
-- Os meninos? -- perguntou Vanessa. Os gmeos foram para trs dela, puxando as mos
de Vanessa com toda fora.
-- Brinca com a gente! -- gritaram eles.
-- Mas ento, o emprego  padro -- a Sra. Morgan mexeu no Treo por um momento. --
Alguns dias por semana, s  tarde. Voc vai pegar os meninos no acampamento, lev-los
ao terapeuta, acompanh-los nos encontros para brincar, essas coisas comuns. Sem dvida
sabe o ofcio. -- Ela colocou o telefone na orelha.
Acampamento? Encontros para brincar? Como  que ?
-- Acho que houve um mal-entendido -- gaguejou Vanessa, lutando para ficar ereta com o
vinho correndo em suas veias e o peso de dois meninos puxando-a para o cho. Estava tudo
muito bem sofrer pela arte, mas ela no era a Bab Quase Perfeita.
-- ! -- gritaram os gmeos. -- Mame, a Vanessa  nossa nova amiga?
-- Sim -- respondeu a mulher, a orelha ainda colada no telefone enorme. -- Ela  a nova
amiga de vocs.
 mesmo, ?
-- So 18 dlares por hora -- acrescentou a Sra. Morgan enquanto batia os saltos no
saguo e subia a escada grandiosa. -- Pode comear agora.
Ah, sim, ela definitivamente  a nova amiga.

b e s decidem dividir tudo em partes iguais

Blair fez trs viagens, mas ainda no tinha conseguido levar todas as malas pelos cinco
lances de escada. No havia porteiro, no havia nem um nico ar-condicionado, no havia
elevador, mas ela no se importava porque toda a histria era to... cinematogrfica.
Blair tinha um plano para a vida, um roteiro que queria seguir  risca. Mas grande parte do
que aconteceu at agora -- comprar um vestido de noiva, deixar lorde Marcus, ser
contratada por Bailey Winter e agora se mudar para a casa de Serena -- no fora planejado.
Se algum lhe dissesse s uma semana antes que ela teria um emprego de vero, Blair teria
gritado e protestado. Afinal, trabalhar no vero definitivamente no fazia parte da histria
de sua vida, mas no estava com vontade de gritar. Ela se sentia... feliz. Talvez houvesse
uma lio nisso; talvez, em vez de tentar sempre viver de acordo com um plano, ela devesse
seguir a correnteza, quem sabe? Talvez as coisas realmente sempre dessem certo no final.
Assim como nos filmes.
Descendo o ltimo lance de escada para pegar a ltima mala--uma bolsa de viagem de
crocodilo Paul Smith que ela comprara em Londres apenas alguns dias antes -- Blair foi
surpreendida por um desengonado de cabelo escuro que usava um terno Hugo Boss azul e
saa do apartamento do trreo. Ela ficou paralisada.
No havia um vizinho lindo no andar de baixo de Bonequinha de luxo?
-- Oi. E a -- gritou Blair com seu melhor sotaque vagamente do leste europeu de Audrey-
Hepburn-fazendo-Holly-Golightly.
-- Oi -- respondeu o homem timidamente. O cabelo castanho caa na frente dos olhos
azuis. Ele meteu as mos nos bolsos da cala e endireitou o corpo.
-- Boa noite -- respondeu Blair, descendo afetada a escada e entrando no espao estreito e
mal iluminado que fazia as vezes de saguo. Ela se espremeu ao passar pelo estranho
sorridente e se curvou para pegar a bolsa. -- Com licena -- continuou ela, levando ao
ombro a bolsa cheia de sapatos.
-- Claro -- disse ele, encostando-se na porta do seu apartamento. -- Posso lhe ajudar com
isso?
-- Eu consigo -- respondeu Blair estoicamente. Ela abriu o sorriso mais encantador que
tinha. --J nos conhecemos?
-- Meu nome  Jason -- ele estendeu a mo. -- Vai passar o fim de semana?
-- Ah -- explicou ela --, estou me mudando para a casa de minha querida e velha amiga
Serena. No quinto andar, sabe?
-- Ah, eu conheo a Serena --Jason parou. -- Conversamos outra noite, tomamos umas
cervejas na escada. Mas ela no disse nada sobre ter uma linda colega de apartamento.
E ela tambm no disse nada a respeito do lindo vizinho. Tpico.
-- Foi meio repentino -- explicou Blair. --  uma longa histria.
-- Eu tenho tempo -- os lbios dele se espalharam num lindo sorriso de azarao. Ele
enfiou os dedos compridos nos bolsos de trs. -- E sou um timo ouvinte.
--  mesmo? -- Blair passou a bolsa para o outro ombro. Estava mesmo meio pesada.
-- E no  s isso -- continuou Jason --, eu estava mesmo indo pegar uma boa garrafa
gelada de vinho ros. J foi at o terrao? Talvez queria se juntar a mim para um drinque de
boas-vindas ao prdio?
-- Nem sei como chegar l! -- Uma taa gelada de vinho ros com um estranho de ombros
largos e olhos azuis parecia a forma perfeita de comemorar o fim de um dia que seria um
marco: emprego novo, casa nova...
Romance novo?
Serena estava ocupada decorando as falas para amanh. Um drinque com Jason evitaria que
Blair a atrapalhasse.
-- Sei o caminho -- disse lhe lanou uma piscadela. --A gente se v em 15 minutos?
Sob circunstncias normais, dificilmente isto seria tempo suficiente para Blair Waldorf se
preparar para um tte--tte noturno, mas esta era uma nova e aprimorada Blair Waldorf,
com emprego, mais na moda que nunca, num vero despreocupado.
-- Te dou dez minutos -- ela subiu a escada devagar, virando-se para sorrir para ele. --A
propsito, meu nome  Blair.
Depois de vestir um top casual Lilly Pulitzer floral e sandlias brancas decoradas com
conchas, Blair subiu a escada. Jason j estava esperando por ela com uma manta nos
ombros e uma garrafa na mo. Ele subiu a escada enferrujada e abriu o alapo preto de
ao. Depois estendeu a mo para ajudar Blair a subir, com uma elegncia masculina maior
do que a exibida por Marcus. Blair pegou a mo dele ansiosamente e deixou que ele a
iasse para o terrao.
-- Espero que no chova esta noite -- assinalou ela enquanto girava o corpo, olhando a
vista de 360 graus da silhueta de Manhattan. -- Porque no vou descer essa escada -- ela
s estava meio brincando.
-- Eu lhe disse que a vista era tima -- brincou Jason, pegando um saca-rolhas e tirando a
rolha com um "plop" satisfatrio.
No era to ampla quanto a vista para o Central Park do terrao da cobertura de Blair na
Quinta Avenida, mas havia alguma coisa mgica na nvoa quente de vero que pairava
sobre os prdios do bairro. As rvores no eram to perfeitamente podadas como os
carvalhos e elmos que cercavam o parque, mas os galhos delgados que se projetavam acima
do telhado eram luxuriantes e verdes. O Upper East Side, percebeu Blair, era exatamente
como a linha de roupas de Bailey Winter: da Quinta Avenida a Park Avenue era Bailey
Winter Couture, tudo da Park at a Lexington era como a Bailey Winter Colection, e tudo
entre ali e o rio era Bailey by BaileyWinter.
 uma forma de pensar.
--  linda mesmo -- concordou ela, pegando um copo de plstico com vinho gelado e
acomodando-se na manta azul-marinho puda que Jason abrira no terrao de piche quente.
No era to macia quanto sua manta de cashmere Asprey preferida, mas ela estava com a
roupa de vero perfeita, um homem lindo estava sentado ao seu lado e sua carreira na moda
estava prestes a estourar. Quem precisava da realeza britnica? Ela era uma nova-iorquina e
este era o clssico momento Nova-York-no-vero. Londres era uma favela mida e fedida
comparada a isso.
-- E a, como  que Serena no falou em voc antes? -- perguntou Jason.
-- Talvez ela quisesse voc s para ela -- respondeu Blair maliciosamente e talvez com
preciso. --A um vero muito louco -- Blair bateu o copo de plstico com vinho no de
Jason. -- At agora -- acrescentou ela sentindo um pouco de vertigem.
-- A um vero muito louco -- repetiu ele, tomando um gole. -- Mas a, no acho que
Serena esteja interessada em mim. Ns samos outra noite e ela parecia meio
comprometida, se pode me entender.
-- Quer dizer Thaddeus Smith? -- Blair e Serena no tiveram muito tempo para colocar as
novidades em dia, mas ela sabia, simplesmente sabia, que tinha de haver alguma coisa
rolando entre Serena e Thaddeus.
Desde que ela e todo mundo acreditava em tudo o que lessem.
-- O prprio -- afirmou Jason. -- Mas sabe de uma coisa, Blair -- continuou Jason,
fixando os olhos azuis nos dela. --Eu no sou de sair com estrelas de cinema. Prefiro
mulheres normais.
Ele a estava chamando -- Blair Waldorf-- de normal? Mas que equvoco.
-- Pera, voc no faz cinema, faz? -- Ele a olhou, desconfiado. -- Porque parece que
pode fazer.
-- Sou mais o tipo de mulher dos bastidores -- murmurou ela, batendo, misteriosa, as
pestanas com maquiagem Chanel.
-- No tenho nada contra isso -- recuou Jason. -- No me leve a mal.  s que estou
interessado em coisas diferentes. Como a lei. E meu principal foco, sabia?
-- Eu estava pensando em estudar direito quando comear em Yale no outono--ela sempre
podia ser advogada e musa da moda ao mesmo tempo. Podia usar alta costura por baixo da
toga da Suprema Corte.
Blair tomou o vinho com ansiedade. Serena podia ser a estrela de cinema. Jason era
exatamente o tipo de cara com quem uma mulher de Yale devia se envolver.
Pelo menos, o tipo com quem uma mulher de Yale devia se envolver esta semana.

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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

No tenho vergonha de confessar que "Summer Lovin" (de nosso filme secreto preferido de
vou-ficar-em-casa-na-sexta--noite, Grease, nos tempos da brilhantina)  uma das melhores
msicas que j ouvi. No s gruda na cabea da gente, como  verdade: o vero  s amor e
se apaixonar, no ? Mas parece haver uma crise de escassez neste vero.

J se passaram quase trs semanas e nossa amiga S ainda  uma intrprete solo! O que 
que t pegando?  claro que ela tem sido vista pela cidade com T, mas no h nenhuma lei
dizendo que amigos no podem jantar juntos, ou h? Alm disso, achamos que T pode estar
de olho em outra pessoa. Voc vai saber disso em primeira mo aqui.

Enquanto isso, B se atira no trabalho -- dizem que j  a segunda pessoa mais temida no
set de filmagem. No conseguimos nos aproximar o suficiente para verificar os boatos de
que ela est exibindo uma aliana na mo direita -- para mostrar aos paparazzi, como as
estrelas. Dizem tambm que B est ficando meio corada nas bochechas: rubor-de-futura-
mame, amor secreto ou um novo esteticista timo? Usem as cmeras de seus celulares,
gente: precisamos de provas!
Mais novidades no vero do amor: parece que D e V definitivamente brigaram, e repito que
voc soube disso aqui primeiro. Ele est surpreendentemente brozeado e tonificado. Juro
por Deus! E N e o amor de vero dele? Quanto tempo at ele mostrar suas verdadeiras
cores de urbanide? Ele pode at dizer que no  como o resto do pessoal da cidade, mas N
no vai desistir por muito tempo de confortos como tratamento exclusivo em boates, festas
beneficentes a rigor em Lilypond Lane e viagens privativas de helicptero de volta a
cidade...

problemas  vista

Meus espies no Michael's me contaram sobre uma reunio muito tensa entre um certo
fotgrafo que virou um cineasta muito respeitado e os pesos-pesados de Hollywood
(literalmente dois irmos rotundos) que esto bancando o mais recente empreendimento
dele. Parece que os produtores de carteira recheada no esto nada emocionados com as
notcias e querem repensar o elenco. Ser que isso significa que V no ser a nica a ser
demitida? Fiquem ligados.

flagras

B, com um Frappuccino e uma prancheta nas mos, tentando desesperadamente parar um
txi em Park Avenue. O que foi que aconteceu com o presente de formatura? Ser verdade
que ela no conseguiu a carteira? Ops! N no mer-cadinho rural da Amagansett, refletindo
sobre flores silvestres. Ns sabamos que ele era um romntico enrustido! T mostrando um
convidado especial no identificado no set -- ouvimos dizer que o tour particular incluiu
uma longa visita ao trailer do astro. V na Forbidden Planet, comprando revistas em
quadrinhos -- mas definitivamente sem visitar D na Strand, que afinal fica apenas do outro
lado da rua. Que interessante...

e chamam isso de amar pra cachorro...

E por falar em amor, finalmente conheci algum. Na verdade, dois alguns: os dois so
irresistivelmente lindos e nenhum deles consegue parar de me encher de beijos. Sei que 
errado se intrometer entre irmos, mas no consigo escolher entre meus amores Duke e
Owen.

 possvel que voc tenha visto uma grande matria sobre eles no Sunday Styles da semana
passada: eles so puggles, os nicos hbridos que servem para mim: meio beagles, meio
pugs, mas 100% amor. E os meus por acaso vieram do abrigo de animais. Sou louca por
bichinhos perdidos com cruzamentos impecveis.  alta costura por uma causa nobre, ento
no perca seu tempo com um chihuahua arrogante ou um buldogue francs babo.

Seu e-mail

P: Cara GG,
Sou assistente paralegal em uma firma de advocacia em Midtown e dei em cima de um de
meus colegas durante semanas. Ele costumava sair conosco na happy hour, mas de repente
ficou totalmente caseiro  praticamente volta correndo para casa depois do trabalho. Acha
que pode ser alguma coisa constrangedora, como um vcio em pornografia?
 Apaixonada

R: Cara Apaixonada,
Parece que ele definitivamente est viciado em alguma coisa  ou em algum  na casa
dele. Mas s existe um bom motivo para que um gostoso da happy hour vire um sujeito
caseiro: mulher. Meu conselho  o seguinte: oferea-se para ajeitar a nova gravata com
estampa de patinhos dele e veja o que ele diz. Sim = vicio em pornografia. No, obrigado =
namorada. Boa sorte!
 GG

O que mais est acontecendo por a, gente? Mandem-me os furos: fofocas quentes, as
ltimas liquidaes, o local daquela nova loja secreta da As Four, a sujeira do set. E ser
que algum pode me dizer a data e o local da festa de encerramento totalmente confidencial
de Breakfast a Fred's7 Vou precisar reservar para fazer o cabelo pr-festa com o Sr. Fekkai
em pessoa,  claro. Ento conta a!

Pra voc que me ama,
gossip girl

n vai  cidade

 Vo se foder, todos vocs!  O vocalista britnico da banda jocosamente chamada
Sunshine Experience passou a mo na testa e atirou o suor na multido. De peito nu e
vestido somente com calas de couro pretas, o vocalista esqueltico, mais conhecido por
acompanhar modelos e atrizes do que por cantar, cuspiu com raiva no palco e disparou para
fora, desaparecendo na multido apertada composta por um pessoal que s queria saber de
farra.
 Meu Deus, eu adoro esse cara!  gritou Tawny, apertando o brao de Nate com fora e
derramando sem querer metade do drinque de Smirnoff na banqueta Ultrasuede e nas calas
capri rosa imitando Pucci.
Que peninha.
Nate assentiu e tomou um gole da terceira garrafa de cerveja Newcastle da noite. Deu uma
olhada pelo salo principal abarrotado do Resort, o clube de East Hampton: a pista estava
fervendo de louras vestidas de Diane von Furstenberg e uns sujeitos perfeitamente
produzidos de cala caqui e camisas Thomas Ponk  no era exatamente o tipo de grupo
que se v normalmente em um show do Sunshine Experience.
Os Hamptons ficaram em polvorosa com a notcia deste show "surpresa" da banda de rock
inglesa h uma semana e, quando Tawny sugeriu que eles fossem, o entusiasmo de Nate
surpreendeu at a ele mesmo. Ele ainda no aparecera no Resort neste vero  na verdade,
no fez muita coisa alm de limpar calhas, cortar grama, consertar telhas e fumar maconha
com Tawny. Parecia bom poder sair, ir onde estava a ao, com uma cerveja gelada, uma
loura gostosa e nada com que se preocupar.
 Archibald!
Tawny deu uma cotovelada delicada em Nate.
  amigo seu?
Anthony Avuldsen acenou na multido, levantando o usque com soda no alto para evitar
que derramasse. Cortara o cabelo louro rente  cabea e tinha um bronzeado de vero que
fazia seu sorriso parecer ainda mais reluzente do que o normal. O segurana  um forto
que parecia no ter pescoo  lhe deu um aceno rpido, permitindo que ele subisse na
plataforma que fazia as vezes de sala VIP do clube.
 Archibald, seu filho da puta  disse Anthony, batendo o copo na garrafa de Nate como
um cumprimento.  Onde  que voc se meteu ultimamente?
 E a?  Nate o cumprimentou.
 O treinador t tirando o seu couro?  Anthony sentou-se ao lado de Nate na banqueta,
acompanhando com a cabea a estridente linha de baixo do Sunshine Experience.
 Mais ou menos isso  admitiu Nate.
 Cara  continuou Anthony, gritando para ser ouvido por cima do estrondo ensurdecedor
da msica.  Soube que
a Blair voltou. O que  que t rolando?
Nate franziu o cenho, depois passou o brao em Tawny, puxando-a para mais perto.
 No sei  ele deu de ombros.
 Eu sou a Tawny  disse a garota, inclinando-se pelo colo de Nate e sorrindo na direo de
Anthony.
 E a?  Anthony assentiu, cumprimentando-a. 
Anthony.
 Vocs se conhecem da escola?  ela queria saber.
   respondeu Anthony.  Como vocs dois se conheceram?
Nate gesticulou para a garonete. Precisava de outra bebida, imediatamente.
 O Nate simplesmente caiu aos meus ps um dia desses  respondeu Tawny, terminando o
que restava do drinque.  Acho que tive sorte.
Anthony a examinou, depois gritou para Nate.
 Voc  que tem sorte, seu cretino.
A garonete se aproximou, parecendo exatamente Jessica Simpson no papel de Daisy em
Os gates.
 Outra rodada?  perguntou ela.
 Por favor  disse-lhe Nate. Se Anthony ia lhe fazer mais alguma pergunta, ele precisava
ficar mais tonto.
 Acho que no te vi na cidade  continuou Anthony.
 Onde voc estuda?
 Ah, eu no sou da cidade  explicou Tawny.Moro em Hampton Bays.
 Legal  exclamou Anthony.  Acho que nunca conheci uma caipira antes.
Nate deu uma cotovelada forte em Anthony.
 Que foi?perguntou Anthony. legal, sem ofensas, cara.
 O qu?Tawny colocou a palma em concha na orelha tentando entender o que os meninos
falavam.Est alto demais!
 Cara  continuou Anthony, distrado , a Isabel vai dar uma festa amanh. Eu soube que a
Serena vai aparecer. Tem visto a Serena ultimamente?
Da ltima vez em que Nate viu Serena, ele estava beijando Jenny na festa de formatura de
Blair. Foi s um beijo "pelos velhos tempos", mas ele tinha certeza absoluta de que ela e
Blair se uniram para ficar putas com ele juntas.
E qual  a novidade disso?
Nate sacudiu a cabea. Sentia-se completamente distante de todo o pessoal com quem fora
criado.
 Pera, Serena?  perguntou Tawny toda animada, inclinando-se no colo de Nate. Do
ponto em que estava, Nate tinha uma vista desimpedida do decote da blusa de Tawny at o
umbigo com um piercing, e podia ver tudo entre um e outro.
Tipo assim, Serena com aquele sobrenome que parece estrangeiro?
Ela se inclinou mais para a frente, dando a Nate outro vislumbre da Terra Prometida.
Ser que ela est fazendo de propsito?, perguntou-se Nate.
Nate olhou para Anthony para se certificar de que ele no estava dando uma espiada
tambm, mas ele se virara para falar com uma gata de cabelo escuro que Nate se lembrava
vagamente de ser aluna da Grafton e um ano mais nova do que eles.
 Acho que sim  cedeu Nate, desfrutando da expresso de surpresa de Tawny. O
sobrenome de Serena parecia estrangeiro? Ele nunca percebeu isso. Mas vamos esquecer
Serena. Tawny estava claramente impressionada. Ele no sentia isso com freqncia: as
meninas o achavam bonito, descolado, popular ou qualquer coisa, mas ela olhava para ele
com algo que ele nunca vira nos olhos de Blair ou de Serena. Ela parecia... pasma.
 A gente meio que costumava se ver jactou-se Nate.
Era a verdade, mas no toda ela.
 Nate Archibald!  gritou Tawny, inclinando-se por cima da mesa mais uma vez, juntando
os peitos de um jeito convidativo. Voc  um homem cheio de mistrios.
 Tambm conhece a Serena?Anthony voltou  comversa, claramente tentando dar uma
espiada por dentro da blusa de Tawny. Vai ter uma espcie de festaa quando acabarem as
filmagens daquele filme daqui a alguns dias. Voc precisa ir!  Gritou ele por sobre o
estrondo da msica.
 Quer dizer Breakfast a Fred's?  Parecia que os olhos de Tawny iam saltar da cabea. 
Eu sou, tipo assim, f nmero um de Thaddeus Smith. Eternamente!
A garonete voltou com os drinques e Nate pegou a cerveja dele com ganncia.
 No sei no  ele sacudiu a cabea. De repente sentia que estava andando num poo
escuro e fundo. Seu pensamento estava meio nebuloso graas a um baseado pr-sada e as
trs cervejas, mas, mesmo neste estado, ele sabia que no era uma boa idia aparecer de
braos dados com Tawny na festa de encerramento de gravaes de Serena.
Blair definitivamente estaria l, e Nate no queria que ela pensasse que ele j havia partido
pra outra.
Mas no  isso mesmo? E ela tambm no partiu?
Por favor  pediu Tawny.  Eu morro de vontade de conhecer Thaddeus Smith. Morro!
Cara  disse Anthony num tom de sacanagem , no se pode dizer no a uma garota bonita.
Nate Archibald nunca conseguia dizer no. E ponto final.

b assume o controle

O barulho da porta batida ecoou pelas paredes do apartamento de pouca moblia. Era difcil
bater os ps de raiva depois de subir toda aquela escada  e de chinelos de borracha, ainda
por cima , mas Serena deu o mximo de si, pisando duro no cho de madeira, largando a
bolsa enorme de couro branco Jil Sander sem pensar no iPod Nano e nos culos Dolce &
Gabbana de vidro dentro dela.
 Est em casa, coleguinha?  disse Blair de dentro de um dos quartos do apartamento que
elas decidiram dividir.
Elas eram basicamente irms, de qualquer modo.
Elas certamente brigavam como se fossem.
   respondeu Serena. Ela pegou uma Corona na geladeira e se empoleirou no peitoril
que dava para os fundos
da casa, os ps pendurados da janela acima da sada de incndio.
 Como foi no trabalho?  Blair entrou na cozinha enrolada em uma enorme toalha Frette
branca que pegou do closet bem abastecido da me. Ela pegou um mao de Merits na bolsa
abandonada de Serena e usou o fogo a gs para acender um cigarro.
 O trabalho foi um trabalhoSerena encarava melanclica as grades da sada de incndio
no quintal abaixo. Ela suspirou.  Sinceramente, Blair, est meio que um porre.
 Como assim?  O dia de trabalho de Blair consistiu em levar amostras de tecido do
alfaiate na rua 39 at a casa de Bailey Winter, onde ele desfrutava de um "ch" festivo e
particular com uma princesa saudita.
Blair empurrou a janela ao lado da de Serena e se inclinou para fora. Exalou uma nuvem de
fumaa no vento e olhou para Serena. A brisa soprava delicadamente em seu cabelo louro
enquanto ela balanava os ps descalos e franzia a testa.
 Sei lSerena suspirou, bebendo a cerveja. Tinha sido um dos piores ensaios dela at
hoje. Ela ouviu um dos integrantes da equipe cham-la de Holly Lerdinha, e depois Ken
gritou, "porra, porra, porra!" bem no meio da cena que ela fazia.  Foi um longo dia.
 Me conta tudo  insistiu Blair.
Serena hesitou. Elas nunca discutiram esse assunto, mas ela conhecia Blair o bastante para
saber que ela no estava exatamente emocionada por Serena estrelar Breakfast at Fred's.
Afinal, era o sonho da vida de Blair, e no de Serena; como Blair reagiria ao ouvir Serena
se queixando disso?
 Estou com alguns problemas para resolver essa histria de atuar  admitiu Serena
timidamente.
Isso  atenuar os fatos.
 Pensei que podia fazer isso. Quer dizer, eu fiz antes, mas foi diferente, sem um monte de
especialistas e gente andando pelo set, vendo voc, e sem aquela cmera grande, imensa, te
encarando como, como... como Darth Vader ou coisa assim.
 Me conta mais.  Blair se inclinou para fora da janela, exalando a fumaa na noite quente
de vero. Ela adorava ajudar os outros com seus problemas.
Me parece mais que ela s queria saber que os outros tinham problemas.
 No posso fazer isso  reclamou Serena. Ela olhou carrancuda para os chinelos Marc
Jacobs.  Simplesmente no est batendo.
 Serena  murmurou Blair sonhadoramente , sabe como voc parece?
 Hein?  Serena olhou para ela. Blair estava curvada para fora da janela, ainda enrolada na
toalha, segurando um cigarro, mas sem fumar, ento a cinza tinha quase trs centmetros.
Ela parecia uma erudita maluca da Madison Avenue em um transe alcolico.
 Voc parece exatamente  disse Blair , e quero dizer exatamente Holly Golightly. A
sada de incndio, os fios de cabelo, a luz... tudo perfeito.  quase de arrepiar.
 Obrigada  disse Serena. Foi uma das coisas mais legais que Blair disse a ela em muitos
anos de amizade.
 Estou falando srio  proclamou Blair.  Sou especialista nisso. Eu sou do meio, t legal?
Entendo de moda. Entendo de aparncia, entendo de glamour, e voc tem tudo isso. No
me importa o que Ken Mogul possa dizer: voc  Holly Golightly  continuou ela, decidida
, se  que posso
meter meu bedelho nisso.
 Como assim?  perguntou Serena.
 Quem  a maior especialista em Holly Golightly no mundo?  perguntou Blair.
Serena riu.
 Voc, sem dvida nenhuma.
 Bom, ento voc tem uma sorte do caramba por me conhecer, n?  assinalou Blair. Se
ela no podia ser Holly Golightly, bom, ento podia fazer Serena entrar no personagem.
Isso seria satisfao suficiente. Venhaela apagou o cigarro e pegou a mo da amiga. 
Temos um trabalho a fazer.
A primeira parada das duas era bvia: a calada da Tiffany.
Blair tinha vestido uma camisa bordada vagamente mexicana que comprara no vero
anterior na Scoop e uma cala jeans e insistira que Serena tambm se vestisse. Quando o
txi encostou na frente da loja, Blair praticamente atirou Serena na rua.
 Agoraladrou Blair.  Quero ver voc andarBlair ficou parada na frente das vitrines da
loja e encarou a amiga. Com o trnsito zumbindo atrs dela e os prdios altos assomando
no cu, Serena parecia muito pequena, muito vulnervel. Muito anti-Serena. Muito, muito
anti-Holly.
Serena andou desajeitada para a loja, dando passinhos pequenos e engraados como uma
dama de honra em um casamento.
 Pra!  berrou Blair. Ela foi at o meio da calada. 
O que foi isso?
 Como assim?  Serena mal podia ser ouvida com o rugido do trnsito e o tagarelar de
todos os compradores e turistas que andavam por ali.
 Voc no est se esforando  entoou Blair, incorporando uma treinadora durona mas
amvel de um filme de esporte inspirador que ela vira na HBO.  Mostre para mim, mostre!
Eu sei que voc pode andar de um jeito mais convincente.
 Eu me sinto to idiotaadmitiu Serena.Todo mundo est olhando para mim e me sinto
estranha e sem graa.
A Srta. Danando-na-mesa-do-Bangalow-8, sem graa?
 No pode fazer desse jeito  rebateu Blair.  Tem que se sentir confiante. Precisa se sentir
descolada. Precisa se sentir como se o mundo todo estivesse  sua disposio, como se voc
fosse a manda-chuva, como se estivesse no comando de tudo.
E isso se chamava atuar?
 Mas eu no devia s andar?  perguntou Serena. Isso no era andar em uma passarela da
moda, o que ela fez,  claro.  Estou me sentindo uma bobalhona.
 Finja que  a formatura de novo  sugeriu Blair, lembrando-se da disparada cansativa de
ltimo minuto que Serena deu pela nave central da igreja Brick, com exatamente o mesmo
terninho Oscar de la Renta que Blair vestia.
 Vou tentar  Serena suspirou.
Blair voltou  sua posio na frente da Tiffany. Tinha muito trabalho a fazer, mas precisava
admitir que era meio divertido bancar a chefe de Serena, para variar.
Tudo em nome da amizade.

s outro domingo maluco no parque com v... e d

Com Nils pegando-a pela mo esquerda e Edgar puxando-a pela direita  ou era Nils 
direita e Edgar  esquerda?  Vanessa Abrams se lembrou de por que nunca foi uma boa
idia ter dois meninos disputando a ateno de uma garota. Como se ela j no tivesse
aprendido essa lio.
 Vem, vemreclamou um dos meninos. Quem ligava para quem era quem? As mozinhas
estavam pegajosas, as vozes de menininho eram uma lamria e alm disso eles tambm
eram fortes. Tinham garras de ao e, uma vez que se recusavam a reduzir o passo, Vanessa
estava meio andando e meio sendo arrastada pelos caminhos de asfalto sombreados do
Central Park.
Lembrava-lhe das vezes em que ela e Aaron levavam para passear o boxer castanho e
branco dele, Mookie, s que os gmeos eram ainda mais ansiosos para sair do que o
cachorro. Se tivessem rabo, estariam abanando como uns loucos.
 Meu Deus  murmurou Vanessa.  Devagar, por favor!
Dezoito dlares por hora, dezoito dlares por hora. Ela j ganhara 36 dlares no dia; no
era uma fortuna, mas iria direto para os cofres do prximo projeto.
Que tal o prximo apartamento!
Vanessa cambaleou um pouco quando os meninos pararam diante de um carrinho encimado
por um guarda-sol.
 Compra sanduche de sorvete pra gente?
Ela duvidava muito de que a me deles, nem por um dia na vida, tivesse levado os meninos
ao parque, que dir comprar sorvete para eles. Vanessa no colocara os olhos nela desde a
bizarra entrevista de emprego e a Sra. Morgan no parecia o tipo de mulher que tolerasse
sorvete pingando nos terni-nhos Chanel boud. Os Abrams sempre impuseram a ela e a
Ruby uma rigorosa dieta sem acar quando elas eram crianas, preferindo Toffuti e frutas
a sorvetes e doces, mas ela no ligava para o que aqueles dois comiam.
 Claro, sanduche de sorvete, que seja, vocs escolhem  concordou ela, libertando-se das
garras letais dos meninos e pegando uma nota de vinte amarrotada do bolso da cala.  Trs
sanduches de sorvete, por favor  disse ela ao vendedor, que tinha um bigode de guidom e
usava uma camiseta de batik que devia ser de 1972.
Os meninos pulavam, pegando o sorvete. Abriram a embalagem famintos, depois correram
para os confins do parquinho, gritando e rindo com a boca gosmenta e cheia de sorvete.
 Espera!  Gritou Vanessa atrs deles, sem muita vontade. No tinha certeza se ligava se
eles desaparecessem, se perdesse o emprego e fosse para a priso. Ser que s se passaram
realmente trs dias desde que comeara a trabalhar como diretora de fotografia em uma
grande produo de Hollywood? Ou essa histria toda era uma espcie de pesadelo
horrendo?
Ela desabou em um banco debaixo de um carvalho alto e gracioso e olhou os gmeos
descascarem os presentes e atirarem o papel no cho. Epa. Depois eles comearam um
pega-pega vertiginoso, correndo debaixo do escorrega, entre os balanos, evitando por
pouco as colises com bebs que cambaleavam e suas babs ameaadoras.
 Fiquem aqui perto!  gritou Vanessa com a voz fraca.
Ela terminou o sorvete e se recostou no banco de madeira e concreto surpreendentemente
confortvel. Os carros zumbiam pela 97 atravs do parque, um som agradvel e soporfero.
O sol estava forte, mas havia muita sombra, e por um breve segundo ela quase no se
importou de estar ali para bancar a bab, e no como os outros adultos que curtiam o parque
numa tarde agradvel de domingo. Seus olhos se fecharam e por um momento ela se
desligou.
Ento ela ouviu um grito agudo familiar e seus olhos se arregalaram.
Quem poderia dizer que Vanessa tinha instinto maternal?
Havia uma comoo no muito longe dali e Vanessa reconheceu duas cabeas louras.
Ela se levantou e correu at onde um dos gmeos estava esparramado na calada, agarrando
o joelho magricela e chorando. O irmo estava de p ao lado dele, apontando um dedo
furioso para um patinador prostrado na calada.
 O que aconteceu?  perguntou Vanessa, tentando ter autoridade.
 Aquele grandalho ali bateu no Edgar!  gritou Nils.
Uma ninfeta loura e sardenta do tipo lder de torcida, com um short rosa-choque e um top
esportivo azul eltrico complicado, patinou atleticamente para a cena.
 O que aconteceu  rebateu ela que voc no est tomando conta de seus filhos e
estamos tentando fazer exerccios aqui!
 Eles no so os meus filhos  retorquiu Vanessa, ajoelhando-se para afagar a cabea
chorosa de Edgar.  E voc no precisa ser grosseira.
 Vanessa, Vanessa, vamos pra casa  gemeu Nils, puxando o brao dela.
 Talvez no seja m idiacomentou a Garota de lycra, ajoelhando-se para cuidar do
companheiro cado. Ela parecia ter vindo de patins direto de um comercial da Coors Light.
 Ei  Vanessa no estava com humor para aturar palhaada de uma perua desconhecida. 
Da prxima vez, olhe por onde anda.
 Vanessa?  Perguntou o Sr. Patinador-que-caiu-de-bunda, lutando para se sentar.
As plpebras de Vanessa bateram em descrena. Ela estava vendo coisas?
Ali, esparramado no asfalto sob os carvalhos, no meio do Central Park, usando patins, um
short esportivo idiota e uma camiseta de spandex branca justa, munhequeiras, joelheiras e
cotoveleiras, com uma cara vermelha e o cabelo suado e desgrenhado, estava Dan. O Dan
dela.
 Dan?  Ela arfou com tanto pavor e confuso na voz que Edgar parou de balbuciar e se
levantou.
 Oi.  Dan deu um sorriso amarelo e tmido. A perua loura do top mnimo estendeu a mo
e o ajudou a se levantar. Ele cambaleou desequilibrado nos patins.  E a, Vanessa... O que
 que t pegando?
 O que t pegando  que ela no est prestando ateno nessas ferinhas correndo por aqui
 comeou a loura, puxando o short to para cima que corria um grave risco de aparecer
tudo.  E eu estou tentando ficar muito zen com isso, mas...
 Quem  voc?  perguntou Vanessa.
 Quem  voc?  retorquiu a piranhuda.
 Eu sou a namorada dele  respondeu Vanessa.
A Bunda de lycra se retraiu um pouco.
 Pera  insistiu Vanessa.  O que voc est fazendo?
 ela examinou Dan criticamente. A roupa era to completamente ridcula que ela mal
conseguia olhar para ele. Ela se virou para a garota de novo.  Voc deve ser o motivo para
eu nunca mais ver o Dan em casa.
 Vocs moram juntos?
As palavras do poema de Dan inundaram a cabea de Vanessa.
Amor puro. Puro desejo. Creia na f. Buda no foi Jesus. Nem eu. Eu sou s um cara a.
 E quem so essas crianas?  perguntou Dan em voz alta.
 Somos amigos dela  rebateu um dos gmeos, embora Vanessa ainda no tivesse
conseguido distinguir qual, mostrando a lngua para Dan.
 Seus amigos?  Repetiu Dan.
 T legal  disse Vanessa.  Meio como essa a  sua amiga, n, Dan?
Um sino de igreja tocou na Quinta Avenida. O som era to puro e to totalmente
inadequado para aquele momento, que Vanessa teve vontade de gritar.
 Vanessa?  O outro gmeo puxava a mo dela.No estou passando bem.
 Agora no  respondeu Vanessa asperamente.
 Estou confuso  gaguejou Dan.  Por que no est no set agora?
 Fui demitida. Como se voc ligasse.
 Vamos parar por aqui antes de dizer alguma coisa de que vamos nos arrepender 
interrompeu a Shortinhos. Pombos bicavam os restos grudentos dos sorvetes dos gmeos.
Se ao menos um deles bicasse a piranha loura na bunda.
 Vanessa?  gemeu o mesmo gmeo.  Eu realmente no to...  Mas antes que conseguisse
terminar a frase, ele vomitou o sorvete meio comido nos patins Nike verde cido de Dan.
Isto sim  uma definio de carma ruim.

ele perdeu aquela dedicao amorosa

As pernas de Nate estavam meio trmulas, como ficavam quando o treinador o pegava
vadiando no treino e o sentenciava a correr vrias voltas no campo como castigo. Foi um
longo dia carregando novas estacas da cerca da entrada de carros, onde formaram pilhas
mais altas do que o prprio Nate em vrios pontos em volta do jardim. Ele cambaleou para
dentro de casa, os braos doendo e com um tremor nos joelhos.
Fraqueza nos joelhos  e nem era por causa de uma garota.
A caminho do quarto, Nate parou na cozinha reluzente em branco e ao e vasculhou a
geladeira. Regina, a empregada/bab/chef dos pais dele, mantinha o lugar bem abastecido,
mas Nate empurrou para o lado a terrina de pat caseiro e a salada de tomate-e-orzo para
pegar uma garrafa de suco de laranja Lorina. Sempre foi o preferido dele quando era
criana, mas por algum motivo eles s compravam aquele suco quando estavam em East
Hampton, ento Nate associava o sabor gelado e leve com os veres despreocupados de sua
infncia, quando dava festas ultrajantes na piscina com todo mundo nu e acabava com a
adega de vinho dos pais.
Bons tempos, aqueles, pensou ele consigo mesmo enquanto ia para o quarto. No havia
nada com que se preocupar a no ser se faria sol suficiente para passar a tarde na praia, ou
se ele estava alto o bastante, ou se um dia ia conseguir transar com Blair.
Agora a vida era muito mais complicada. Apesar de estar no meio das frias de vero, Nate
estava estressado com um monte de coisas: o que os amigos caipiras de Tawnie iam fazer
com ele se esbarrasse neles sem Tawny, o que ele diria a Blair quando a visse em Yale, se o
que Chuck Bass lhe dissera era verdade.
Segurando a garrafa aberta, Nate desabou gemendo na cama macia e desfeita. Fechou os
olhos e tentou clarear a mente, mas havia uma pessoa em quem no conseguia parar de
pensar.
Adivinha quem?
De repente ele queria no ter devolvido o suter de cashmere verde-musgo que Blair lhe
dera na primavera anterior, quando o pai dela os levou para esquar em Sun Valley. Ia vesti-
lo, fechar os olhos e se lembrar de pocas mais simples, quando ele e Blair estavam juntos e
tudo parecia bem no mundo. Porque, a no ser por aquelas vezes em que ele a irritou
falando besteira ou ficando chapado e estragando os planos dela, ficar com Blair  embora
ela fosse difcil  fazia com que Nate se sentisse completo, como se tudo fosse exatamente
do jeito que devia ser. Agora Blair ia se casar com aquele ingls. Ser que era verdade? De
repente, Nate precisava saber.
Ele se sentou, tomou um gole da garrafa gelada e pegou o telefone Bang & Olufsen na
mesa-de-cabeceira. Hesitou por um segundo antes de discar aquele nmero to familiar.
  a Blair  ela atendeu depois de alguns toques. Ela parecia seca, profissional, como se
no tivesse reconhecido o nmero.
 E a  Nate se virou de bruos e mexeu nervoso no lenol.
 Nate?Ela bocejou, j parecendo entediada.  Meu Deus, desculpe. Estou to cansada.
 , sou eu  respondeu ele timidamente. De repente no conseguia se lembrar de por que
pensara ser uma boa idia ligar para Blair.
 Estou trabalhando  explicou Blair.  A semana foi uma loucura.
 Que legal.  Blair tinha um emprego? Caraca, as coisas mudaram mesmo.
   concordou ela.  Bailey Winter tem mesmo arrancado meu couro.
Nate no fazia idia do que ela estava falando, mas decidiu que devia tentar ser solidrio.
 Isso  pssimo.
  s a vida no mundo da moda. Onde voc est, alis?
 Em East Hampton. Na casa dos meus pais. Estou trabalhando para meu treinador aqui,
ajudando com a casa dele.
 Eu queria poder dar o fora  respondeu Blair sonhadoramente.  S por um minuto. Mas
voc sabe como ...
 Sei  concordou Nate.  Se est trabalhando,  assim que tem que ser.
 J falei que estou fazendo o figurino daquele filmenovo... Breakfast at Fred's?
 Legal  entoou Nate. Por que ela no falava nada do noivado?  E a, ento voc voltou
de Londres.
 Ah, sim.  Blair deu um suspiro fundo.  Tive que voltar a Nova York. Decidi que esta 
a melhor maneira de aprimorar meu currculo antes de comear em Yale, sabe como , ter
uma experincia profissional de verdade na manga.
 Parece um bom plano  concordou Nate, de repente querendo ter apertado um baseado
antes de fazer a ligao.  Especialmente agora que voc, tipo assim, est fazendo planos
para o futuro.
 E voc no est?  perguntou Blair.  Precisa pensar no que vem por a, voc sabe disso,
n, Nate?
   concordou Nate, embora raras vezes pensasse num futuro que fosse alm da hora de
comprar um burrito ou uma pizza para o jantar.  Mas a, acho que s liguei pra te dar os
parabns, essas coisas.
 Ah, no  nada. S um empreguinho de vero com um dos melhores estilistas da
Amrica.
 Eu estava falando do noivado. Eu soube de tudo.
 Noivado?  ecoou Blair.  Quem te falou nisso?
 O Chuck me contou  admitiu Nate, puxando um travesseiro por cima da cabea.
 O Chuck te disse que eu fiquei noiva?  ladrou Blair.  Pra variar, ele entendeu tudo
errado.
 Como assim?  Nate puxou o travesseiro e se sentou.
 Bom, eu voltei  assinalou Blair.  Simplesmente no estava dando certo em Londres. Eu
no podia me casar com ele. Preciso pensar no meu futuro.
Como se algum realmente tivesse feito o pedido. At parece.
 Ento voc no vai se casar? Eu devia dar uns socos no Chuck para ver se ele comea a
agir como homem.
Boa sorte nessa.
 Ele  um idiotadeclarou Blair.  Quem liga para o que ele pensa? Por que d ouvidos a
ele?
Nate deu de ombros, embora Blair no pudesse v-lo pelo telefone.
 Sei l, eu no estava sabendo nada de voc. Mas fico feliz que tenha voltado. Sei que
sempre foi seu sonho ser a Katherine Hepburn, mas  legal que pelo menos voc esteja
perto da ao.
  Audrey Hepburn  Blair o corrigiu.  E eu no estou perto da ao. Fao parte da ao.
Em um grande filme como esse, o figurino  fundamental.
 Lembra daquela vez em que vimos o filme e voc ficou parando a toda hora e me fazendo
ensaiar as falas com voc?  Relembrou Nate tristonho. Foi um dia de nevasca e as aulas
tinham sido suspensas, ento eles passaram a tarde aninhados na cama de Blair, vendo
Bonequinha de luxo, s que Blair ficava parando para recitar as falas e tentando convencer
Nate a acompanh-la. Ele tentou, porque era mais fcil mant-la feliz. Agora ele estava nos
Hamptons, Blair em Nova York e o relacionamento acabara... at o quarto se fora,
transformado no luxuoso quarto em tom pastel da irmzinha de Blair.
 Decidi que, como meta de carreira de longo prazo, trabalhar na moda, nos bastidores, faz
muito mais sentido  explicou Blair.
   concordou Nate.  De qualquer forma,  a Serena que realmente tem jeito de estrela
de cinema.
Ai.
Blair parou por um momento.
 Eu preciso mesmo ir, Nate. Tenho que levar umas amostras at o set.
 T legal  Nate ficou decepcionado.  Parece importante.
  importante. Divirta-se na praia.  Blair desligou.
Nate apertou End e largou o fone no cho, depois se virou e encarou o teto. Divirta-se? De
repente, os Hamptons no pareciam nada divertidos. Todo o vero diante dele e Nate se
sentia solitrio e isolado. Estava com saudade da cidade, dos amigos, estava com saudade
de Blair.
E nenhuma gatinha da ilha podia fazer com que ele esquecesse isso.

v encontra uma figura paterna

Batendo a pesada porta depois de entrar, Vanessa irrompeu hall adentro do lar dos
Humphrey, largando a mochila militar surrada no cho de taco rachado e desarrumando
uma pilha de jornais velhos ao fazer isso.
 Droga!  Ela se ajoelhou e reempilhou os jornais da forma mais organizada que pde,
mas o apartamento estava sempre em tal desordem que dificilmente isso faria diferena.
 Que foi isso?  gritou uma voz de trovo.  Quem est a?
Vanessa se levantou e olhou em volta, sentindo-se culpada. Estava to exausta da tarde com
os gmeos incansveis, to humilhada e irritada do encontro com Dan e a putinha
patinadora de bunda dura dele, to furiosa por ter sido demitida pelo psictico do Ken
Mogul, que tinha se esquecido de que no estava na prpria casa: ela no podia pisar duro,
nem bater portas. Tecnicamente, era uma hspede.
 Que confuso  essa?  Rufus Humphrey se arrastou pelo hall mal iluminado, segurando
um mao de papis soltos no peito de barril. O grosso emaranhado de cabelos grisalhos e
crespos na altura do ombro estava preso por um elstico verde, havia cascas de amendoim
na barba grisalha e os culos tinham escorregado pelo nariz vermelho e largo. Ele vestia
short cargo bege surrado com vrias canetas e marcadores luminosos enfiados num dos
bolsos, uma camisa plo azul meio apertada demais que Vanessa reconheceu como uma das
camisas descartadas da escola de Dan e um avental de plstico rosa decorado com
margaridas.
 Desculpe  disse Vanessa.  No quis incomod-lo.
 Que dia  hoje?  perguntou Rufus, fitando-a intensamente sem nenhum sinal de
reconhec-la.
Ela se perguntou se devia lembrar a ele quem ela era.
 Domingo.
 Domingo, sim, domingoassentiu Rufus, tirando os culos de leitura e colocando-os em
um dos muitos bolsos.  Ento, chegou em casa tarde ou cedo? Preciso dar uma bronca em
voc ou coisa assim?
Vanessa riu, aliviada por Rufus saber exatamente quem ela era.
 No se preocupe. Posso lhe garantir que estou me comportando.
 Ento, venha  instou ele, virando-se e retirando-se para a cozinha vaporosa e
desordenada. Andei trabalhando no jantar e preciso de um paladar fresco para provar o
que preparei.
Como se ela j no tivesse passado por um dia bem difcil.
Vanessa se sentou em uma das cadeiras capengas e instveis  mesa da cozinha, bebendo
um copo de gua da torneira e vendo Rufus Humphrey se ocupar do fogo. O que quer que
estivesse cozinhando cheirava muito bem e fez com que seu estmago roncasse alto. A
nica coisa que comera o dia todo foi o sanduche de sorvete que devorou s pressas;
depois de toda a cena no parque, ela simplesmente no teve apetite para almoar.
 Prove isso  ordenou Rufus, passando uma colher de pau a Vanessa.
Ela soprou no montinho fumegante de cuscuz e provou.
 Est muito bom.
 E um tagine  informou Rufus.  A receita de Paul Bowles. Eu me esqueci totalmente que
tinha. Onde est o Dan? Ele adora Paul Bowles. Ele no vai sacar essa, tenho certeza.
Substitu o aafro por vermute!
 Dan? No sei bem  admitiu Vanessa. Ela mexeu pouco  vontade no jogo americano de
linho branco, bordado com pequenas flores lavanda. Parecia to deslocado naquela cozinha
mofada e bagunada.
 Problemas no paraso?  perguntou Rufus, mexendo vigorosamente a panela que
borbulhava.
Vanessa hesitou. Estava realmente com humor para desabafar. Ela no falava com Rufus
desde que sara apressada do apartamento, no falava com os pais h sculos. Nem se
importava que Rufus fosse o pai de Dan, s precisava falar com algum.
 Parasoela bufou. Acho que no estamos mais nele.
 O que quer dizer?  Rufus folheou o livro de receitas, assentindo judiciosamente. 
Merda! Duas colheres de ch. Bom... Seis colheres de ch no vo matar ningum.
 Quero dizerexplicou Vanessa, um bolo se formando na garganta.  Acho que
terminamos.
 O que aconteceu?  perguntou Rufus enquanto vasculhava por uma gaveta, batendo os
utenslios.
 No sei  mentiu Vanessa, de repente constrangida.
Ser que ele realmente precisava saber dos detalhes srdidos?
 Ah, vocs, crianas  ele sacudiu a cabea.  O amor juvenil.
Ou afalta de amor juvenil.
Tentando no perder o controle, Vanessa continuou.
 O caso  que ele nem sabe o que est acontecendo na minha vida. Quer dizer, eu perdi
meu emprego hoje. Fui demitida por Ken Mogul Vanessa suspirou, todo o corpo
tremendo. Ouvir as palavras em voz alta, mesmo saindo de sua prpria boca, tornava a
realidade ainda mais difcil.
 Demitida?  Repetiu Rufus, acrescentando o que parecia mel em excesso  panela de
cuscuz.  No se preocupe com isso. Acredite, uma vez fui demitido de um emprego. Eu
era porteiro do Brattle Theater, quando era estudanteele riu.  Fui demitido por ter gritado
obscenidades durante uma pea sobre a Rssia comunista, mas esta  uma longa histria.
 Bom, eu agradeo de verdade que tenha me deixado ficar aqui. Tenho certeza de que vou
encontrar outro lugar logo  murmurou Vanessa, infeliz.  Posso ligar para a Ruby e talvez
ela me deixe ficar no sof. Ou talvez eu possa pedir ajuda a Blair Waldorf. Quer dizer, eu a
ajudei quando ela no tinha para onde ir.
A Srta. Dorme-em-uma-cama-nova-a-cada-semana? No conte com isso, maninha.
 Segura a linha a, cara!  exclamou Rufus com uma de suas clssicas exploses absurdas.
At onde eu sei, este  meu apartamento, e no de Dan. Jenny est na Europa e depois vai
para aquele internato horroroso. Dan vai para Ever-green, infelizmente, e eu vou ficar aqui
falando comigo mesmo e cozinhando para um. Acho que no, camarada.
Vanessa nunca fora chamada de "camarada" antes, pelo menos no pelo pai de ningum.
Ela meio que gostou.
 No sei no  protestou ela. Enfim algum estava sendo legal com ela, e ela no fazia
idia de como lidar com isso.  No tenho certeza se tenho o direito de tirar proveito de sua
hospitalidade desse jeito.
 Se  assim mesmo que voc se sente  Rufus recolocou a tampa na panela de ferro com
um baque.  Podemos pensar em alguma coisa. Voc vai para a NYU no outono, no ?
No temos muita renda aqui e voc estar estudando de mais para trabalhar. Talvez possa
alugar o quarto de Jenny por uma pequena taxa. Desde que prometa me deixar cozinhar
para voc.
Vanessa esfregou a cabea com uma leve camada de cabelos e pestanejou para um Rufus
de cabelo desgrenhado.
 Ah! Pimenta em p!  gritou ele, antes de colocar vrias colheres.
 claro que ele era meio esquisito, mas foi realmente gentil e ela tinha certeza de que o
aluguel seria mais do que razovel. Ela podia ficar o tempo todo na rua at que Dan fosse
para Evergreen. E talvez fosse mesmo divertido dividir uma casa com Rufus. Ele ia ser o
pai amalucado que ela nunca teve. Na verdade, ela tinha um, mas no ia doer ter dois.
 Obrigada, Sr. Humphrey.  Vanessa enxugou os olhos com as costas das mos.  Vou
adorar.
 timo. Agora pegue umas tigelas e algumas taas de vinho. O jantar est pronto.
 melhor aproveitar a viagem e pegar o anticido.

nasce uma estrela  tomada dois

Serena se demorou no trailer o maior tempo possvel, estudando o roteiro pela milionsima
vez, tentando atenuar a horrvel tremedeira da manh de segunda. Ela bebia o segundo latte
da manh e pensava nos ensaios de fim de semana com Blair.
 Feche os olhos  ordenou Kristina, sua maquiadora alem magrrima. Kristina usava um
delineador insanamente preto e Serena tinha um pouco de medo dela. Ela sentiu a carcia
suave de um pincel nos olhos fechados.
 Tudo bem, abra  disse Kristina.  Est pronto.
Serena abriu os olhos e suspirou. Pelo menos no tinha nenhuma fala nesta grande cena, s
letra de msica: esta manh eles iam rodar uma referncia direta  cena do filme original
em que Audrey Hepburn canta "Moon River" na sada de incndio. Ken Mogul decidira
recriar inteiramente a cena, ento o trailer de Serena estava estacionado na frente do prdio
dilapidado do East Village, lar de seu personagem no filme. Serena tomou a ltima gota do
latte da Starbucks e pensou no que Blair lhe dissera na vspera. Ela quase podia ouvir a voz
da amiga em sua cabea.
Mas esse  um pensamento apavorante. "No tem que atuar. Voc j  ela. Esse vestido 
seu vestido. Essa voz  a sua voz. Tome posse dela."
 Acho que esto esperando por voc  lembrou-lhe Kristina.
Olhando-se pela ltima vez na penteadeira cheia de lmpadas, Serena engoliu em seco.
Estava pronta como sempre, mas ia precisar de um milagre para conseguir fazer a cena.
Um milagre chamado Blair Waldorf.
Ela saiu do trailer cromado e reluzente Airstream e pisou na calada. St. Marks Place
parecia ainda mais claustrofbico do que de costume: estava tomado pelo exrcito da
equipe de filmagem e uma floresta de luzes incrivelmente quentes. Ken Mogul estava
afundado em sua habitual cadeira de diretor, fumando um cigarro, uma vez que iam rodar
ao ar livre e no nos ambientes imaculados da Barneys, e mexia no celular BlackBerry
novo.
Blair esperava entre os dois trailers com sua fiel sombra-assistente Jasmine. A menina mais
nova tinha uma bolsa verde estampada com o logo ornamentado do estilista Bailey Winter
atirada sobre o ombro, pronta para proteger o vestido de Serena dos elementos da natureza
quando a cena acabasse.
Deve ser legal ter uma xerpa.
 Serena no set!  gritou o segundo assistente de direo e o exrcito de Ken comeou a
disparar como formigas.
Assim que percebeu a protagonista, Ken Mogul saltou da cadeira, quase se chocando com
um estagirio de culos. Atrs do diretor, Serena podia ver o perfil cinzelado de Thaddeus
Smith, encostado em seu prprio trailerum Airstream igual ao dela, s que pintado de
azul-beb  batendo papo no celular pequeno e preto.
 Holly, meu amor  piou Ken, enfiando o BlackBerry no bolso de trs da cala de smoking
estranhamente inadequada. Voc est deslumbrante. O figurino  absolutamente
impecvel.
Serena usava o vestido de veludo azul-escuro Bailey Winter e as mais lindas sandlias
prateadas de tiras.  claro que as pernas eram longas e perfeitas, embora ela sequer fizesse
exerccios.
Exerccios? Que coisa mais gache.
 Obrigadarespondeu Serena, tremendo. Estava louca para acabar com tudo aquilo.
 Muito bem  ladrou Ken.  Coloquem alguma luz aqui! Isso  pra valer, gente!
Serena andou at sua marca no set, como praticara no dia anterior.
 Coloquem luz aqui!  gritou o assistente de direo.
A luz mudou: o resto do ambiente ficou mais escuro, mas o spot em Serena era
intensamente brilhante. Ela nem piscava. Olhou para a luz e no conseguia ver nada a no
ser a luz, e no conseguia pensar em nada a no ser ficar parada ali na luz. Ela era Serena.
Ela era Holly. Ela no sabia mais quem era. Ela s era.
Tome posse dela, lembrou-se Serena.
 Quando estiver pronta, Holly  gritou Ken de algum lugar nas trevas.
Ela estava pronta.
Respirando fundo, ela andou at o primeiro degrau da escada do prdio. No hesitou, no
contou os passos, no tropeou nem correu. Subindo na escada, ela se virou para olhar as
cmeras, inalando profundamente.
 Que linda noite  suspirou ela.  Sempre est uma linda noite.
Ela subiu no ltimo degrau e se sentou. Podia ver Ken Mogul observando-a atentamente em
meio a baforadas no cigarro. Podia ver Blair, completamente imvel e semicerrando os
olhos criticamente. Ela parou e depois, com um pequeno tremor na voz, comeou a cantar.
Moon River, wider than a mile...
PU be crosslng you in styk, someday.
Dream maker, you heartbreaker...
Ela cantou todos os versos da msica, sem acompanhamento. O set estava num silncio
completo e a luz era to forte que ela se esqueceu por um momento de quem realmente era,
de onde realmente estava: naquele momento, ela era Holly e estava cantando com emoo.
Serena terminou a msica e uma lgrima pequenininha rolou por seu rosto. Ela encarou a
luz, piscando e meio sorrindo. Sempre foi o centro das atenes; na verdade, estava to
acostumada com isso que nem percebia mais. Mas esta era a primeira vez que se sentia uma
estrela.
Houve um longo e completo momento de silncio. Ningum se mexia. Ningum falava.
 Holly  sussurrou Ken, mas todos podiam ouvi-lo, pois o silncio era sepulcral.  Isso foi
incrvel. Onde  que voc guardou essa porra, meu bem?  Ele saltou da cadeira e disparou
pelo set para peg-la nos braos. Parte da equipe na verdade comeou a aplaudir. At Blair.
 Senhoras e senhores!  Gritou Ken Mogul, segurando Serena contra o peito e girando-a
em crculo.Nasce uma estrela!
Ken tinha cheiro de chucrute e caf expresso. Provocou lgrimas nos olhos dela. Mas
estava tudo bem  ela j estava chorando.

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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

Mas por acaso eu estava passando pela Barneys outro dia (t legal, admito: eu estava de
tocaia) e adivinha s? Estava aberta.  verdade: funcionando, devolta  normalidade, sem
nem um segundo de atraso. Vi uma linda cala Margiela com cordo na cintura que vai
ficar tima  beira da piscina e subi at o Fred's, que foi restaurado a sua glria de sempre.
Acho que  verdade o que ouvi dizer: aquela filmagem acabou. Adivinha como nossa
protagonista preferida se saiu? Os relatos do set dizem que (surpresa, surpresa) ela passou
por tudo muito bem (essa  a nossa garota), fez cada tomada com tal preciso que nem o
diretor notoriamente amargo conseguiu deixar de sorrir e declarar seu amor por ela. Pegue
uma senha, colega. A novidade ainda melhor  que, como qualquer ator de Hollywood lhe
dir, o final da filmagem significa uma coisa: uma festa de encerramento. Soube que esta
ser um completo acontecimento  moda antiga, ento cruze os dedos e pergunte toda hora
a seu porteiro se o convite chegou. O meu,  claro, chegou dias atrs.

comunicado de utilidade pblica

Interrompemos nossa programao para dar uma informao muito importante: a ABC
Carpet & Home, o nico lugar em Manhattan onde voc vai encontrar tapetes artesanais do
Ir e aquelas velas Diptyque de-cheiro-to-delicioso-que-d-vontade-de-comer, agora est
oferecendo um servio especial a seus dedicados clientes. Pare e pergunte por Sisi: ela vai
ajudar voc a escolher um glorioso colcho de penas (porque aqueles colches de
universidade so finos como papel), um kilim turco encantador ( melhor cobrir as
medonhas paredes de tijolinhos cinza), um abajur lindo (escolha um dos exclusivos para
contra-atacar as -- tremei -- lmpadas fluorescentes do alojamento) e todas as miudezas
que fazem uma casa (at um quarto de alojamento de adolescente) se transformar num lar.
Sabe como , nunca  cedo demais para comear a se preparar para o outono!

Seu e-mail

P: Cara GG,
Eu estava fazendo um piquenique perto do Hudson no ltimo fim de semana e juro que vi
um certo gato de Hollywood patinando sem camisa ao longo do rio. Eu reconheceria aquele
queixo cinzelado e aquela barriga ainda mais cinzelada em qualquer lugar. Seria mesmo
ele? Porque olha s: ele estava usando um daqueles shorts de spandex pequenininhos que
mostravam a bundinha dura dele e por baixo dos patins eu tive certeza de ver visto parte de
umas meias de arco-ris. O que  que t pegando? Por favor, no diga o que estou pensando
que vai dizer.
-- ThadRulz

R: Cara ThadRuIz,
Desde quando a patinao ficou to popular de novo? Essa realmente me pegou. Mas a, s
o que posso dizer  isso: os hetero tambm podem patinar. Na verdade, posso pensar em um
(definitivamente hetero) que recentemente descobriu seu amor pelo esporte. Se estiver
procurando por provas de que T prefere a companhia de cavalheiros, dizem que ele tem um
caso com todo mundo, da esposa consideravelmente mais nova de um certo diretor ao
prprio diretor. No acredite em tudo o que l... A no ser que tenha lido aqui!
-- GG

P: Prezada GG,
Estou numa barra pesada. Tenho uma vizinha totalmente linda e fiquei realmente a fim de
chegar junto dela. Tudo bem, n? Bom, depois a colega de apartamento igualmente linda
dela se mudou para c, e eu acho que tambm fiquei a fim de chegar nessa amiga dela. O
que voc acha? Devo tentar trocar pela colega, ou  melhor namorar algum de fora de meu
cdigo postal?
-- Indeciso
R: Caro Indeciso,
Voc  um sujeito corajoso. Mas cuide para que o caso de amor dure tanto quanto o aluguel
-- caso contrrio, voc vai passar por momentos desagradveis na escada! E olha aqui, no
h nada mais divertido do que um trio!
-- GG

Flagras

N parecendo avoado numa praia na Main Street em East Hampton. Adivinha o que o
deixou depr? D e uma garota indefinida no Jamba Juice em Columbus Circle,
"reabastecendo os fluidos" depois de malhar pesado. Ei, crianas, vocs sabem que existem,
tipo assim, quatro hotis a perto, no sabem? B arrastando umas bolsas abarrotadas de
roupas para a casa da me na Quinta Avenida. Ser que ela comprou o bastante para este
vero? T comprando flores no Chelsea Market -- s uma lembrancinha para a protagonista
preferida? V carregando suas obras reunidas para a manso da Quinta Avenida onde
trabalha agora. Parece que a nova chefe dela  f de cinema, ou talvez ela s esteja tentando
ser demitida de novo, mostrando a seus pupilos algumas coisas bem desvirtuadas.

T legal, chega de flagras. No tenho tempo para isso: estou indo para aquela butique
vintage maravilhosa na Elizabeth Street. Em geral no gosto de roupas velhas --elas
cheiram a gente morta -- mas pensei que seria divertido usar uma roupa da velha
Hollywood para a festa da velha Hollywood. Epa, eu j falei demais!

Pra voc que me ama,
gossip girl

um verdadeiro final hollywoodiano

O bar do terrao do Oceana Hotel parecia um hospcio. Ficava apinhado a cada noite de
vero, mas basta colocar algumas estrelas de cinema na mistura (t legal, um astro de
cinema e uma futura estrela de cinema) e vira um caos. O bar e a piscina do terrao a cu
aberto eram mais um lugar para ver e ser visto do que um lugar para falar e ser ouvido,
ento Serena ficou meio decepcionada quando Thaddeus sugeriu ir l. Agora que a presso
das filmagens sara de seus ombros, Serena queria realmente conversar com ele, conhec-lo
como pessoa, e no como colega de filme. Ela ouvira um boato de que ele ia sair da cidade
depois da festa de encerramento, que aconteceria no dia seguinte, ento isso no deixava
muito tempo para os dois juntos -- e ela esperava que alguma coisa finalmente pudesse
acontecer entre os dois, longe das cmeras.
Ao que parece, esse foi o nico boato que ela ouviu dele.
-- O que vai beber? -- gritou Thaddeus quando a garonete se aproximou para pegar os
pedidos. Eles estavam sentados no que devia ser a rea VIP, mas no havia nada que a
distinguisse do resto do terrao estreito, a no ser pelo fato de que eles tinham a melhor e
mais desimpedida vista do Hudson. Pelo menos eles escolheram a noite certa para beber
junto ao rio. Havia fogos de artifcio em toda parte, em comemorao de alguma coisa.
Orgulho Gay, quem sabe? Ou talvez houvesse uma maratona hoje. Serena nunca conseguia
se lembrar direito dessas coisas.
-- Caipirinha -- ela praticamente gritou na orelha dele.
Thaddeus repetiu isso  garonete atnita, que correu
para pegar os drinques que provavelmente sairiam por conta da casa. Thaddeus nunca
precisou pagar por nada, mas Serena nunca teve que pagar realmente por coisa nenhuma
tambm: o famoso estilista Les Best lhe dera uma tonelada de roupas quando ela fez o
anncio de seu perfume e os homens sempre lhe pagavam drinques ou o jantar, aonde quer
que ela fosse.
Imagino que o estrelato estava escrito nas estrelas da moa.
Thaddeus tamborilava preguiosamente na superfcie da mesa no ritmo da msica das
Scissor Sisters que berrava dos alto-falantes bem escondidos. Ele olhou o Hudson e sorriu.
-- A noite est tima -- observou ele.
-- Est mesmo -- concordou Serena. Ela estava espremida entre Thaddeus e o parapeito de
proteo que serpenteava em volta do terrao. --Estou to feliz por termos sado e no
precisar me preocupar em decorar nossas falas ou com o que Ken vai gritar com a gente
amanh.
-- Nem me fale, porra -- Thaddeus acendeu um cigarro, deu uma tragada rpida e passou-
o para Serena.
Serena inalou a ponta levemente molhada -- ela j beijara Thaddeus de frente para a
cmera, ento um pouco da saliva dele no a incomodava -- enquanto a garonete baixava
os drinques. Thaddeus deslizou o coquetel dela pela mesa.
-- Um brinde--sugeriu ele, erguendo o cosmo rosa no ar.
Cosmo rosa?
-- Sem dvida -- Serena bateu o copo no dele. --A um filme incrvel.
-- A uma colega de trabalho incrvel--corrigiu Thaddeus, erguendo a sobrancelha. -- E a
uma estria incrvel.
Ele passou o brao pelas costas do banco e puxou Serena para mais perto, pousando a mo
no ombro esquerdo dela.
-- Os fogos de artifcio vo rolar logo, no ? -- Ele indicou o rio, com um movimento de
cabea. Um dos fogos menores j explodira.
O DJ comeou a tocar uma msica melosa, alguma coisa dos Raves.
-- Eu conheo essa msica! -- gritou Serena. Parecia familiar, mas ela no conseguia
situar de onde.
--  dos Raves -- explicou Thaddeus. -- Sou amigo do baterista deles -- ele estendeu a
mo e pegou o cigarro aceso de Serena, inalando furtivamente.
--  mesmo? Conheo a menina que est cantando. O nome dela  Jenny. Fomos colegas
de escola. Pera, acho que ela pode ter namorado seu amigo, o baterista, qual  o nome dele
mesmo?
-- No -- Thaddeus riu. -- No acho que ela faa o tipo dele.
Hein? E que tipo  esse?
Serena no tinha certeza do que isso devia significar, mas no estava aqui para discutir a
vida amorosa de Jenny Humphrey. Ela bebeu o drinque aucarado e bateu as pestanas para
a multido de garotas reunidas atrs da corda de veludo que limitava a rea VIP. As
meninas, todas dando berros escandalosos e usando delineador demais, riam e tiravam fotos
dela e de Thaddeus com os celulares.
Provavelmente elas vo mandar por e-mail para algum site de fofoca, pensou Serena com
irritao.
Ah, no seja assim to bobinha.
Uma rodada macia de fogos de artifcio irrompeu com uma exploso violenta e Serena deu
um gritinho assustado, enterrando-se no abrao quente e musculoso de Thaddeus Smith.
-- No se preocupe -- ele riu. --  s barulho.
-- Acho que nossa capa est pronta -- disse Serena a ele, gesticulando com os olhos para o
grupo de meninas.
-- Nunca vou me acostumar com isso.--Thaddeus franziu o cenho. -- Quer dizer, sem
dvida uma foto de celular borrada da gente vai terminar nos jornais.
-- ,  esquisito -- sussurrou Serena, roando por acidente a orelha de Thaddeus com a
ponta do nariz.
-- Me faz um favor? -- perguntou Thaddeus.
Antes que Serena pudesse abrir a boca para responder, ele se inclinou e a beijou
delicadamente na boca. O timing foi perfeito: acima do Hudson, uma exploso enorme de
fogos comeou com um estouro, suas luzes cintilando e depois desaparecendo em um
instante. Foi totalmente brega, mas totalmente romntico: um momento cem por cento
hollywoodiano.
Tipo assim, caracaaaaa.

os problemas de n com mulher

-- Cara! Nate! -- Anthony Avuldsen inclinou-se para fora da janela de sue BMW M3
preto, tocando a buzina.
Nate estava trancando a bicicleta em uma placa de PROPRIEDADE PARTICULAR, NO
ULTRAPASSE na beira do estacionamento de terra da Main Beach. Ele devia se encontrar
com Tawny, mas o aparecimento de Anthony foi uma surpresa bem-vinda. Depois de
conversar com Blair ao telefone... Ele simplesmente no conseguia deixar de sentir que
estava com a garota errada. Alm disso, estava uns vinte minutos adiantado.
Havia uma primeira vez para tudo.
-- E a -- gritou Nate, andando at o lado do motorista.
-- O que  que t rolando?
-- Pouca coisa -- Anthony riu. -- Eu s estava voltando da praia, mas por que no entra e
vamos dar um giro? -- Ele abriu o cinzeiro do carro e pegou um baseado recm-enrolado,
acenando-o no ar. -- S uma voltinha, entendeu?
Era exatamente o convite de que Nate precisava. Ele contornou o carro e pulou no banco do
carona, acomodando-se no assento de couro creme macio.
Anthony abaixou o som e apertou um boto para que a janela de Nate se abrisse
rapidamente. Ele deu a volta no estacionamento e entrou na rua.
-- Pode comear a -- instou ele,
Nate pegou o baseado, tirou o Bic enferrujado da meia e acendeu.
-- Foi legal a outra noite na casa da Isabel. -- Anthony estendeu a mo para pegar o
baseado de Nate. -- Que pena que no pde ir.
Nate exalou uma longa nuvem de fumaa pela janela. Ele analisou seu reflexo no pra-
brisa: no teve tempo de se barbear pela manh e parecia meio espigado. A camiseta estava
suja e o desodorante tinha vencido h horas. Os jeans estavam manchados de grama e de
terra. Ele exibia um bronzeado incrvel, mas ainda parecia meio doente, provavelmente
porque no tinha dormido muito, e seus olhos estavam meio injetados.
Ser que a falta de sono  mesmo a culpada por aqui?
Ele se virou para pegar o baseado com Anthony e examinou o amigo mais de perto:
Anthony vestia short Vilebrequin com uma estampa maluca, um chinelo velho e surrado e
culos de sol. Tinha um bronzeado que rivalizava com o de Nate, mas nenhuma bolsa
debaixo dos olhos claros como cristal e parecia com um milho de outros caras dos
Hamptons: um sujeito de frias, indo de carro para casa depois da praia, fumando unzinho.
Nate exalou, infeliz. A maconha era tima, mas no mudava o fato de que ele estava
cansado, parecia um mendigo, estava... com inveja. Por que Anthony podia se refrescar na
praia o dia todo enquanto ele tinha que trabalhar feito um co?
Talvez porque Anthony no tenha roubado drogas que melhoram o desempenho sexual do
treinador de lacrosse?
Nate tamborilou no pra-brisa no ritmo do disco antigo de Dylan no som do carro e
devaneou por um momento, imaginando o vero ideal: ele estaria na praia,  claro, surfando
em Moutauk ou s deitado na areia, zanzando com o conversvel Aston Martin do pai,
fumando com Anthony e os outros amigos do time de lacrosse, ficando na cama com Blair
at o incio da tarde. Ou talvez ele levasse Blair para velejar por algumas semanas pela
costa do Maine. Ensin-la a pescar. Comer lagosta. Transar muito. Dormir. Transar mais. Ir
 piscina. Transar de novo.
-- Cara, voc est a? -- perguntou Anthony.
-- Desculpe -- murmurou Nate, voltando  realidade.
-- Legal -- Anthony parou em um sinal vermelho. Trs meninas passaram de biquni e
shorts de surfe. S deviam ter uns 13 anos, mas ainda assim eram bonitas. -- E a, qual  o
papo com aquela garota, a Tawny, cara? Ela  gostosa.
--  -- respondeu Nate, devolvendo o baseado. -- Ela  legal. Mas sei l. Talvez eu esteja
sem saco pras garotas agora ou coisa assim.
Anthony deu uma gargalhada, sufocando um pouco com o baseado.
-- T legal, sei. J ouvi isso antes.
-- Que merda, cara -- esclareceu Nate. -- Ela no  a Blair, sabe o que quero dizer?
-- Bom, s existe uma Blair -- respondeu Anthony com o jeito arrastado de chapado,
apagando o baseado no cinzeiro embutido do carro. Ele passou a mo no cabelo alourado
de praia. -- E a, vocs dois vo voltar?
Nate sacudiu a cabea miseravelmente. Estava preso a uma vida de servo contratado. Blair
estava ocupada sendo uma perita em moda. Ele foi to idiota, sempre estragando tudo com
ela, sempre levando-a to pouco a srio ou se agarrando erroneamente com a melhor amiga
dela ou o que fosse, que ele ficou meio cego para a realidade de que, sem Blair, sua vida
no era nada.
Parece que Blair no  a nica drama queen.

de volta a cena do crime

Serena subiu em silncio os degraus de metal rangente de seu trailer--ou com o maior
silncio possvel com os saltos Michael Kors cor de prata metalizados. Ela no devia estar
ali; todos os atores foram liberados de seus deveres e as nicas pessoas no local eram os
responsveis pela desmontagem do set. Mas Serena decidira seguir a idia de Blair naquela
quarta-feira -- ela queria pegar o vestidinho preto que Bailey Winter desenhara para ela
usar, como Holly, na cena da festa no clmax do filme. Era a coisa perfeita para vestir em
sua festa real na noite seguinte.
Entrando no trailer, Serena acendeu a luz e fechou a porta frgil. A penteadeira ainda estava
tomada de maquiagem e produtos para o cabelo, e todas as roupas, rotuladas
cuidadosamente e passadas a ferro com perfeio pela imitadora-estagiria de Blair,
estavam penduradas, a trs centmetros de distncia uma da outra em um suporte rolante.
Achei. Serena pegou o vestidinho preto perfeito. Fora cortado exatamente para as
propores dela e, embora as alas finas fossem cobertas de sutis contas pretas, era macio e
simples. Isso era muito mais fcil do que comprar.
Fazer compras  um saco total. At parece.
Abrindo a capa de plstico que o protegia da poeira, Serena tirou o vestido do cabide e o
enfiou na bolsa. Tecnicamente, ela no devia se servir do figurino. Roubar do trailer lhe
dava uma adrenalina que s experimentou uma vez, quando tinha 10 anos e roubou um
gloss Bonne Belle sabor chiclete da Boyd's. Uma batida na porta do trailer a fez paralisar,
petrificada.
-- Quem est a? -- perguntou ela com a voz trmula, fechando rapidamente a bolsa de
lona Herms laranja.
-- Thad? -- Um cara magro e lindamente bronzeado colocou a cabea pela porta do trailer.
O cabelo castanho espetado estava desarrumado de forma habilidosa e abaixo das
sobrancelhas perfeitamente arqueadas os olhos eram enormes e verdes, com clios longos e
lindos. Vestia uma camiseta preta sem mangas e exibia intrincadas tatuagens de peixe pelos
braos magros e compridos.
-- No, sou eu -- desculpou-se Serena. -- O trailer de Thad  o do lado.
-- Ah, meu Deus! -- O rapaz corou profundamente. -- Eu lamento tanto. Devia saber que
no posso invadir o trailer dos outros.
-- No, no, est tudo bem -- Serena relaxou quando percebeu que ele no estava ali para
dar um flagra no roubo. -- Eu sou a Serena.
-- Ah, meu Deus, oi! -- gritou o estranho, entrando no trailer, a corrente que prendia a
carteira tinia, as mos estendidas, deixando a porta bater s costas.
-- Hmm, oi pra voc tambm -- gaguejou ela. Ele tinha um leve sotaque que Serena no
conseguia situar e ela teve um branco total. Ser que devia conhecer o cara?
-- Droga, olha s pra mim! Invadindo o trailer! Voc est ocupada com alguma coisa e eu
simplesmente entro como qualquer tiete mala da rua. Me desculpe. Deve achar que eu sou
maluco -- o rapaz soltou a mo dela e sacudiu a cabea, rindo.
-- No, no, no estou ocupada nem nada -- mentiu ela, agarrando a bolsa no peito. -- S
estava pegando uma coisa que deixei aqui.
-- Mas a, o Thad disse que vocs j filmaram tudo, n? -- perguntou o rapaz. -- Se
importa se eu me sentar? Vou me sentar -- ele se acomodou na cadeira diante da
penteadeira e cruzou as pernas.
Sente-se, por favor.
-- , terminamos. Graas a Deus! -- Serena tentou no demonstrar a perplexidade que
sentia. Quem era esse cara?
--  um trabalho doido, mas algum precisa fazer -- ele cruzou as pernas de novo e se
recostou, examinando-a de cima a baixo.--Mas voc  fabulosa. Linda. Exatamente como
Thad disse.
-- T. O Thad -- repetiu ela, a suspeita aumentando.
-- Ah, meu Deus, eu no me apresentei. Tenho uma tendncia a fazer isso. S fico falando
sem parar, porque costumo ficar nervoso, embora voc seja um doce e linda, eu no sabia
como pode deixar algum nervoso, a no ser que fosse um cara que quisesse convidar voc
para sair...
Serena corou. Quem era essa pessoa?
-- E ainda estou tagarelando -- continuou ele. -- Ah, meu Deus, s vezes sou to idiota.
Meu nome  Serge. E timo finalmente conhecer voc.
-- Serge -- repetiu ela. Serge? Serge? Quem diabos era Serge?
-- Serge. O namorado de Thad, sabe? -- esclareceu ele. -- Nem acredito que se passou
tanto tempo e s nos conhecemos agora. Vou ter que dar um murro no Thad quando o
encontrar. Mantendo-nos separados desse jeito. Ridculo.
O o qu do Thad?
-- Ah, o Thad fala muito de voc -- mentiu ela. -- Nem acredito que nunca nos
encontramos.
-- Acho que meio que faz sentido -- admitiu Serge, pegando um tubo de corretivo na
penteadeira e mexendo nele. --Temos que ser discretos, ento na maior parte do tempo s
fico sentado no meu quarto. Quer dizer, nem estamos no mesmo hotel. Estou hospedado no
Mercer. Mas voc sabe como ... Andou posando para aquelas fotos com ele pela cidade.
Voc  um doce mesmo. Ns dois agradecemos por isso.
Aquelas fotos do beijo tinham sido s para os fotgrafos? Thad a estava usando? Serena
desabou na parede. Nem acreditava que tinha se enganado tanto. Pensava que havia uma
ligao real, mas ele s era um gay lindo com um namorado adorvel que tinha que manter
em segredo. Ela precisava se sentar.
--  -- Serena largou a bolsa no cho e se acomodou no sof embutido, tirando os sapatos
e enroscando as pernas por baixo do corpo. -- Bom, sabe como , o Thad  maravilhoso.
Fico feliz em poder ajudar -- ela suspirou. Era quase verdade. Ela devia ter ficado irritada,
puta, magoada ou qualquer coisa, mas, na verdade, no conseguia acreditar que no tinha
percebido isso antes.
At parece que no teve dicas demais.
-- Eu disse que ele tinha muita sorte por trabalhar com uma atriz to incrvel. Quer dizer,
s vezes as protagonistas ficam to loucas e possessivas que pensam que esto namorando.
 como se no soubessem a diferena entre fantasia e realidade. Quer dizer, qual ?  s
fingimento.
-- Humm -- Serena assentiu.
-- Mas no voc--disse Serge, radiante. --Voc  como uma profissional experiente,
embora este seja seu primeiro filme! Quero que voc esteja em todos os filmes do Thad de
agora em diante. Prometa que estar!
-- Ah, pra com isso. -- Serena riu. Era difcil ficar irritada ou magoada quando Thaddeus
e o namorado dele eram to legais.
-- No,  srio -- disse Serge, pulando da cadeira e atirando-se no sof ao lado dela. --
Voc tem que passar o fim de semana na nossa casa em Palm Springs. Vamos aprontar
todas! E se estiver interessada... Acho que posso descolar um cara maravilhoso para voc.
-- Ah,  mesmo? -- Isso parecia divertido.
Ela sem dvida podia confiar no gosto dele para os homens!

Gossipgirl.net
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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.
oi, gente!

Tenho literalmente cinco minutos para escrever isso -- no sei quando as frias de vero
ficaram to frenticas, mas entre as aulas de tnis na Ocean Colony e coquetis no terrao
do Met, eu simplesmente no sei aonde vou acabar meu dia. Vamos comear por seu e-
mail, porque s existe um assunto na cabea de todos ultimamente...

P: Cara GG,

Sabe como conseguir um convite para a festaa que vai rolar na quinta que vem? Meu
namorado diz que vai me levar, mas desconfio de que ele est blefando e no ltimo minuto
o jipe dele vai quebrar ou coisa assim. Mas eu quero ir muito, muito mesmo, ento preciso
de um plano B. Socorro!
-- *Struck

R: Cara *Struck,
Dizem que eles controlam a lista de convidados muito de perto. Ento, com sorte, seu
namorado no est blefando -- ou voc vai ficar vendo limusines chegando como qualquer
outra mortal comum. Desculpe!
-- GG

P: Prezada GG,
Eu estava em Amsterd com minha famlia e consegui dar uma escapulida para ver uns
verdadeiros flagras. Depois de fumar um haxixe num bar, eu juro que vi aquela garota, a J,
danando numa vitrine na zona de prostituio. Agora eu queria ter convidado a gata para
um strip particular. Me diga que era ela!
-- DZsperado

R: Caro DZsperado,
Desculpe. Os pais dela podem ser alternativos, mas acho que nossa J no . Ela est no
exterior estudando artes plsticas e talvez a arte plstica de rapazes de boa plstica, mas
strips particulares na zona de prostituio e turistas vulgares no fazem parte do currculo.
-- GG

como aperfeioar seu papinho de festa

Um cursinho para refrescar a memria de todos os meus amados seguidores. Aproveitem!

1) Voc  encurralada por um pervertido aspirante a diretor e malvestido que quer que
voc v  casa dele para uma audio particular. Sua resposta:

a) Vai sonhando, tarado.
b) Por que na sua casa? Pegue seu celular com cmera e me encontre no banheiro!
c) Ficaria muito feliz, Sr. Mogul.

2) Enquanto est na fila do banheiro, um sujeito que parece produtor de cinema pergunta
o que voc pensou do filme dele. Sua resposta:

a) Achei que havia problemas de elenco -- por exemplo, a jovem ingnua no podia ter
mais ingenuidade -- mas no foi ruim...
b) O figurino era lindo, embora eu acredite que, no que se refere a figurinos, menos 
sempre mais.
c) J comeou a montar o elenco da seqncia?

3) Um astro de cinema incrivelmente bonito e internacionalmente famoso a convida para
danar um tango. Sua resposta:

a) Tango? Prefiro ir a um lugar mais tranqilo, longe de todos esses paparazzi.
b) Me abrace. Por favor, s me abrace.
c) Sempre achei que os gays eram os melhores danarinos!

4) Uma starlet de lindas pernas tropea e derrama o coquetel em suas novas sapatilhas de
camura Sigerson Morrison. Sua resposta:

a) Nada--voc s atira seu drinque na cara dela.
b) Meu sapatos! Meu orgulho e alegria! Minha raison d'tre!
c) Que se foda. Vou danar descala!

J fez? Nada de trapaas.
T legal, a resposta certa para cada uma das perguntas  C Como se voc no soubesse
disso. A gente se v hoje  noite!

Pra voc que me ama,
gossip girl

d tem uma oportunidade de ouro

Dan tinha visto Bree em diversas variaes de roupa de ginstica e  claro que
completamente nua, mas nunca a vira toda produzida para sair  noite. Assim, quando saiu
da estao de trem 6 na rua 77, ele ficou confuso ao v-la esperando, uma viso de blusa de
seda branca e simples, com o cabelo louro -- que ele nunca vira solto -- caindo em cascata
pelos ombros banhados de sol. A saia turquesa bordada e abaixo dos joelhos parecia ter
sido desenterrada de um brech da Turquia.
Dan vestia a coisa mais prxima que tinha de uma roupa de festa: uma camisa Agns B.
cinza-carvo, um presente da ex-agente, de quando bancara a prxima sensao do mundo
literrio.
E no um sujeito inconstante que quase desistiu da universidade e trai a namorada que mora
com ele.
-- Ei, coisa linda -- gritou ele ousadamente, subindo o ltimo degrau da escada e pisando
na calada. Subir a escada era mesmo mais fcil depois que ele comeara o regime de
exerccios.
-- Obrigada -- Bree lhe deu um beijo no rosto. -- Sentindo-se centrado? Voc parece
bem. Espero que eu no esteja malvestida.
-- No, voc est tima. Vamos?
Eles andaram pela Lexington entre nuvens de escapamento de nibus. A luz do incio da
noite reluzia nas vitrines da Starbucks.
-- E a. -- Bree se abraou enquanto caminhava. --Ainda no tenho certeza se entendi por
que voc foi convidado para essa festa.
-- No sei bem -- admitiu Dan. -- Conheo Serena h um tempo... Ou talvez Vanessa
tenha me colocado na lista. Quem liga? Uma festa  uma festa, n? -- Eles entraram na rua
71.
--  verdade -- Bree assentiu toda rgida. Ela parecia meio nervosa e inquieta para algum
que estava sempre to zen. -- E por falar na Vanessa...
-- T legal -- Dan enfiou a mo nos bolsos por instinto, procurando pelos Camels.
Que pssimo ter se esquecido dos cigarros de gramneas.
Bree suspirou.
-- Acho que talvez voc precise pensar melhor nisso. Meditar. Respirar fundo. Centrar-se.
Um dia vai encontrar a clareza. No posso lhe dizer o que fazer, sabe disso.  a sua vida.
Mas gostaria de ver voc encontrar algumas respostas. Afinal,  tudo o que queremos na
vida, no ?
-- Claro,  sim -- murmurou Dan, olhando para os dois lados antes de eles atravessarem a
Terceira Avenida. Talvez um txi simplesmente o atropelasse e ele no precisaria ter essa
conversa.
-- No sei no -- Bree suspirou, passando distraidamente os dedos pelo cabelo sobre o
ombro. --Vou para Santa Cruz no final do vero mesmo. No tenho direitos sobre voc.
Mas a gente tem se divertido muito, no ?
-- Claro. Tem sido incrvel -- ele parou. -- Ouviu isso? Um rugido surdo rompeu o
silncio da noite: o som de
buzinas e carros lentos misturado com o grito ocasional e os cliques incansveis de mil
cmeras.
--  a festa? -- assinalou Bree. --  to... barulhenta.
Ser que ela esperava que a festa do ms fosse um evento calminho?
-- Vem -- instou Dan, pegando a mo dela, emocionado por ter uma desculpa para
interromper a conversa. No estava com vontade de discutir o estado de sua relao com
Vanessa. E a verdade era que ele no tinha respostas. -- No quero chegar atrasado.
A rua tranqila de Holly Golightly no estava mais tranqila. Havia barricadas e seguranas
estacionados dos dois lados da quadra, e um tapete vermelho de verdade corria pelo meio
da rua e subia pela casa. Na Segunda Avenida, a fila de limusines ocupava dois quarteires,
e na esquina havia uma rea isolada repleta de reprteres e fotgrafos.
A porta da casa, Dan entregou o convite ao segurana de cavanhaque enorme, que assentiu
num rosnado e carimbou a mo deles com uma fora muito maior do que a necessria.
-- Quer beber alguma coisa? -- perguntou Dan a Bree enquanto eles passavam por uma
mesa comprida, tomada por fltes elegantes de champanhe.
-- No sei se posso beber hoje  noite--respondeu Bree num tom spero que obrigou Dan
a pensar que isso implicava que ele tambm no devia beber.
E ento, ela no  a alma da festa?
Dan pegou duas taas -- se ela no ia beber, ele podia beber pelos dois -- e as secou de
imediato. Arrotando baixo, ele largou a taa vazia na mesa e foi para a multido, a mo
agarrada na de Bree, a outra com o champanhe gelado. Eles se espremeram pela multido e
pararam no saguo. Bree saltitou e subiu a escada diante dele. Ser que estava entrando no
esprito da festa?
--  um timo exerccio -- observou ela.
-- ,  timo -- concordou Dan, ofegando atrs dela. Enquanto eles subiam, o fragor das
garotas que gritavam
sem parar e o martelar do baixo ficavam mais altos. As paredes esfarelentas da casa eram
surpreendentemente slidas, mas nem elas conseguiam conter a zoeira. Quando chegaram
ao patamar da escada no quarto andar, eles puderam ver um mundo de gente vazando do
apartamento acima: pairando acima deles no andar seguinte, o ltimo andar, estava o per-
turbadoramente arrumadinho Chuck Bass, a macaca de estimao empoleirada no ombro
vestida com um tutu rosa e brandindo uma varinha mgica prateada.
-- Romeu! -- gritou Chuck para Dan num falsete de mulherzinha.
Dan assentiu educadamente para Chuck. Odiava aquele babaca e seu esquisito terno Prada
verde-menta anos 1980. Dan pegou a mo de Bree e a puxou pela escada: precisaria de uma
manobra para passar com segurana por Chuck.
-- Quem  esse? -- Bree queria saber.
-- Ningum -- disse Dan a ela com firmeza. Eles correram para o ltimo patamar,
desviando-se de corpos e passando disparados por Chuck Bass, at que quase se chocaram
com Vanessa. De novo.
Eles precisavam parar de se encontrar desse jeito.
Vanessa estava acompanhada dos mesmos garotinhos que tinha a reboque no Central Park
uns dias antes, s que em vez de sujas de sorvete, as crianas estavam limpas, exibindo
blazers azuis com botes de bronze, shorts listrados e camisas de algodo branco
perfeitamente bem passadas. O cabelo louro estava repartido em um penteado liso e
perfeito. Pareciam infelizes.
-- Dan -- gaguejou Vanessa, claramente surpresa. -- O que est fazendo aqui?
-- Eu... Eu pensei que talvez voc tivesse me colocado na lista... antes... -- gaguejou ele.
-- No pensei que voc estivesse aqui, depois, sabe do que...
-- A irm deles trabalhou no filme--Vanessa ps as mos na cabea dos meninos. --
Ento eu tive que vir.
-- Oi -- disse Bree, pouco  vontade. -- Meu nome  Bree. A gente meio que se conheceu
outro dia.
-- Vanessa -- ela deu um sorriso malicioso. Bree? Que porcaria de nome era aquele?
-- Meu nome  Edgar -- intrometeu-se um dos gmeos, estufando o peito com orgulho.
Ele largou a mo de Vanessa e a estendeu para Bree. Ser que se esqueceu do pequeno
episdio do vmito?
-- Eu sou o Nils -- disse o outro menino, empurrando delicadamente o irmo para que
sasse do caminho e curvando-se para Bree. Dan no conseguiu deixar de perceber que eles
pareciam meio como mini-Chucks.
Eles comeam cedo, esses meninos do Upper East Side. Bree se ajoelhou e olhou os dois
meninos intensamente.
-- Vocs tm uma aura muito clara.
Vanessa deu uma risadinha. Dan tombou a cabea de lado e a examinou. Ela estava
basicamente a mesma: cabea raspada, muita atitude, mas em vez dos jeans pretos de
sempre, vestia calas pretas e elegantes que pareciam brilhar e, em vez do top preto de
algodo, estava com um top preto semibrilhante que era macio e delicado -- podia at ser
de seda. Ela parecia quase feminina e, embora isso fosse estranho, s vezes Dan se esquecia
de que ela era s isso: uma garota.
-- Quer ir a algum lugar para conversar? -- perguntou Dan, inseguro.
Vanessa deu de ombros.
-- Se voc puder dar o fora.
Bree estava com os meninos no colo e lia a mo deles.
-- A gente meio que tem muito o que conversar, no ? -- cedeu Dan. Bree comeou a
cantar em snscrito.
Prmio anual de atenuao da verdade.

o mundo  um palco

Como o apartamento praticamente no tinha moblia nenhuma, a multido bebum
transformou a sala principal numa pista de dana improvisada. Blair tinha tomado trs
Bellinis, ento estava pronta para atender ao chamado do dever e rebolar a linda bundinha.
Alm disso, decorara a cena da festa de Bonequinha de luxo e sabia o que se esperava dela.
 claro que Serena era Holly -- a essa altura, no havia como negar --, mas isso no queria
dizer que ela no pudesse se divertir tambm, caramba. Blair tinha muita birita e a festa de
seus sonhos  sua disposio.
Para no falar de um cara muito gato.
-- E a -- murmurou Jason na orelha dela. --  bom te ver de novo.
Blair danava numa imitao perfeita de uma das convidadas da grande festa do filme
original -- mas s uma especialista de verdade como ela prpria reconheceria essa
coreografia. Seu vestido Blumarine de inspirao melindrosa se mexia de um jeito sensual
ao ritmo dos giros do corpo e ela segurava uma piteira de madreprola. O nico toque que
decidira deixar de lado foi a tiara de diamantes.
Ela no precisava do enfeite de cabea para fazer o papel de uma princesa.
-- Vem danar! -- Ordenou ela, pegando os dedos longos e macios de Jason e puxando-o
para mais perto dela. Ele tinha o sorriso mais lindo e mais aberto que ela j vira, era to alto
e parecia to limpo.
-- Sim, senhora! -- Ele abriu o primeiro boto da camisa azul-clara Steven Alan. Sua
quase-nerdice deixava qualquer uma ligada!
Blair chegou mais perto dele, desfrutando do modo como a imensa altura de Jason a fazia
se sentir pequena, delicada e sexy.
Como uma certa esmolambada avoada de Hollywood?
Ela podia sentir o cheiro de sabonete na pele dele e cerveja em seu hlito, e o resto do
grupo sumiu ao fundo enquanto ela olhava sonhadora para o sorriso reluzente de Jason.
Naquele momento, era difcil se lembrar de que gostava de outro, inclusive do lorde sei-l-
o-qu ou sir Chapado.
-- E a... -- Blair bateu as pestanas sugestivamente. -- Serena vai voltar para a casa dos
pais para passar o resto do vero, mas acho que posso ficar aqui...
-- Vamos ser vizinhos -- ele sorriu. -- Isso pode nos meter numa enrascada.
-- Eu meio que gosto de enrascadas.
Opa, atenuando a verdade tambm.
-- Bom, ento... --Jason sorriu. Ele se inclinou e a beijou lentamente. Os lbios dele
tinham o sabor da cerveja doce que ele bebeu a noite toda e alguma coisa de hortel. Ele era
delicioso. Foi um primeiro beijo perfeito, perfeito.
Depois ela sorriu para Jason antes de dar uma olhada na sala. Estava danando lentamente
com ele, embora todos os outros pulassem e rodassem na batida de Madonna que o DJ
colocara. Blair puxou o corpo quente de Jason para ainda mais perto, apesar do fato de estar
basicamente uns 40 graus dentro do apartamento abarrotado. E depois, pelo canto do olho,
viu sir Chapado em pessoa. Mas que porra. Mesmo agora, ela ainda podia contar que Nate
estragaria um momento perfeito.
Nate Archibald estava de mos dadas com algum que Blair definitivamente no
reconheceu, e tambm no era nenhuma daquelas vagabundas da L'Ecole vestidas de
Marni. Essa menina sem dvida no estava usando Marni, mas... Target.
Tudo na menina era exagerado -- o bronzeado, os peitos, a boca, a maquiagem. Parecia
falsa. Pior do que o cabelo superpenteado e a pele num bronze alaranjado ridculo, era a
roupa: ela vestia calas capri cor de pssego e um top cheio de lantejoulas, e tinha como
acessrios da roupa de festa alpercatas sujas e uma mochila de seda pssego comprada-ali-
na-esquina. No se parecia com nada que Blair vira na vida. Era um desastre. Blair olhou
para Bailey Winter parado do outro lado da sala. Ela pagaria o que fosse para ouvir o que
ele cochichava com Graham Oliver naquela hora.
-- Alguma coisa errada? -- perguntou Jason, esfregando o nariz no pescoo de Blair.
-- Desculpe -- murmurou ela, afastando-se do abrao dele. -- S preciso de um
minutinho.
Mas precisaria de mais de um minutinho para superar o fato de que via seu primeiro amor
com outra.

e a, coleguinha?

-- Voc est bem? -- perguntou Vanessa, porque Dan tinha ficado quieto por tanto tempo
que ela estava comeando a ficar com medo. -- Vamos sentar -- ela gesticulou para o
peitoril atrs dos dois. A janela dava para o quintal e estava meio aberta, recebendo uma
brisa noturna suave. L embaixo, no quintal, um grupo se amontoava em volta de um
arbusto de lilases abandonado, fumando.
-- As coisas mudaram mesmo desde a formatura, n? -- Dan estendeu a mo, mas a
baixou antes que tocasse Vanessa.
-- No sei o que aconteceu nas ltimas semanas.
Decepe meus dedos. No posso mais sentir.
No posso sentir voc. No voc. Voc.
-- Acho que o que aconteceu -- comeou Vanessa, severa mas sem ser desagradvel -- 
que voc conheceu outra. Est tudo bem. Quer dizer, eu estou magoada, eu acho. Mas
queria mesmo que voc no tentasse esconder isso de mim, em especial depois que fez
aquela cena na festa de formatura de Blair sobre ficar comigo no outono...
-- Cena? -- Repetiu Dan. -- Eu fiz uma cena? -- Ele tinha falado com ela em particular,
em um canto. No foi uma cena. T legal, o discurso de formatura dele foi uma cena, mas,
felizmente, nessa ocasio ela no estava l.
-- De qualquer forma, no  disso que estou falando. A questo  que -- continuou
Vanessa --, eu tambm no fui totalmente sincera.
Uma bbada de cara nada atraente que Vanessa se lembrava que era extra no filme
cambaleou escada acima. Vestia uma camiseta vermelha TEAM JOLIE e mil pulseiras de
prata. Ela olhou para Vanessa, mas fingiu no reconhec-la. Essa festa definitivamente no
era o que Vanessa pensava de diverso.
Estraga-prazeres.
-- Est saindo com algum? -- Dan parecia que ia chorar.
-- No, claro que no -- ela abanou o ar. -- Mas tenho uma notcia estranha: seu pai disse
que posso alugar um quarto no apartamento dele... Embora estejamos falidos...
Dan pestanejou e esfregou a sola do sapato no tornozelo. Ele no achava que tinham
terminado oficialmente, mas agora pensava que sim.
-- E? -- perguntou ele.
-- E eu aceitei. -- Vanessa olhou para Dan, para ver se podia ler os pensamentos dele, mas
ele ainda esfregava o sapato na perna como um cachorro com sarna. -- Quer dizer, no
posso pagar muito e ele disse que vai me fazer um preo legal, ento...
-- Bom -- disse Dan depois de um momento --, no acho que v ser estranho.
No vai ser?
-- Acho que vai ser divertido -- continuou ele.
Vai, ?
-- Ento, amigos? -- perguntou ele.
-- Amigos -- confirmou Vanessa.
Amigos...?

olha s o que o gato trouxe para dentro -- e quem trouxe com ele

Thaddeus Smith bebeu a caipirinha gelada e se inclinou para Serena, sussurrando de um
jeito sexy, o hlito com cheiro de rum.
-- Quem  aquele? -- perguntou ele.
Ele no apontou, mas no havia necessidade: qualquer um saberia exatamente de quem
Thaddeus Smith estava falando. Nate Archibald tinha chegado.
Eles estavam amontoados na cozinha minscula, o melhor lugar para ver a sala toda, e de
sua posio Serena tinha uma viso clara de Nate pela primeira vez desde a noite da festa
de formatura louca de Blair. Enquanto Serena danava, Nate se sentara no cho, parecendo
mais chapado do que o de costume, at que finalmente se levantou e beijou Jenny
Humphrey de qualquer jeito. O capito Archibald ficou to irritado por Nate no ter
conseguido levar o diploma para casa no dia seguinte  formatura que mandou Nate para
East Hampton, para comear o vero de trabalho. Serena no teve a oportunidade de se
despedir dele, mas sabia que veria Nate de novo em breve. E aqui estava ele, exibindo um
bronzeado vigoroso de quem fica ao ar livre, o que deixava seus dentes j perfeitos mais
brancos e os olhos j reluzentes ainda mais verdes. O peito parecia mais largo, os braos
mais fortes.  claro que Thaddeus Smith percebeu a presena dele.
-- Esse  o Nate -- anunciou Serena casualmente.
-- Nate hetero? -- Thaddeus queria saber. Serena deu de ombros.
-- Ele topa qualquer coisa -- ela riu. -- Mas parece que no est sozinho.
Uma garota muito loura e muito bronzeada estava agarrada no brao de Nate como se ele
fosse um salva-vidas, cravando as compridas unhas vermelhas-bombeiro no bceps dele. Os
olhos estavam arregalados e disparavam excitados, como se ela estivesse drogada.
Uma boa possibilidade.
-- Por favor, me diga que  irm dele -- sussurrou Thaddeus. -- Ela est de sombra azul
nos olhos? Espere s at eu contar a Serge quando voltar ao hotel.
Serena examinou a nova garota. Ela na verdade estava com sombra azul nos olhos.
Tambm estava de pssego da cabea aos ps, o que era to... pssego. O cabelo era louro e
parecia meio branco -- ela parecia a Barbie Stripper na Praia.
Barbie Stripper na Praia? Mas isso pode pegar.
-- E onde foi que ela arranjou essa roupa? -- arfou Thaddeus de um jeito cretino.
Serena no tinha tempo para ceder a mais uma fofoquinha: Blair estava correndo para ela,
com uma cara de pnico que Serena conhecia muito bem.
-- Merda -- disse Serena numa voz baixa.
-- Quem. . Aquela. Porra? -- sibilou Blair furiosa, empurrando os caadores de
celebridades e entrando na cozinha estreita.
No havia necessidade de Serena perguntar de quem ela estava falando.
-- Ah, meu bem -- declarou Thaddeus delicadamente.
-- No precisa se preocupar com ela.
-- No acredito -- rebateu Blair -- que Nate teve a petulncia de aparecer aqui com esse
lixo. Onde ele a pegou... no shopping?
Bom, tem muitos deles em Long Island.
-- Senta a -- ordenou Thaddeus, batendo na bancada.
-- Relaxa.
-- Merda! -- Blair aceitou o conselho dele e se iou para a bancada da cozinha. -- Eu
preciso de um drinque.
-- Fica com a gente -- sugeriu Thaddeus, pulando na bancada e colocando um brao
protetor nos ombros nus de Blair.
-- Eu no achava que era verdade. -- Chuck Bass se espremeu por Serena para se juntar ao
trio na cozinha. -- Mas acho que  ver pra crer, hein, senhoras?
-- Oi, Chuck--Serena suspirou, encostando-se na bancada entre as pernas abertas de
Thaddeus. A ltima coisa que ela queria era que Chuck Bass colocasse as garras em seu
lindo colega de filme.
-- Blair, voc voltou! -- gritou Chuck. --  bom te ver -- ele se inclinou e largou dois
beijos rpidos no rosto de Blair.
-- Oi, Chuck--respondeu Blair, recebendo devidamente os beijos. -- Quem  a piranha
misteriosa? -- Ela podia muito bem tirar proveito de uma qualidade de Chuck Bass: ele
sempre sabia dos furos, embora sem muita preciso.
-- Eu soube dela, mas no a conheci -- explicou Chuck com orgulho. Ele tomou um gole
da garrafa recm-aberta de Dom Perignon. -- Ah! No olhem agora -- sussurrou ele meio
alto, claramente curtindo o momento --, mas acho que estamos prestes a conhecer.
Nate levou Tawny pelo mundo de gente reunida na pista de dana em direo ao grupo de
rostos conhecidos na cozinha.
-- E a -- gritou Nate por sobre o barulho. -- Serena, Blair -- elas estavam ainda mais
lindas do que ele se lembrava. Como se tivessem sido borrifadas com p das fadas.
-- Nate! -- Serena se inclinou para a frente para dar um caloroso abrao no velho amigo,
tentando evitar que o momento fosse insuportavelmente esquisito.
Tarde demais.
-- Oi -- disse Blair, fervilhando, cruzando as pernas e brandindo a cigarreira comicamente
comprida como uma arma. -- Algum pode acender, por favor?
Thaddeus Smith pegou seu Zippo de prata monogramado e acendeu o cigarro de Blair. O
volume da msica diminuiu e comeou a tocar "Papa Don't Preach", e alguns extras
animadinhos pularam no meio da pista, fingindo cantar com microfones imaginrios.
-- Enfim um verdadeiro cavalheiro -- suspirou Blair teatralmente. -- Algum viu meu
namorado? -- Espere s at Nate vir Blair em seu beijo de lngua com Jason. R!
-- Blair -- gaguejou Nate. -- Voc est tima. Que bom que voltou -- ele no sabia o que
mais ia dizer. Sentia-se um imbecil.
Blair pulou do poleiro na bancada, cambaleando bebum nos Jimmy Choos pontudos
enquanto pousava nos ladrilhos rachados da cozinha com um baque.
-- T, obrigada -- ela assentiu. -- Vo ter que me dar licena. Estou mesmo com vontade
de danar. S preciso achar meu parceiro -- ela voltou para a sala apinhada.
Serena sorriu para Nate como quem se desculpa.
-- Meu nome  Serena, a propsito.--Ela ofereceu a mo  nova garota e percebeu que a
menina tinha lindos olhos azuis amendoados e sardas adorveis em cada centmetro da pele.
Mas Serena no est sempre pensando em alguma coisa gentil para dizer?
-- Tawny -- disse a garota com um forte sotaque que fez com que parecesse Tauh-awe-
nie.
-- Bom, desculpe -- murmurou Nate. -- Serena, esta  a Tawny.
-- E Thaddeus -- Serena se espremeu no brao do astro de cinema. -- Estes so Nate e
Tawny.
Thaddeus pulou da bancada e trocou um caloroso aperto de mo, primeiro com Nate,
depois com Tawny. Uma bbada com um minivestido roxo American Apparel que deixava
os ombros  mostra esbarrou nele por acidente. Ele empurrou a danarina delicadamente
para fora da cozinha.
--  timo conhecer vocs dois -- respondeu ele de um jeito charmoso.
Ele  mesmo um bom ator.
-- Arr! -- Chuck Bass deu um pigarro teatral. -- E eu sou o Chuck.
-- Tawny -- a menina ajeitou as alas da mochila pssego minscula e lhe ofereceu a mo
antes de dar as costas e se voltar para Thaddeus, os olhos arregalados e praticamente
babando.
-- Encantado -- piou Chuck, beijando a mo dela e curvando-se muito. -- Vamos nos
conhecer, querida. No se importa, no , Natie?
Nate teria dito a ele que no, v em frente, mas estava distrado com a viso de Blair, de
mos dadas com um sujeito alto com cara de banqueiro, rindo, a cabea atirada para trs.
Ela o estava apresentando a um homem mais velho, baixo e impecavelmente vestido, e
havia alguma coisa familiar no modo excitado com que ela paquerava os dois que encheu
Nate de desejo.
-- Com licena -- gaguejou Nate. -- Preciso ir.
Ao seguir para a porta, Nate ouviu Chuck dizer, "A propsito, voc tem um bronzeado e
tanto".
Sim, Tawny, que quer dizer castanho.

b  uma inspirao

-- Querida! Que-ri-daaaa! -- guinchou Bailey Winter para Blair. -- Voc precisa... eu
repito, precisa... ficar comigo na ilha neste vero. Voc  uma perfeio.
Eles estavam na soleira da porta do quarto, que ficava  maior distncia possvel que Blair
conseguiu da cozinha sem perd-la de vista. Ela meteu atrs das orelhas o cabelo escuro
quase na altura dos ombros, constrangida. Sempre gostou de receber um elogio, mas o que
voc diria a algum que a chamava de perfeita?
Que tal "obrigada"?
-- Estou comeando uma nova coleo. Chama-se Vero/ Inverno -- Bailey fez um
movimento com as mos que Blair suspeitou que devia transmitir as temporadas, mas em
vez disso parecia um ataque epiltico. -- E voc, meu amor,  Inverno.
Jason colocou a mo grande e macia na nuca de Blair.
-- Isso  incrvel, Blair -- disse Jason com doura.
Era mesmo incrvel, mas pelo canto do olho ela no conseguia deixar de ver Nate, com os
olhos verdes cintilantes e uma camisa Polo azul-beb perfeita, afastando-se de Serena,
Chuck e daquela piranha caipira e saindo da festa. Aonde ele estava indo, merda?
-- E Serena  o Vero! -- gritou Bailey, recuperando a ateno de Blair. Ele tirou os
culos de sol de aviador e olhou animado a luz no teto.
Blair fez contato visual com Serena pela pista de dana.  claro que ser uma das duas
musas no tinha exatamente sido parte da fantasia, mas se tinha que dividir os refletores
com algum, ento que fosse a melhor amiga.
Mas que generosidade.
--  claro que vou precisar que as duas morem comigo. Para ter inspirao, querido! No
se preocupe... H muito espao para os hspedes na casa de praia! -- Cantarolou ele,
piscando para Jason.
Blair viu Nate cumprimentar Jeremy Scott Tompkinson, que jogava lacrosse com ele, no
corredor. Ela s vezes se perguntava o que os meninos realmente conversavam no vestirio.
Ser que Nate contou a todo mundo sobre a primeira vez que eles transaram? E como ele
fez com Serena? Blair olhou para baixo e viu que suas mos de repente estavam contradas
em punhos vermelhos.
-- Bom, eu adoraria fazer uma visita --Jason puxou Blair para mais perto. -- Se ela me
quiser.
Bailey colocou os culos de aviador e os empurrou pela ponte do nariz.
-- Vou ficar com voc se ela no quiser! -- Ele riu e depois bateu palmas. -- Ah, deve
estar apavorado! No se preocupe, eu no mordo. A no ser que voc me pea! -- Bailey
guinchou de prazer.
Blair tinha um sorriso afetado nos lbios. Estava com dificuldade de se concentrar na voz
de staccato de Bailey. Ele a chamou de perfeita -- ela ouviu isso.
 claro que ouviu.
Mas que histria era aquela de morar com ele? Bom, isso podia dar certo. Embora ela
tivesse acabado de dizer a Jason que ia ficar ali, a casa palaciana de Bailey na rua 62 com a
Park seria bem adequada para ela antes de partir para Yale dali a alguns meses. Ser que
Audrey Hepburn teve um comeo parecido como musa?
-- Tenho a sensao de que minha me vai aparecer para o "ch" toda tarde -- disse ela.
-- Ela tambm vai para Georgica? -- perguntou Bailey, arqueando ainda mais as
sobrancelhas artificialmente altas. -- Que maravilha!
-- Georgia? -- Blair franziu a testa. Ser que Bailey sempre tem que ser esquisito?
-- No, meu bem, Georgica. Na casa de praia, sabe? Em East Hampton? Onde todos ns
vamos? -- explicou ele. -- Est se sentindo bem, querida?
Pera, os Hamptons? Como assim? Os Hamptons, onde Nate e aquela putinha caipira vo
passar o vero todo? Por que ele no falou nisso antes?
Bom, mas ele falou.
-- Sim -- confirmou Blair, embora estivesse sacudindo a cabea em um no. -- Eu estou
bem.
-- Acho que a casa de hspedes fica meio para trs na propriedade e meio perto dos
vizinhos, mas eles quase nunca esto l. Talvez voc os conhea, querida? Os Archibald? O
filho deles parece estar passando o vero l.  da sua idade. Diabolicamente lindo, sabe
quem ?
Ah, ela sabia, claro que sabia.
Voc sabe o que dizem por a: amai o prximo!

trs no terrao

Dan subiu a escada e abriu o alapo para o terrao, saindo para o ar da noite. O prdio no
era alto o bastante para ver o East River, mas ele podia sentir o cheiro do rio, mido e
fedendo a peixe. Ainda assim, havia alguma coisa mgica no crepsculo de Nova York no
vero.
Ele acendeu um Camel e deu baforadas vidas. Pelo terrao de asfalto irregular, podia
sentir a batida do baixo e ouvir o rugdo entorpecido da multido. Precisava se sentar e
pensar nas coisas sozinho. Andando at a beira do terrao, ele espiou o quintal e na
escurido de breu quase tropeou em Bree, sentada perto da beirada numa postura de ltus,
os olhos fechados, a saia turquesa de cigana abanando em volta dela.
-- Bree, voc est bem?
-- Dan -- respondeu ela calmamente. A garota abriu os olhos e sorriu para ele. --Voc
est fumando.
Merda.
Ele atirou o cigarro aceso na noite.
-- Desculpe -- disse ele timidamente.
-- No precisa se desculpar -- o tom de voz dela era to neutro que chegava a ser
condescendente.
Dan se sentou ao lado de Bree no terrao enquanto a escurido caa. O quintal estava to
escuro que ele mal podia divisar o alto dos esparsos arbustos e a brasa dos cigarros das
pessoas. Ele fechou os olhos e tentou fingir que estavam no alto de uma montanha no
Pacfico Noroeste, mas nem sua imaginao de poeta era to forte.
No h oxignio aqui em cima. No para dois...
-- Eu no me importaria, se quisesse fumar -- continuou Bree. -- Queria que no fumasse,
porque  ruim para o seu corpo e para a terra, mas voc  outra pessoa. Pode fazer o que
preferir.
Dan no estava com vontade de discutir. Pegou outro cigarro e acendeu. Pronto. J se sentia
melhor.
-- Desculpe por ter feito voc subir atrs de mim -- disse Bree.
Dan preferiu esconder o fato de que no estava procurando por ela, mas s por um minuto
de paz e nicotina.
-- Ento, pensei que voc estava l embaixo conversando com Vanessa. Certamente parece
que os dois tm muito o que dizer um ao outro.
Dan no sabia como responder. A verdade era que ele no acreditava realmente que ele e
Vanessa fossem morar juntos pelo resto do vero como... amigos.
Amigos com alguns benefcios, quem sabe?
-- No estou irritada nem nada -- garantiu-lhe Bree, e ela parecia dizer a verdade. -- Ns
nos divertimos juntos nas ltimas semanas, no foi?
-- Totalmente -- concordou Dan, assentindo. Ele sabia o que viria pela frente.
-- Eu gostei da experincia de passar a conhecer voc, de passar a te entender um pouco,
como pessoa. Sempre  uma jornada mgica, no acha?
Ah, cara.
-- ,  isso mesmo -- respondeu Dan. A besteirada de filosofia-de-vida de Bree j estava
ficando velha. Ele ficaria feliz quando no tivesse mais que ouvir isso.
-- E no h problema em ficar triste quando a jornada termina -- continuou ela. -- Mas
nossos caminhos esto divergindo. Seu caminho de vida levou voc a uma grande festa de
Hollywood. No  uma coisa que eu entenda. Meu caminho est me levando a outro lugar.
Ele apostara sua educao formal e todo o futuro em um romance com Vanessa e ficou 
vontade com isso. Mas ele apostou seu futuro todo com Vanessa em Bree? O que ele estava
pensando?
Bree se levantou e se espreguiou, erguendo as mos no alto e exalando profundamente. S
a blusa branca e o cabelo lourssimo eram visveis no escuro, ento ela parecia estar
flutuando, sem pernas.
-- Ah, Dan -- ela fungou um pouco. -- E to difcil dizer adeus, no ? Eu tento me
lembrar do que meu iogue ensina sobre deixar as coisas flurem, mas  difcil. Quer dizer,
ainda sou uma discpula.
De repente no parecia nada difcil dizer adeus.
Dan abraou-a fraquinho porque parecia a coisa certa a fazer, depois a viu desaparecer pela
porta do alapo. Estava meio feliz por terem terminado e ele definitivamente estava
exultante porque Bree  que foi embora. Ele aprendeu muito com ela, sobre a natureza,
exerccios, espiritualidade, mas tinha chegado a seu limite: simplesmente queria um
cigarro, um minuto de paz e depois ia descer e ir para casa com Vanessa -- de um jeito s
de amigos.
-- Que droga -- declarou uma voz de homem no escuro.
Por que era to difcil conseguir um minutinho de paz?
-- Quem est a? -- S o que Dan conseguia ver era uma ponta acesa e o cheiro de um
baseado.
-- Desculpe, cara. -- Nate Archibald se aproximou de Dan. -- Eu no queria que voc
ouvisse. Acho que no te vi aqui.
-- Ah, oi -- Dan reconheceu o mauricinho chapado que magoou Jenny no outono passado.
Jenny parecia ter superado aquilo bem rpido, ento no havia ressentimentos.
-- Voc est levando isso muito bem -- comentou Nate.
-- Sinceramente, cara -- respondeu Dan filosoficamen-te --, s no era para ser. Pensei
que ela fosse algum por quem eu me interessava. Quer dizer, pensei que eu estava pronto
para mudar. Mas sabe de uma coisa? Eu estava errado. Acho que ca na armadilha de ficar
excitado com a idia de algum novo, embora sejamos totalmente errados um para o outro.
--  mesmo? -- Nate tossiu. O que Dan acabara de descrever parecia meio familiar.
-- O caso  que -- continuou Dan, todo filosfico -- tem uma garota l embaixo, e ela 
nica, cara. Ela  nica.
Qual delas?
-- Acho que sei exatamente o que quer dizer -- acrescentou Nate, a voz uma oitava mais
alta do que o normal. -- E que garota era certa tambm... existem, tipo assim, caminhos,
n, e s vezes eles... divergem. N?
Caraca.
-- No sei nada de caminhos -- respondeu Dan, embora toda a histria de caminhos
divergentes na verdade fosse tirada de um poema de Robert Frost, "A estrada menos
percorrida", que ele citou no discurso de formatura. -- Estou meio de saco cheio de toda
essa besteirada Nova Era, para falar a verdade.
-- ? -- Perguntou Nate. Isso parecia meio legal para ele.
 claro que parecia.
n sai de fininho

Nate passou esbarrando em algumas meninas ligadas no modo mximo de dana e deu uma
olhada na sala. Estava to cheia que ele mal conseguia ver um rosto conhecido.
Ou talvez ele estivesse doido demais.
Nate no esperava ter nenhum tipo de epifania nesta festa boba de Hollywood. Este devia
ser o vero em que ele ficaria srio, daria as costas a festas, a maconha e a caar garotas
que eram problemticas demais para valer a pena. Este devia ser o vero em que ele
trabalharia muito, usaria as mos e faria um trabalho honesto e desafiador, conheceria a si
mesmo e se prepararia para sua carreira em Yale. O capito Archibald e at o treinador
Michaels estavam decididos que Nate fosse para Yale como um homem diferente, um novo
homem, capaz de lidar com as responsabilidades. E agora, de repente, Nate sentia que j era
esse cara novo.
Mas que rapidez.
Alguma coisa que Dan disse realmente bateu nele: sua vida estava bem ali, esperando por
ele, dentro desse apartamento superlotado de merda. A garota com quem ele queria ficar
estava bem aqui e a nica coisa honrvel a fazer era contar a novidade  menina com quem
ele no queria ficar.
Mas ele no conseguia encontrar a cabeleira loura de Tawny em lugar nenhum: o lugar
estava abarrotado. Nate abriu caminho pela pista, ignorando os acenos de um baixinho
esquisito, excessivamente bronzeado que usava culos de sol, embora estivessem dentro de
um apartamento. No havia tempo para bater papo: ele era um homem com uma misso.
Nate entrou na minscula lasca de cozinha e subiu na bancada. Daquele ponto de
observao, ele olhou o apartamento, procurando por Tawny. O apartamento estava
completamente lotado. Havia rostos que ele reconhecia -- Isabel e Kati enfiadas num
canto, cochichando, como sempre; aquela garota careca e plida que parecia sinistra estava
falando com outra galera -- mas, em sua maioria, a sala estava cheia de estranhos.
Ento l estava ela: o cabelo louro distinto era inconfundvel. Era cheio e ondulado e caa
nos ombros bronzeados, um dos quais estava nu, onde o top cor de pssego tinha
escorregado. Nate tinha que admitir que Tawny era muito sexy. Ele viu que ela estava se
agarrando com Chuck Bass, que tinha aberto a camisa verde-menta e rodava de peito nu
com um remix dance daquela msica da Ciara. Eca.
Nate sentiu um puxo na perna de suas calas cqui Trovata e olhou para baixo, vendo
Serena sorrindo para ele.
-- Ei -- disse Nate, ajudando-a a subir. Ele ficou grato pela companhia de uma velha
amiga.
Serena passou os olhos pela sala e olhou para onde Nate olhava com ateno, observando a
exibio quase obscena de Chuck e Tawny danando.
-- Sabe de uma coisa-- sussurrou Serena no ouvido de Nate. Seu hlito era doce e fez
ccegas agradveis nele. Era uma sensao familiar e boa. -- No precisa se preocupar
com isso. Chuck Bass  s um babaca meio tarado e inofensivo, e ns o adoramos por isso
-- No estou preocupado -- disse Nate a ela. -- No  nada disso.
-- No ? -- perguntou Serena. Ela conhecia Nate e definitivamente sabia que no devia
acreditar nele quando se tratava de garotas. Ele basicamente sempre entendia tudo errado.
Ela  uma atriz, lembra? Ela s banca a idiota.
-- Pensei que fosse, mas eu estava errado -- admitiu Nate. -- Ei, aonde eles vo? --
Tawny tinha pegado a mo de Chuck e os dois entraram de fininho por uma porta prxima.
-- Aquele  o banheiro -- observou Serena.
Eca e mais eca.
-- Tanto faz -- Nate deu de ombros. Ele passou do ponto na vida em que estava
interessado em meninas que entravam de fininho em banheiros de festas com caras que mal
conheciam. No ligava para o que ia acontecer atrs daquela porta agora. E ento, na pista,
descala e luminosa, ele viu Blair, no abrao firme de um cara muito mais alto com um
terno conservador cinza. Os lbios dos dois se encontraram e Nate teve que fechar os olhos.
-- Vou cair fora -- murmurou ele. Teve o bastante dessa festa. Nate abriu o familiar
sorriso torto e cndido para Serena. Depois pulou da bancada e desapareceu na multido.

toca a msica, rolam os crditos

Serena continuou na bancada e pegou o cigarro que sensatamente enfiara atrs da orelha.
Alisou as rugas de seu vestido Bailey Winter "emprestado", abriu um dos queimadores do
fogo e se curvou para acender o cigarro na chama. Deu uma longa tragada, apagou o fogo
e voltou sua ateno para a pista que ainda pulsava.
-- Aonde o Nate foi? -- Blair irrompia na cozinha.
-- Quem sabe? -- Serena riu, ajudando Blair a subir na bancada ao lado dela. Ela passou a
Blair o Merit Ultra Light e olhou a cena com um sorriso satisfeito nos lbios perfeitos. --
Cad o jason?
-- Foi at o apartamento dele -- explicou Blair. -- Tem um pouco de frango frito na
geladeira dele e eu estou faminta.
-- Voc tem sorte -- piou Serena, pegando o cigarro de volta de Blair.
, Blair era aquela que tinha toda a sorte.
Serena pegou a mo de Blair. Ela se inclinou e sussurrou no ouvido da amiga, que estava
enfeitado naquela noite com um dos famosos Bs da Bvlgari.
-- Esse vero vai ser incrvel.
Blair pousou a cabea escura no ombro de Serena.
-- Espero que os Hamptons no sejam pequenos para todos ns.
Serena apertou o joelho de Blair em resposta. Blair olhou a sala de estar. Se piscasse, ia
parecer exatamente a cena da festa em Bonequinha de luxo. Ela sonhou com este momento
tantas vezes, tantas vezes viveu esse momento no filme em sua cabea, que parecia
familiar. Era maravilhoso.
Havia Kati e Isabel, com vestidos Tocca combinando tentando esconder o fato de que
estavam cochichando sobre Blair e Serena, sorrindo e acenando animadas. Blair
praticamente podia imaginar o que as duas diziam sobre ela. Havia Chuck Bass, girando o
corpo fofo e bronzeado, o peito nu escorregadio de suor. Todos os outros olhavam na
direo delas. Era Serena ou Blair que atraa a ateno deles? E isso importava?
Nem um pouco.
O DJ -- um sujeito que suava freneticamente e que Bailey Winter no parava de azarar--
mudou de disco e deve ter lido o pensamento de Blair: o apartamento se encheu de uma
batida tensa e depois uma voz sensual cantou as palavras muito conhecidas:

Moon river, wider than a mile...
I'll be crossing you in style, someday.
Dream maker, you heartbreaker...
-- Sou eu! -- Gritou Serena.
-- Voc  inacreditvel -- disse-lhe Blair com sinceridade, pegando a mo de Serena.
No filme em sua cabea, esta era a cena final perfeita. A msica era exatamente a certa e a
multido enlouqueceu danando. Um cara lindo estava preparando um prato de frango frito
frio para ela no andar de baixo. Embora fosse s uma lixeira sem moblia, aquele
apartamento parecia totalmente glamouroso. Blair estava emocionada. Este era seu lugar.
Esta era a sua festa.  claro que o filme podia estar no fim, mas a verdade era que o vero
estava apenas comeando.

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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

Ah. Meu Deus. No achei que fosse possvel ter o tipo de ressaca que estou sentindo agora,
mas  minha culpa, quando  que vou aprender a no exagerar no champanhe? Mas ento,
eu sempre fui a alma da festa. E que festa! Tenho certeza de que aqueles de vocs que
tiveram a sorte de comparecer vo concordar: foi o segundo maior e melhor evento do
vero. Parece que algum est evoluindo para ser uma anfitri das maiores, no acham?

mistura e junta

Morrendo de vontade de saber quem foi para casa com quem?
Tenho um dossi completo:
T na verdade  de um homem s. No segundo em que a festa terminou ele pegou o primeiro
txi disponvel e disparou para o Mercer, onde se encontrou com o namorado secreto.
Soube que os dois passaram as 48 horas seguintes escondidos na sute nupcial.
Aquele estilista fabuloso, que insiste em usar os Ray-Bans espelhados entre quatro paredes
 noite, seduziu o DJ ideal para sua manso na Park Avenue, sem dvida com a promessa
de uma roupa gratuita de sua nova linha masculina. Imagino que o DJ v girar discos de
vinil nos Hamptons pelo resto do vero...
S foi para a cama sozinha. No vai parar de nos surpreender nunca?
D e V dividiram um txi para a casa dele -- humm, a casa dos dois no Upper West Side,
mas o romance morreu oficialmente. Quartos separados, gente. Quartos separados.
N foi visto num trem LIRR de madrugada para a ilha, completamente s. Ento o que
aconteceu com...
A vagaba bronzeadaa-e-louraa? Ela e C mantiveram a festa rolando, foram ao circuito de
boates e terminaram no Bungalow 8 s cinco da manh. Ainda no se tem notcias deles.
Quer saber por que S foi para a cama sozinha? Porque a colega de quarto dela estava no
andar de baixo. Mas B definitivamente no estava s...

ento vamos tirar uma folga...
Gente, no vamos nos esquecer de que o vero foi feito para relaxar. Julho est bem ali, e
quando chegar o Dia da Bastilha (no  aniversrio de algum?) estaremos oficialmente no
meio das frias. Haver muito tempo para trabalhar no outono, para as provas de meio de
semestre, festas em fraternidades e se preocupar com entrevistas para os melhores estgios
no vero que vem.  nossa poca de diverso, ento vamos ao que interessa e s...
relaxemos. Ah, a quem estou enganando? Nesta cidade, nunca  s relaxar! Tudo bem,
talvez N relaxe, mas o resto de ns jamais diminui o ritmo. E por falar em nunca diminuir o
ritmo...
Ser que B vai magoar mais um? Ela j se livrou de dois pretendentes, e ainda nem  julho!
Ser que S vai ser capaz de se adaptar  vida longe das cmeras? Ela vai dividir os
refletores com B nos Hamptons, ou vai para Hollywood passar o resto de seus dias com seu
novo melhor amigo T?
N vai fazer as pazes com B? Ser que vai voltar se arrastando para S? Ou ele finalmente
desistiu de perseguir garotas e decidiu crescer? E ser que teremos notcia de seu casinho
de vero?
Eu acho que no. Afinal, ele ainda tem muito trabalho a fazer na casa do treinador de
lacrosse...
E os Hamptons? Ser que este paraso das frias para os ricos e famosos ter espao para B,
S e N? E o resto da elite de Manhattan? As locaes podem ser outras, mas as estrelas so
atores de um personagem s -- nunca mudam de verdade.
E falando srio: que diabos vai acontecer com D e V? Trs contra um como vo voltar l
pelo 4 de julho. Algum a quer apostar?
Vou ficar engaiolada por aqui e conseguir algumas respostas. Afinal, esse  meu emprego
de vero e sou a trabalhadora mais dedicada que conheo. Algum tem que fazer isso.

Pra voc que me ama,
gossip girl


                                           FIM


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